O MAJESTOSO É NOSSA CASA!

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(Foto: Brasil Soccer Wiki)

O Majestoso, apelido dado à casa do torcedor pontepretano, que na época de sua inauguração, era o terceiro maior estádio do Brasil — perdendo apenas para o Pacaembu e São Januário — não foi um estádio construído por grandes empreiteiras, multinacionais ou verbas públicas.

O responsável por erguer o sonho preto e branco foi Moysés Lucarelli, um dirigente cheio de amor pelo clube, que conseguiu mobilizar uma cidade inteira para que o sonho se tornasse realidade.

Moysés Lucarelli na construção do estádio wikipédia

Moysés Lucarelli na construção do estádio

(Foto: Pró-Memória de Campinas)

 

Moysés Lucarelli (grafia correta de seu nome) nasceu em Limeira no ano de 1898 e mudou-se para Campinas no ano de fundação da Ponte Preta, 1900. Ele tornou-se um alvinegro apaixonado e aos 17 anos já iniciava sua história no clube. Na década de 40 assumiu como membro da Diretoria.

Quanto à grafia errada de seu nome, não há nenhuma explicação consistente para a troca do “y” pelo “i”, mas, reza a lenda que, Moysés só aceitou ter seu nome no estádio como homenagem devido a esse erro.

Nessa mesma década, a Macaca já vivenciava o dia a dia de um clube de futebol conhecido pelo Estado de São Paulo. Sem seu próprio estádio, jogava em campos emprestados, como a Mogiana e o Estádio Júlio de Mesquita, por isso, passou a ser chamada de “time de 11 camisas”.

Foi então que, em 1943, Moysés Lucarelli, que era o atual responsável pelo futebol da Ponte Preta, cansou-se das gozações dos adversários e vislumbrou o “Majestoso”.

Era preciso buscar um terreno onde pudesse ser construído um estádio do zero, os recursos eram poucos e nada disso fez com que Moysés desistisse. Enfim, com o apoio e doação dos torcedores levou o sonho à diante.

Em Fevereiro de 1947, a terraplanagem do terreno foi concluída e a demonstração de amor pelo clube gerava doações todos os dias.

Torcedores trabalhando na construção do estádio

Torcedores trabalhando na construção do estádio

(Foto: Pró-Memória de Campinas)

 

Para erguer o estádio foram necessários 250 mil tijolos. Uma caravana foi organizada por Moysés Lucarelli para arrecadar a maior quantidade possível. Além dos tijolos, os torcedores ajudaram na arrecadação de materiais para a obra: areia, cimento, ferro e cal. Quem não podia ajudar com dinheiro ou material, ajudava com o próprio suor.

Era preciso apenas amor ao clube e força de vontade para participar. E a torcida não decepcionou, nunca; Os pontepretanos não mediam esforços para que nascesse o tão sonhado estádio e Moysés Lucarelli estava lá, todos os dias, à frente da obra.    

“Eu larguei tudo, meus negócios, tudo para fazer o estádio. Fiquei até cego naquela obra. Eu fiquei que era só Ponte Preta, fechei minhas lojas, fechei minha fábrica. Dava 7 horas da manhã eu já estava na obra. Eu perguntava aos fornecedores quanto eles precisavam e assinava as duplicatas. Tudo era em meu nome. Quando eu viajava para Santos, até o guarda rodoviário me parava e dizia ‘não corre tanto, seu Moysés, o senhor tem que acabar o estádio. Não vou nem te multar, por que sei que esse dinheiro fará falta na obra’”.

Após cinco anos de espera, mesmo com alguns detalhes faltando para estar pronto, a primeira partida oficial foi realizada. Era 12 de Setembro de 1948 — uma derrota por 3 a 0 para o XV de Piracicaba.   

Em 1949, a cobertura das arquibancadas ficou pronta; apenas em 1957 foram feitas as torres ao lado do portão principal e a fachada do estádio. O sonho foi realizado por completo quando em 1960, os holofotes, salão nobre e alojamentos foram inaugurados.

Nada mais justo do que homenagear o seu idealizador, dando ao estádio seu nome. Para selar a maior homenagem que a instituição Ponte Preta poderia realizar ao Seu Moysés, em 11 de Agosto, um busto com seu rosto foi erguido na frente do portão principal — onde permanece até hoje.

Ainda nessa época, os torcedores que não tinham condições de comprar ingressos assistiam às partidas da Ponte Preta da linha do trem, no gol dos fundos ao portão principal. De lá também saíram as místicas do Majestoso, como a influência dos trens de carga sob o resultado dos jogos: quando o trem passa em direção a Jundiaí, as chances de vitória da Ponte aumentam, mas, se ele for na direção contrária, o time perde ou empata.

Acredita-se também que toda energia dos mutirões para a construção permaneceu dentro do estádio, formando um túmulo sagrado que dá forças ao time.

Com o tempo, Moysés Lucarelli afastou-se do clube, justificando a grande quantidade de brigas internas. Porém, nunca deixou de acompanhar o crescimento de seu time de coração, mesmo com a saúde debilitada.

Durante as obras, em decorrência da grande exposição ao sol, Moysés, que permanecia por mais de 10 horas na construção, adquiriu úlcera nas córneas. Isso tirou dele cerca de 40% da capacidade de visão.

Esse guerreiro, que deixou aos pontepretanos o seu maior bem e o nosso maior orgulho —o Estádio Moisés Lucarelli —, faleceu aos 80 anos, em 1978.

“O Majestoso é nossa casa, construímos com nossas mãos”.

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(Foto: Retirada da internet)

 

Por Anna Leticia Beck

Na derrota ou na vitória, és amada Ponte Preta.