O jogo das viradas, dos gols e da emoção!

Em partida de 11 gols, Índio se eternizou na história do Vitória e os torcedores, viveram uma verdadeira epopeia em 90 minutos 

 

Foto: Reprodução Internet

 

90 minutos… decisivos...únicos!

Uma partida de futebol é sempre carregada de amor e de rivalidade, mesmo que o jogo seja “pra cumprir tabela”, ninguém jamais, vai querer perder. Agora, imagine um clássico...um clássico de dois dos maiores clubes do Nordeste: de um lado o Leão, o Vitória e do outro o Esquadrão de Aço, o Bahia, em um  jogo, válido pelas finais do Campeonato Baiano.

O palco, não poderia ser outro e as torcidas, lotaram as arquibancadas, exaltando o belíssimo contraste entre o azul, o branco, o preto e o vermelho!

Clássico já é bom por natureza, mas quando envolve decisão e é disputado na casa do rival, o jogo ganha um tempero “a mais”, um sabor diferente. Dentre tantos BAVIs, um sempre será eterno na mente de tricolores e de rubro-negros, e nas próximas linhas, contarei o que foi o último clássico da antiga Fonte Nova.

 

A antologia de Índio

 

O dia 22 de abril, para muitos rubro-negros, deveria ser considerado o dia do índio. Foi neste dia, que o atacante do Leão, foi além de qualquer outro atleta que já tinha ostentado o pavilhão do clube, e foi sem dúvida nenhuma, o grande protagonista da partida.

O atacante Antonio Rogério da Silva, conhecido por Índio, vestiu o manto rubro-negro, de 2005 a 2008, mas 2007, foi sem dúvida “o ano do cara”, o ano em que o goleador, fez jus a alcunha e infernizou a zaga do Bahia.

Cada partida da temporada, era a certeza de uma flechada no gol adversário. Com 26 gols em 27 jogos, 8 deles anotados em cima do rival, o cacique, caiu nas graças do torcedor e era considerado o talismã rubro-negro.

Naquela tarde de domingo, Índio fez o improvável, o inimaginável, e levou a torcida ao êxtase, e para muitos, foi difícil controlar a emoção. O jogador, que já havia marcado dois gols, na fase classificatória, na goleada por 4x2, sobre o rival, viveu uma partida de dobro, de perfeição!

 

Foto: Esportes Sudoeste


 

Quem ficou até o fim, agradeceu aos Deuses do futebol


 

O rival estava mordido e queria a qualquer custo a vingança e a vitória, sobre o ECV. A goleada da fase de classificação, ainda não tinha sido digerida e o clima no estádio, era de caldeirão.

Assim que Djalma Beltrame, deu início ao confronto, a partida deu sinais de que seria espetacular e não demorou muito, para o marcador começar a trabalhar. Logo aos 4 minutos, os donos da casa, abriram o placar em cobrança de falta de Danilo Rios. O gol, assustou o time da Barra, que durante os primeiros 30 minutos, assistiu, sem reação o rival jogar. Mas, como dizem na linguagem do futebol: quem não faz, toma! E o Vitória, virou pela primeira vez o placar…

Jackson recebeu cruzamento de Alisson e tocou para os fundo da rede, empatando a partida. Ainda eufórica, a torcida rubro-negra, comemorou o segundo gol, daquele que seria o grande o guerreiro, o nome do jogo: Índio. Apodi, alçou a bola na área e o atacante, cabeceou, sem chances para o goleiro Paulo Musse.

Mas em apenas 3 minutos, o Bahia, retomou a igualdade no placar. Fausto chutou de fora da área e empatou. 2x2.

As torcidas iam a loucura, os narradores comentavam a excelente partida que se passava diante dos seus olhos, e quando todos achavam, que o jogo estava definido em sua etapa inicial, Danilo Rios, colocou o Bahia, novamente a frente.

O placar, mesmo tendo a vantagem do tricolor, não definia a partida. Os times voltaram, ainda mais aguerridos para campo no segundo tempo.

Logo no início, Índio deu sua segunda flechada para gol, em cobrança de pênalti, sofrido por Jackson. Em seguida, Apodi deixou o dele, em um chutaço, indefensável. 4x3.

Era a vez da torcida tricolor se calar, apreensiva, e da insana torcida do Vitória começar a cantar:  “Ah a, uh u, a Fonte Nova é nossa!”.

E Índio, tratou de inflamar ainda mais o confronto! Com um drible desconcertante em cima de Paulo Musse, o camisa 11, bateu pras redes e já saiu comemorando como um verdadeiro GUERREIRO INDÍGENA! Flechando o rival!

A torcida tricolor, incrédula, começava a deixar o estádio, enquanto a festa rubro-negra rolava. Mas, como eu mesma ouvi dizer, BaVi, sem emoção, não é BaVi! Assim, em três minutos, a partida ganhou ainda mais emoção.

Já se passava dos 40 minutos, quando Fabio Saci, diminuiu para o Bahia, após aproveitar a bobeira da zaga, de Givanildo Oliveira. O atacante, saiu comemorando com sua marca registrada e não deixou de provocar o artilheiro da tarde.

O gol ressuscitou o tricolor, que teve forças para buscar o empate aos 45 do segundo tempo. Rafael Bastos, foi o autor do gol.

O juiz deu 4 minutos, e o empate já era dado como certo e visto como justo. Mas, numa partida de inúmeras viradas, de belos gols e do show das torcidas, o roteiro foi escrito para ser épico!

O Vitória tinha um “ÁS”, na manga, na verdade, uma flecha! No último minuto de jogo, ela foi certeira e mortal! Índio, de fora da área, selava a partida: 6x5.

 

Foto: Reprodução internet

 

- Até hoje eu lembro como se fosse ontem. A lembrança é bem perto. O jogo ficou muito marcado para mim por causa dos quatro gols que fiz e também porque o jogo foi importante para que a gente fosse campeão naquele ano – lembrou Índio, em conversa com o GLOBOESPORTE.COM.

 

A massa rubro-negra, ia ao delírio! É impossível descrever o que foi a Fonte Nova, naquele instante! Muitos, incrédulos pelos 90 minutos que haviam presenciado, não controlavam as lágrimas, enquanto os tricolores, balançavam as cabeças, atônitos. Era a consagração de Índio como ídolo, como o jogador com mais gols marcados contra o rival!

 

Ficha do jogo:

Bahia 5 x 6 Vitória

 

Quadrangular final do Campeonato Baiano 2007

 

Data: 22 de abril de 2007

Local: Estádio da Fonte Nova (Salvador)

Público: 60 mil pagantes

Árbitro: Djalma José Beltrame

 

Bahia: Paulo Musse; Carlos Alberto (Amauri), Hebert, Rogério e Victor Boleta; Humberto, Fausto, Danilo Rios (Emerson Cris) e Rafael Bastos; Fábio Saci e Moré (Danilo Gomes). T: Arturzinho

 

Vitória: Emerson, Apodi (Alex Santos), Sandro, Jean (Jefferson) e Alysson; Vanderson, Bida e Jackson e Capixaba; Índio e Joãozinho (Sorato). T: Givanildo Oliveira

 

Gols: Danilo Rios (4/1º), Jackson (31/1º), Índio (35/1º), Fausto (38 do 1º), Danilo Rio (45/1º), Índio (6/2º), Apodi (21 do 2º), Índio (26/2º), Fábio Saci (42/2º), Rafael Bastos (45/2º) e Índio (49/2º)

 

Cartões amarelos: Hebert, Rafael Bastos, Alysson e Índio.

 

por Mariana Alves, para Luan Pablo e Ludmila Bazilio, dois torcedores, que me ensinam todos os dias, a respeitar o pavilhão do E.C.V