O melhor primeiro tempo do ano. Um segundo tempo onde a primeira jogada só aconteceu aos trinta e seis minutos. E um time que continua oscilando. O Palmeiras vira um grande enigma.

(Imagem: Esporte UOL)

A torcida alviverde já experimentou muita ansiedade e tensão ao acompanhar o seu time ao longo da história, mas com certeza, o jogo de ontem, encabeça a seleta lista dos mais emocionantes.

Quando o Palmeiras entrou em campo, para fazer o seu segundo jogo pela Libertadores da América, contra os argentinos do Rosário Central, nenhum torcedor tinha a menor ideia do que seria aquela noite.

Vivendo um clima de extrema pressão e cobrança, em virtude do desempenho para lá de questionável no campeonato paulista, e com a ameaça, inclusive de perder o seu comandante, o Verdão precisava ganhar ou ganhar.

E o que se viu na primeira etapa, agradou e muito ao torcedor, que esperava uma reação com a cara do time que ele conhece muito bem. O Palmeiras entrou com uma postura ofensiva e comandou todas as ações do jogo. O adversário não conseguia sequer chegar ao meio de campo e errava muitos passes, evidenciando a sua inferioridade.

Aos sete minutos, Dudu já ameaçou o gol, chutando uma boa bola cruzada por Cristaldo. Depois de tirar tinta da trave, ela saiu pela linha de fundo. Em seguida, Zé Roberto cruza para Robinho, que fica na cara do gol argentino, a bola sobe, cobrindo o travessão.

Thiago Santos, que fez uma partida magistral, também chegou muito perto aos vinte e um minutos, chutando uma sobra de bola, que parou nas mãos do goleiro Sosa.

Nem mesmo a chuva, que a essas alturas, apertava e complicava a movimentação dos jogadores em campo, conseguiu parar o Verdão, que era todo ataque. Com movimentação do meio de campo, o time conseguia criar jogadas inteligentes. E foi num desses lances criativos, que aos vinte e quatro minutos, o tão esperado gol saiu, fazendo o Allianz Parque explodir.

Dudu lançou Jesus, que ao tentar penetração na área, foi desarmado, mas a bola sobrou para o oportunista Cristaldo, que já estava no lance. Ele sai da marcação de Salazar e depois de Burgos, chutando sem piedade e fazendo um belíssimo gol. O Palmeiras abre o placar.

O Verdão ainda desperdiçou boas chances de ampliar e foi prejudicado pela arbitragem, que marcou um impedimento inexistente do menino Jesus.

O Rosário chegou com perigo apenas aos trinta e um minutos. O jogador adversário ficou cara a cara com Prass, mas Robinho, fazendo uma defesa espetacular, afasta qualquer possibilidade.

No final da primeira etapa, o time de Marcelo Oliveira ainda teve uma boa chance de bola parada, Robinho bateu e Thiago Santos tentou de cabeça. A bola saiu à direita do gol.

Qualquer torcedor, ou mesmo alguém que não entende muito de futebol, depois de assistir esse show de bola, pensaria: o Palmeiras vai golear o pobre time argentino. Certo? Errado.

Contrariando o primeiro tempo e qualquer previsão, o Palmeiras era outro time em campo para a segunda etapa. Totalmente acuado pelo adversário, que parecia ter tomado algum tipo de elixir no vestiário, o elenco estava perdido e não conseguia passar do meio do campo. Meio de campo? Qual o quê! Isso é um eufemismo da cronista que até agora, ainda não conseguiu entender o que aconteceu. Na verdade, o time não conseguiu sair da sua área.

Aos quatorzes minutos, o momento mais desesperador da partida. O jogador Cervi fez boa jogada e é atingido por Robinho. O juiz marca pênalti.

Mas a estrela iluminada do gigante Prass brilhou ofuscante! Ele defende primorosamente o chute batido à direita de seu gol. Parecia final de campeonato. O arqueiro e os companheiros comemoraram muito a defesa que com certeza, valeu por muitos gols.

Apesar do grande momento, o Palmeiras não conseguiu crescer. Recuou ainda mais, chamando o adversário para o jogo. O Rosário, que rapidamente, percebeu essa postura, aceitou o convite de gostar do jogo e chegava cada vez com mais perigo. Deitando e rolando na área palmeirense, o adversário criou muitas jogadas na tentativa de chegar ao gol de empate.

A cena era impressionante. O gol alviverde estava trancado a onze chaves! Nenhum jogador ousava subir. Mas nem se quisesse. Todas as bolas sobraram nos pés dos jogadores de amarelo, que pareciam ter se multiplicado em campo.

E foi assim que o jogo transcorreu até a impressionante marca dos trinta e seis minutos, quando Rafa Marques, que havia entrado no lugar de Cristaldo, tenta um chute a gol, após bom rebote de Prass. Chute fraco. A bola ficou muito fácil para a defesa de Sosa.

Os valentes hermanos não deixaram o Palmeiras piscar, todas as bolas eram bem aproveitadas e exigiram muito de Prass, que fez defesas cirúrgicas.

Quando tudo que se via, era um placar mais ou menos desenhado e a grande ameaça de um empate nos últimos minutos, uma boa surpresa aconteceu. Porque é de surpresas que o nosso tão adorado futebol é feito. Felizmente, uma boa surpresa para o time de verde e branco.

Dudu, aberto pela esquerda, recebe boa bola de Rafa Marques, ele vê Allione bem posicionado e faz um passe perfeito. O atacante dribla o zagueiro argentino e marca o segundo nos acréscimos, para que o torcedor pudesse respirar novamente.

Dois a zero e um misto de sensações invadem a Arena Palmeiras. O coração do torcedor, acostumado a ser testado, sofreu um dos maiores sufocos de sua história. E ficou dividido, por um lado, cheio de alegria, não poupou a comemoração, afinal a vitória exigida veio e o Palmeiras se consagrou como líder de seu grupo, mas por outro lado, o desempenho do segundo tempo, mantém os sentimentos de incerteza sobre o futuro do time.

A oscilação mostrada ontem faz o Palmeiras virar um grande enigma a ser decifrado. Para o torcedor que gosta de charadas, um prato cheio, mas para aquele que não é fã de surpresas, um verdadeiro pesadelo.

O que resta a ambos é esperar pelas cenas dos próximos capítulos e torcer para que o roteiro desse filme seja de romance, daqueles bem açucarados, onde tudo acaba bem e não de drama ou daqueles suspenses, com cara de filme de terror. 

Alê Moitas