O melhor jogador do Brasileirão por 3 campeonatos. Ele, Roberto Falcão...

Quão valioso é idolatrar e ser grato por um ídolo que não vimos jogar, mas passamos a vida ouvindo da geração da velha guarda o show e futebol bonito que fizeram? Para mim, graças ao meu pai e meu avô, hoje posso não somente homenagear mas também demonstrar minha gratidão e admiração ao também chamado Rei de Roma, Paulo Roberto Falcão.

 

Em Santa Catarina, nascia um volante como nenhum outro: um líder colorado!

 

Falcão nasceu em Santa Catarina no dia 16 de outubro de 1953, porém não viveu muitos anos em sua terra natal. Aos dois anos de idade, o ídolo se mudou para Canoas, região metropolitana de Porto Alegre/RS.

Com o passar dos anos, o jovem começou a demonstrar sua paixão pelo futebol e logo estava treinando no time infantil do Inter, em 1968. Os destaques daquele jovem garoto começaram em passes precisos e marcação exemplar, mostrando talento acima da média. Por chutar extremamente bem e ter uma habilidade rara para volante, em 1973 passou a fazer parte do time profissional do Internacional, que se encaminhava para um pentacampeonato gaúcho.

No Inter, Falcão crescia a cada dia, sendo impecável na proteção à zaga e no apoio ao ataque, se transformando até em meia pela direita em muitas partidas.

 
 

Foto: historiadofutebol.com.br

 
 

Após mais uma conquista de campeonato gaúcho, a equipe do Internacional passou a se preocupar com o Campeonato Brasileiro, em 1975. Sendo o time com a melhor campanha, o Internacional decidiu em casa, o Brasileiro contra o Cruzeiro. Era o primeiro campeonato nacional e acima de tudo, o Inter se tornava o primeiro clube gaúcho campeão brasileiro, para nervosismo e uma pontinha de inveja dos gremistas.

O ídolo Falcão jogava avançado e rapidamente destacou-se pela grande quantidade de gols que marcava, comandando a equipe colorada na campanha em que o clube gaúcho conquistou o campeonato brasileiro de 1975, como citado anteriormente, 1976 e 1979, além de ter ganho cinco estaduais (1973, 1974, 1975, 1976 e 1978). Jogador de técnica brilhante e de estilo clássico e elegante, é considerado até hoje um dos maiores ídolos da história do clube.

Foto: imortaisdofutebol.com

 
 
 

A cada ano que se passava, Falcão via seu futebol crescer mais e mais, sua técnica ficar mais apurada e seu status de ídolo da massa colorada aumentar. Foi aí que em 1976 ele estreou na Seleção Brasileira, no dia 21 de fevereiro. Em um ano onde toda técnica e fama conspiravam a favor dele, principalmente após ganhar a bola de ouro, dada ao melhor jogador do Brasileirão daquele ano, era quase certo que seria convocado para jogar na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, principalmente por fazer parte constantemente das convocações. Porém, desavenças com o técnico Claudio Coutinho tiraram Falcão do Mundial.

Em 1979, o craque liderou a equipe em uma campanha memorável e histórica no Campeonato Brasileiro. Aqueles jogadores colorados jamais imaginaram que não perderiam uma partida sequer e conquistariam o título de maneira invicta, com 16 vitórias e sete empates em 23 jogos. Foi a primeira e até hoje única vez que um clube conquistou um Brasileirão de forma invicta.

Naquela temporada, Falcão permaneceu o habitual jogador que marcava golaços, dava passes precisos e tinha as melhores assistências e novamente conquista a Bola de Ouro e a Bola de Prata da Placar mais uma vez. A torcida colorada presenciava o maior craque da equipe em seu auge, inclusive sendo citado por Luís Fernando Veríssimo, escritor e torcedor colorado:

“Dizem que um jogador sozinho não ganha um campeonato. Mas o Falcão de 79 seria vice com certeza”

 

Foto: internacional.com.br

 
 

Falcão sai de Porto Alegre para virar Rei de Roma e chega a tão almejada  Seleção!

 
 

Em 1980, o Internacional chegava pela primeira vez na história a final de uma Libertadores, mas os uruguaios do Nacional levaram a conquista. Além de não ganhar o título da América, o Internacional tinha outra tristeza. Essa seria a última vez que Falcão vestiria a camisa vermelha.

O ídolo aceitou uma transferência milionária para a Roma, da Itália, que começava a montar o melhor time de sua história. No Beira Rio, pela copa libertadores e antes de partir, toda vez que o ídolo colorado pegava na bola a torcida o vaiava incessantemente, em um protesto que misturava inveja e dor, ao ver a despedida do ídolo. Mesmo assim, o ídolo arrancou aplausos e suspiros com jogadas de efeito, embora estivesse sendo o craque que partia e massacrava o coração da torcida colorada que o amava.

Falcão desembarcou em Roma muito confiante e certo de que a sua ida, iria ajudá-lo a ser um dos maiores nomes do futebol mundial. Embora o retrospecto da equipe italiana não fosse muito bom, Falcão com seu exímio talento e com ajuda da nova equipe conquistou em 1981 a Copa da Itália, derrotando o Torino nos pênaltis.

 
 
 

Foto: trivela.uol.com.br

 
 

De volta a tão sonhada Copa do Mundo, finalmente em 1982-1983 Falcão disputou sua primeira Copa ao lado de um time considerado como a “geração de ouro”.

Durante um jogo pegado contra a Itália, que disputava a semifinal com os brasileiros, tudo deu errado. Os italianos abriram o placar, Brasil empatou, teve também golaço do ídolo Falcão, considerado um dos lances mais emblemáticos das Copas. Mas aos 30 minutos do segundo tempo, a Itália fecha a conta 3 a 2. As notícias da época eram todas parecidas, ninguém sabia o que dizer ou pensar a respeito.

 

“Ninguém entendia o que tinha acabado de acontecer: o Brasil encantador, eficiente, rápido, fatal e artístico, estava fora da Copa do Mundo. A Itália, burocrática, sem brilho, estava na semifinal”. revista Veja.

 

Era o fim da geração de ouro do Brasil e assim como o resto do país os jogadores não sabiam o que fazer ou dizer. Foi um verdadeiro drama para Falcão, que disputaria somente mais uma Copa, em 1986, longe da melhor forma e na reserva.

 

Foto: veja.abril.com.br

 

Pós Copa do Mundo, na temporada 1982-1983, o time da Roma partiu com tudo em busca do Scudetto. O time foi derrotando os rivais e perdendo apenas três partidas, conquistando assim o tão sonhado título na penúltima rodada. Roma estava em festa afinal depois de 41 anos, os italianos podiam vibrar com o título e a Roma poderia disputar uma Liga dos Campeões da UEFA. Naquele ano, Falcão ganhou o apelido que marcaria para sempre sua carreira: Rei de Roma.

 

Foto: historiadofutebol.com.br

 

Com o título nacional de 1983, a Roma ganhou o direito de fazer sua estreia na Liga dos Campeões da UEFA e o time estava pronto para lutar pela final. Na semifinal a equipe levou um grande susto e quase colocou tudo a perder quando foi derrotada na Escócia por 2 a 0 pelo Dundee United. Mas na volta, a Roma fez 3 a 0. A equipe italiana chegava pela primeira vez na final da Liga dos Campeões. Era a chance de vencer o cobiçado troféu e o melhor de tudo, em casa. Porém, no final das contas, saíram com uma derrota amarga e foi um dos capítulos mais tristes da história do clube.

 

Hora de voltar ao Brasil…

 

A derrota na Liga dos Campeões doeu em todos na Roma e não poderia ter sido diferente com Falcão. Embora antes de deixar a cidade italiana, o craque ainda tenha dado mais uma alegria à torcida, com o título da Copa da Itália de 1984. Mas aquele ano foi o último de conquistas do craque jogando pela Roma.

Em 1985, ele retornou ao Brasil, com tudo já acertado para jogar no São Paulo, onde ganharia o Campeonato Paulista daquele ano. Mas Falcão estava perto do adeus, que viria logo após a Copa de 1986, na eliminação diante da França, nas quartas de final.

 

Foto: revistaplacar.uol.com.br

 

Após deixar as chuteiras de lado em 1986, Falcão continuou no mundo do futebol como comentarista esportivo e técnico, inclusive da Seleção Brasileira. Como comentarista, não há o que se possa reclamar ou acusar no ídolo, porém como técnico as críticas foram grandes, inclusive na equipe que o craque começou sua carreira, o Internacional. Porém nenhuma atuação foi ou é capaz de diminuir o agradecimento devido a sua contribuição ao futebol em campo, sua elegância, sua arte, sua imponência. Falcão foi ídolo máximo no Beira Rio, rei em Roma, craque na seleção e imortal no futebol mundial.

Ele foi o maior jogador da história do Internacional, um craque Gigante mesmo. Sua garra e excelência conquistaram a todos e colocaram-no no mais alto ranking de ídolos da bola.

 

Foto: clubedetorcedores.com

 

Luana Tirado.