O Jornalismo esportivo e suas 20 novas estrelas

 

 

O esporte sempre fez parte da minha vida. Quando pequena, achava que seria uma grande atleta, pratiquei inúmeros esportes, mas de todos, o meu preferido sempre foi o futebol, talvez, por desde meu nascimento carregar um certo escudo no peito. Com o decorrer dos anos, vi minha vontade de ser atleta ir por água abaixo por inúmeros motivos, mas era necessário que eu encontrasse alguma saída para continuar envolvida aos esportes mesmo não praticando.

Decidi então juntar meu amor como torcedora, pelo esporte e pela escrita. Optei por fazer da carreira que escolheria para a minha vida o Jornalismo esportivo.

Apesar de ainda ser uma mera aspirante, me considero parte do meio. Tenho respeito, carinho e uma enorme admiração por todos os profissionais da área, afinal, eles vivem o meu sonho.

Vivem o esporte, respiram futebol. Escrevem, apuram, informam, viram noites, fazem plantões, coberturas. Tudo para levar até você, torcedor, todos os acontecimentos do seu time do coração ou do seu esporte favorito.

Ontem, dia 29 de novembro de 2016, acordei com uma notícia muito triste. O avião que levava o time da Chapecoense havia caído. Junto ao time, comissão técnica e convidados, haviam 21 jornalistas, e apenas 1 destes 21, conseguiu ser resgatado com vida.

 

 

O narrador Rafael Henzel sobreviveu ao acidente (Foto: Reprodução/Facebook)

 

Vinte vidas perdidas, de profissionais que na frente, por trás das câmeras ou com suas vozes, faziam a diferença. Alguns nomes mais conhecidos, outros não. Porém, que tiveram os desfechos de suas vidas de uma forma igual.

Talvez muitos deles optaram por trabalhar nesta área pelo mesmo motivo que eu. O amor pelo esporte.

Para um jornalista esportivo, cobrir um evento internacional é uma das maiores glórias da profissão, e aquela viagem levariam aqueles homens à mais uma experiência que, sem dúvidas, seria marcante para todos. Mas, eles não chegaram ao destino final que deveriam, não tiveram tempo. Junto com a queda do avião, sonhos foram destruídos, histórias tiveram seu ponto final.

As vozes que narravam, comentavam e traziam informações foram silenciadas, mas serão eternas nas memórias de cada torcedor. Os que ficavam por trás das câmeras, nem tão vistos pelo público também terão eternamente a nossa gratidão, pois o jornalismo também precisava de vocês para acontecer.

Além de profissionais, eram seres humanos, tinham famílias, esposas, filhos, objetivos a cumprir... Alguns com uma carreira inteira pela frente, outros com os nomes consolidados na história da comunicação brasileira.

Agora, todos viraram estrelas. Que serviram e ainda servirão de exemplo para muitos outros que assim como eu pretendem seguir a profissão.

O destino nos prega peças e situações como essa nos fazem refletir o quanto somos frágeis.

"Dar a vida pelo que ama", foi o que vocês fizeram pelos seus trabalhos e é o que todos que continuarem o legado esportivo no Brasil devem fazer também.

Quem respira futebol, hoje e por um bom tempo ficará sem ar.

 
 

Em memória dos 20 profissionais de comunicação vítimas do acidente com o vôo da Chapecoense.

 

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  • Victorino Chermont (FOX): Repórter, tinha 43 anos e estava na Fox Sports. Trabalhou na Rádio Globo e SporTV.

  • Lilacio Pereira Jr. (FOX): Aos 48 anos, tinha a função de coordenador de transmissões externas.

  • Rodrigo Santana Gonçalves (FOX): Rodrigo era repórter cinematográfico da emissora. Tinha 35 anos.

  • Devair Paschoalon (FOX): Narrador da Fox Sports, tinha 51 anos e nasceu em Monte Aprazível, São Paulo. Começou narrando por emissoras do interior até chegar à extinta TV Manchete, no início dos anos 90. Em 1995 foi para o SporTV e ficou até 2004. No ano seguinte, foi para a CBN e estava desde o início de 2016 na Fox.

  • Mário Sérgio (FOX): Ex-jogador e ex-treinador, era comentarista do canal de TV Fox Sports. Tinha 66 anos. Defendeu a seleção brasileira e atuou por Flamengo, Vitória, Fluminense, Botafogo, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Grêmio, entre outros.

  • Paulo Julio Clement (FOX): O jornalista Paulo Julio Clement, 51 anos, atualmente estava no Fox Sports, havia trabalhado no Sistema Globo de Rádio como diretor de esportes. Na imprensa escrita, passou também pelos principais jornais do Rio de Janeiro, como O Globo, como repórter, e Jornal do Brasil, como editor de Esportes. Também trabalhou no Marca Brasil, como editor.

  • Guilherme Marques (TV Globo): Completou 28 anos no último dia 25 de novembro. Foi estagiário do GloboEsporte.com e passou pela TV Brasil antes de voltar à Globo em 2013 para trabalhar como repórter esportivo da TV.

  • Guilherme Van der Laars (TV Globo): Completou 43 anos no último dia 20 de novembro. Trabalhou no LANCE! e no Jornal Extra antes de se tornar produtor esportivo da TV Globo. Trabalhava na equipe do ”Esporte Espetacular”. Deixa dois filhos e a esposa grávida do terceiro.

  • Ari de Araujo Jr. (TV Globo): Nasceu em Trindade, no estado de Goiás. Começou como porteiro na TV Serra Dourada, afiliada do SBT. Virou repórter cinematográfico na TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo. Depois de passar pela Globo São Paulo, estava na Globo Rio desde 2012. Tinha 46 anos e deixa três filhos.

  • Laion Espíndola (GloboEsporte.com): Nascido em 23 de outubro de 1987, Laion era jornalista do GloboEsporte.com. Antes, trabalhou nos jornais O Sul e Correio do Povo. Também passou pelo Grupo RBS, todos em Porto Alegre. Atuava como setorista da Chapecoense há dois anos.

  • Giovane Klein Victória (RBS): Repórter da RBS TV, o jornalista tinha 28 anos. Havia trabalhado também na TV Pampa, em Porto Alegre.

  • André Podiacki (RBS): Natural de Florianópolis, André era repórter do jornal Diário Catarinense desde 2011. Tinha 26 anos e atuava como setorista da Chapecoense.

  • Bruno Mauri da Silva (RBS): Técnico de externas, estava na emissora desde 2012. Atuou ainda como operador técnico. Tinha 25 anos.

  • Djalma Araújo Neto (RBS): Aos 35 anos, era repórter cinematográfico da RBS TV. Deixa dois filhos, de 5 e 12 anos.

  • Gelson Galiotto (Rádio Super Condá): Narrador da emissora.

  • Fernando Schardong(Rádio Chapecó): Narrador da emissora.

  • Douglas Dorneles (Rádio Chapecó): Comentarista da emissora.

  • Edson Ebeliny(Rádio Super Condá): Repórter da emissora.

  • Jacir Biavatti(RIC TV e Rádio Vang FM): Era comentarista esportivo da TV há quatro meses.

  • Renan Agnolin (Rádio Oeste Capital): Aos 27 anos, Renan atuava como repórter da rádio apenas em jogos da Chapecoense. Também trabalhava para a Ric TV, afiliada da TV Record em Chapecó e ancorava o programa Jornal do Meio-Dia.

 

Obs: O trecho com o nome dos jornalistas, foi extraido de: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/11/mais-de-20-jornalistas-brasileiros-morreram-em-voo-da-chapecoense.html

 

por Carolina Ribeiro