O Maior Patrimônio da cidade de São Paulo: Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, ou para os mais íntimos, Pacaembu!

 

 

Foto: Folha de São Paulo

 

Todo Paulista tem uma segunda casa...um lugar acolhedor de histórias emocionantes e batalhas épicas. Temos uma maloca, o velho Paca, a casa de todos os clubes. Temos o Pacaembu!

É fácil de chegar, de encontrar, afinal quem nunca ouviu falar da Praça Charles Miller, no final da avenida Pacaembu?

Tamanha sua grandiosidade,  grandes personagens políticos do país e mais de 50 mil pessoas acompanharam os desfiles em sua inauguração.

Construído na década de 40, inicialmente com capacidade para 70 mil espectadores, o estádio ia muito além dos jogos de futebol. Contando com uma arena multiuso o local recebia grandes eventos, como shows internacionais, sendo o primeiro estádio a receber os Rolling stones, em 1995. Uma ação movida Associação Viva Pacaembu, vetou a realização de shows no local, indo contra a própria história do Paca.

 

Projeto do estádio. Foto: Acervo Estadão


 

“Ele é inaugurado em 1940 com essa ideia de um estádio-monumento, para receber não só o futebol, que já era muito popular no Brasil nesse período, como outros esportes e eventos cívicos, eventos de grande porte para cidade”, conta Daniela Alfonsi, diretora de Conteúdo do Museu do Futebol.

 

O estádio possuía uma Concha Acústica, derrubada anos depois para abrigar mais torcedores. A estrutura recebia concertos de música clássica e ficava atrás do gol.

 

Antiga Concha acústica. Foto: Estadão

 

Depois da demolição da concha, o famoso Tobogã foi erguido em meados dos anos 70, aumentando a capacidade do estádio em 10 mil lugares.

O Pacaembu foi batizado como Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho em 1961, quando a Prefeitura de São Paulo quis homenagear o chefe da delegação brasileira da Copa do Mundo de 1958.

 

Inauguração para o futebol

 

A bola só rolou nos gramados do Pacaembu, em 28 de abril de 1940. O torneio Taça Cidade de São Paulo foi criado especialmente para sua estréia futebolística, contando com Corinthians, Atlético-Mg, Coritiba e Palestra Itália, atual Palmeiras.

A primeira partida disputada entre os alviverdes, terminou em 6x2, numa incrível virada do verdão. Mas o primeiro gol do estádio foi de Zequinha, jogador do coxa.

 

Jogo de inauguração do estádio, goleada do Palestra. Foto: SEP Oficial

 

A final entre Corinthians e Palmeiras foi disputada no final de semana seguinte. Em seu primeiro dérbi no Pacaembu, o Palmeiras levou a melhor e ficou o título, derrotando o rival por 2x1.

O recorde de público do Pacaembu em jogos de futebol também é de um clássico: o Majestoso. No empate entre Corinthians e São Paulo por 3x3 em 1942, mais de 71 mil pessoas lotaram as arquibancadas do estádio.

Vale lembrar que o Pacaembu recebeu seis partidas da Copa de 1950 e os Jogos Pan-americanos de 1963.

 

Museu do Futebol

 

Em 29 de setembro de 2008, o Paca ganhou mais um atrativo, o Museu do Futebol!

 


(Foto: https://www.museudofutebol.org.br)

 

Aberto aos visitantes de terça a domingo, com um preço acessível, o local é praticamente sagrado, conta toda história do esporte que nasceu inglês e se naturalizou brasileiro.

Localizado embaixo das arquibancadas do estádio, o Museu conta com diversas exposições, além proporcionar experiências incríveis. É possível ouvir narrações de jogos que aconteceram  décadas atrás, escutar cantos das torcidas brasileiras e até mesmo bater um pênalti e descobrir a velocidade do seu chute.

 

Copa São Paulo de Futebol Júnior

 

Foto: FPF

 

Disputada desde 1969, a Copinha é a maior competição de futebol junior do país, incluindo times dos quatro cantos do Brasil.  Sua final é realizada todos os anos no dia 25 de janeiro no Pacaembu, em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo.

Em sua primeira edição apenas os quatro grandes clubes paulistas participaram, sendo expandida nacionalmente a partir de 1971. Este ano 128 equipes divididas em 32 sedes, disputarão o título e muitos meninos sonham em despontar para o futebol.

A Federação Paulista passou a cuidar do torneio em 1987, quando a prefeitura da cidade chefiada por Jânio Quadros, não quis mais custear os gastos.

O primeiro campeão é também o maior vencedor com 10 tentos: o Corinthians. O  atual campeão Corinthians também é o clube que mais disputou finais, sendo ao todo 18. O segundo clube com mais títulos é o Fluminense, com 5 triunfos.

O São Paulo e o Santos, possuem 3 troféus cada. Ainda temos Ponte Preta, Nacional-SP e Portuguesa com dois títulos cada. Fecham a lista de campeões no estado de São Paulo, Guarani, Juventus, América-SP, Paulista, Roma Barueri, Marília e Santo André, com um título cada.

A copinha é conhecida por ser uma grande vitrine, revelando grandes atletas como  Raí, Djalminha, Denner, Falcão, Deco, Rogério Ceni, Edu, Vagner Love, e mais recentemente os jovens Guilherme Arana, Lucas, Gabriel Jesus e Neymar.

 

Em forma de agradecimento ao Pacaembu, cinco colunistas Paulistas relembraram momentos marcantes no estádio!

 

Saudosa Maloca, Maloca querida!

por Mariana Alves, colunista alvinegra de Parque São Jorge


 

Nós, alvinegros de Parque São Jorge, maloqueiros e sofredores, vivemos um eterno caso de amor e gratidão, as arquibancadas de cimento do velho Paca. Somos saudosistas, lembramos com orgulho cada minuto que ali passamos e não há um corinthiano, que não sonhe com o dia em que a fria Arena Corinthians, viverá um dia de Mar Negro do caldeirão fervoroso que era o Pacaembu.

Falar do Paca é sentimento a flor da pele, é a mais pura emoção. Conquistamos muitos títulos no estádio, mas sem dúvida nenhuma a partida mais marcante dessas quatro linhas para nós, foi o confronto com o Vasco pela Libertadores de 2012.

O Corinthians não avançava em mata-mata na Libertadores desde 2000 e carregava o peso de nunca ter conquistado a América. A primeira partida das quartas de final havia sido disputada em São Januário sob forte chuva. As duas equipes apostaram na marcação e não saíram do 0x0.

Com mais de 36 mil presentes e as arquibancadas coloridas de preto e branco, o Corinthians viveu uma das noites mais dramáticas de sua história.

Em um jogo pegado, que terminou em 0x0 no primeiro tempo, Tite acabou expulso logo no início da etapa complementar, após reclamar de uma falta não marcada em cima de Paulinho. Ao invés de ir para as tribunas de honra do Pacaembu, Tite foi parar nos braços da Fiel, foi para a arquibancada. É impossível esquecer esta cena!

Muitas emoções ainda estavam por vir...

Aos 17 minutos, o estádio que pulsava se calou. O 0x0 mantinha o placar estático, até que um erro, trouxe angústia para os corações alvinegros…

Alessandro não conseguiu dominar quando a bola sobrou depois de um soco de Prass, que afastou o perigo da meta vascaína. Diego Souza livre, partia cara cara com Cássio!

Cássio se manteve firme, estático esperando a definição de Diego. A sensação do coração gelar, tomava o meu corpo...Lembro-me de toda a agonia, aqueles instantes que pareceram uma eternidade, toda nossa trajetória passando em um segundo, 7 longos segundos até a defesa do gigante Cássio. Ufaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!




 

Defesa de cássio garantiu o Timão vivo na Libertadores de 2012.

Foto: Reprodução

 

Como disse o narrador Cléber Machado, naquele momento a torcida comemorava a defesa de Cássio como um gol e Cássio se eternizava como herói! Uma defesa na pontinha do dedo e o sonho ficava ainda mais vivo.

O jogo parecia se encaminhar para os pênaltis, até que em cobrança de escanteio aos 42 minutos, Paulinho subiu mais alto que a zaga vascaína, decretando nossa vitória e selando nosso passaporte para a semifinal. Tite nos braços da Fiel ia a loucura!

Depois dessa epica partida, encaramos o Santos e disputamos a finalissima com o Boca. A final foi na Maloca, foi no melhor lugar do mundo, no inesquecível 4 de julho de 2012…

Nossa emancipação, o grito que por anos ficou preso na garganta, ecoava em nossa morada! A América era preto e branca, era Corinthiana!

Impossível não lembrar agora da frase de Adoniran: “Donde nóis passemos dias feliz de nossa vida”...

 

Porcoembu

Por Mayara Camacho, colunista alviverde

 

Porcoembu, a forma como todo bom Palmeirense se refere ao nosso querido Pacaembu. Pacaembu que nos adotou quando reformamos o velho Palestra, lugar onde conquistamos a volta para a elite do Campeonato Brasileiro em 2013, momento bastante delicado pra cada torcedor.

Porcoembu também palco de muitas conquistas Alviverdes, o time foi o que mais conquistou títulos no estádio, foram 13 no total. E como esquecer do clássico no campeonato Paulista de 2016, onde Fernando Prass defendeu um pênalti e logo em seguida nosso  pequeno grande Dudu fez um golaço de tirar o chapéu?

Era um Derby pegado, digno de um Palmeiras e Corinthians. O 0x0 foi mantido no placar na primeira etapa, até que aos 27 minutos do segundo tempo Thiago Martins derrubou Giovanni Augusto dentro da área e o juiz assinalou penalti. Lucca partiu pra cobrança e Prass se esticou para defender no canto direito.

Poucos segundos depois veio o êxtase e com a marca irreverente de Dudu. O atacante de cabeça abriu o marcador e correu para pegar o boné de um dos jornalistas presentes.

 

Foto:R7

 

“É comemoração, né? A torcida sabe por quê”, disse Dudu, em entrevista à rádio CBN.



 

O Pacaembu também é lar Pontepretano

Por Li Zancheta, colunista da Ponte Preta

 

Em uma final histórica para o time Campineiro, o Pacaembu foi palco da primeira partida final da Copa Sul-Americana em 2013.

Enfrentando a equipe Argentina do Lanús, o estádio foi tomado pela torcida alvinegra. Em uma quarta-feira a noite, no dia 04 de dezembro. Sendo o azarão da competição, depois de eliminar alguns favoritos como Vellez e São Paulo, a Ponte Preta chegava pela primeira vez a final de uma competição internacional.

 

Foto: Espn

 

Carinhosamente, tomado por quase 30 mil macacos que chegavam em caravanas, ônibus, carros, vans, o estádio foi apelidado pela torcida como Macacaembu.

O jogo foi eletrizante e a equipe Argentina saiu na frente do placar, mas a macaca logo empatou a partida em uma bela cobrança de falta, batida por Felipe Bastos.

A macaca acabou perdendo o jogo de volta e sendo vice da competição, mas esse jogo com certeza ficará marcado na história da sua torcida e do nosso “Macacaembu”.


 

Nossa segunda casa, o “palco do Tri”

Por Carolina Ribeiro, alvinegra praiana

 

Há anos o Pacaembu vem sendo a segunda casa alvinegra, o motivo disso é o grande número de torcedores que o Peixe possui na capital, muito maior que os de torcedores do nosso local de origem, Santos. Com isso, para fazer um agrado aos torcedores, o Paca vem sendo muito utilizado com o passar dos anos em jogos do Peixe, tornando-se a extensão do nosso “Alçapão”.

O Pacaembu traz histórias memoráveis do Alvinegro Praiano dentro e fora de seus gramados e se você questionar qualquer torcedor santista sobre uma partida inesquecível de toda a história do clube no local, a provável resposta será “Santos 5x2 Fluminense, 1995”, “Final do Brasileirão de 95” aquele que dói na alma, ou então de uma lembrança mais recente e gloriosa: a conquista do Tri da América.

Onde você estava naquele 22 de junho de 2011? A América se tornava alvinegra pela terceira vez. Os meninos da Vila que encantaram o Brasil alçaram vôos ainda maiores. O adversário era o mesmo de 48 anos antes, o Peñarol, que nos concedeu nosso Bi campeonato.

O roteiro era quase o mesmo, mudaram-se os personagens.


 

Foto: clubedosfanaticos.wordpress.com

 

Pacaembu lotado, santistas emocionados, uma noite memorável. Quantos sentimentos e pensamentos cabem dentro de 90 minutos? Infinitos? Com lágrimas nos olhos, nossa geração conseguiu presenciar o que talvez apenas nossos avós haviam presenciado. O Pacaembu foi palco de uma das nossas maiores conquistas.

Com gols de Neymar, Danilo e Durval contra, nós fomos Tri. E um dos jogos mais emocionantes – pelo menos para nós – que o estádio já recebeu. Qual outro time teve a honra de ver Pelé entrar no gramado para comemorar junto a conquista de um título?

O “Paca” foi palco de muitos milagres e presenciou a ascensão de muitos Meninos da Vila. Foi lá que Giovanni virou “Messias”, que Neymar fez história, que o Santos de 2010 ficou marcado no Brasil e no Mundo... “O meu, o seu, o nosso Pacaembu” sempre terá um espaço mais que especial no coração alvinegro praiano.

 

Quando a moeda caiu em pé

por Jessica Nogueira, colunista Tricolor

 

O Pacaembu se tornou Paulo Machado de Carvalho em 1961, em homenagem ao chefe da delegação Brasileira campeã da Copa Do Mundo de 1958. Esse “Paulo” foi justamente presidente do São Paulo Futebol Clube entre 1946 e 1947.

Mas a relação de amor entre o clube do Morumbi e o Paca vêm muito antes disso, afinal o Tricolor só conseguiu um estádio próprio em 1960, então nos anos anteriores nossas conquistas foram festejadas no estádio Municipal. Ao todo foram seis títulos paulistas, nos anos de  1943, 1945, 1946, 1948, 1949 e 1957.

O Título de 1943 talvez seja um dos mais emblemáticos para o torcedor tricolor, porque guarda uma história mitológica. Aspirante ainda no futebol o São Paulo nem de longe era favorito naquele campeonato, reza lenda que na reunião do conselho onde se definiria o regulamento da competição, um dos repórteres ou diretores presente teria dito: “Para saber o campeão basta jogar uma moeda ao ar, se der cara o titulo é do Corinthians, coroa e o Palmeiras será o campeão”, questionado sobre o SPFC o mesmo teria dito “Só se a moeda cair em pé”.

E então em 03 de outubro de 1943, um empate sem gols tornou o São Paulo Futebol Clube pela primeira vez campeão Paulista.

 


Foto: Arquivo Histórico do São Paulo futebol Clube  

 

Até hoje a história emociona, pois o Clube da Fé, provou naquela ocasião que ser gigante não tem a ver com o tempo, ser gigante tem a ver com honra, em 1943 a moeda caiu em pé!