O MENINO DE OURO: ALEX!

 


Foto: Futebol na veia

“Tudo o que tenho devo ao futebol. Tudo o que sou devo ao futebol. O futebol foi mais do que esporte ou ganha-pão. Foi a minha vida. Graças a ele pude conquistar o que dificilmente conseguiria. Nasci em família humilde, cresci numa comunidade, só a minha família sabe das dificuldades por que passamos. O futebol nos salvou.

Fiz amigos, conheci o mundo,atuei em estádios maravilhosos e outros precários toda vida. Senti na pele o ônus e o bônus de ser profissional da bola. Vi o lado A e o lado B do esporte e cheguei a aprender, na marra, defender os meus direitos de cidadão, indo até à Justiça pra clamar por justiça.

Passei instantes de sufoco, tensão, desespero, pavor, revolta, mas também vivi momentos de sonho e incontáveis alegrias. Sorri muito, vibrei muito, me emocionei, saí de mim, pisei nas nuvens. Dei sangue, suor e lágrimas e não tenho uma vírgula do que me arrepender.

Realizei o sonho de toda criança, que é jogar futebol em alto nível, vestir a camisa do time do meu coração, depois fechar com grandes clubes nacionais, ser ovacionado por várias torcidas, defender a seleção brasileira e, por fim, me tornar ídolo na Europa. Sou um sujeito realizado.” Alex

 

Inicio: entre as quadras e os gramados

 

Alexsandro de Souza, nasceu em Curitiba no dia 14 de Setembro de 1977, e cresceu na região metropolitana, em Colombo. Tendo como exemplos o pai, o tio e até mesmo sua mãe, não demorou muito para que Alex, começasse a ser um amante do futebol.

Com 9 anos, surgiu um teste no Coritiba. Alex, literalmente "brincou" no campo. Quando estava indo embora, encontrou Miro, coordenador da peneira que o convidou para jogar futebol de salão pela AABB. Com a autorização dos pais, Alex começou sua carreira futebolística no salão, onde demonstrou uma qualidade acima da média e logo chamou a atenção dos clubes. Voltou ao Coritiba em 1995, e foi lançado como jogador profissional.

“Quando eu era criança, praticamente só jogava futebol, ou com minha família ou com meus amigos do bairro” disse.

Para ser um ídolo, Alex fez história não somente no Coxa, mas também, em outros clubes. Um ídolo que tenho a honra de homenagear e poder mostrar toda sua carreira!

 

Primeiros passos e prêmios pelo Coritiba

 

(Fonte:Coritiba)

Alex tinha um sonho como qualquer menino: ser jogador de futebol. Na época, dividia seu tempo entre os gramados e o futsal, aprimorando sua técnica com a bola parada. Levou o drible curto e o bom domínio de bola que já eram típicos no futsal,  para os gramados.

Ficou no clube até 1997. Neste meio tempo, Alex ganhou prêmios como :

  • Revelação e melhor jogador jovem do Campeonato Paranaense (1995);

  • Melhor jogador e, jogador com mais assistências do Campeonato Paranaense (1996);

  • Melhor meia do Campeonato Paranaense (1997).

Bastaram apenas dois anos para Alex ser visto e reconhecido pelos “grandes” times do futebol brasileiro. Ao todo disputou 124 partidas e marcou 28 gols com a camisa do Coxa, despertando o interesse do Palmeiras, para onde foi em 1997.

 

Passagens pelo Palmeiras, com direito ao gol de placa!

 

(Fonte: Espn)

 

No Palmeiras obteve grande destaque, pela sua categoria e profissionalismo. Jogou ao lado de Arce, César Sampaio, Evair, Paulo Nunes, Roque Júnior, Cléber e do goleiro Marcos.  Com tantos craques ao seu lado, o menino da base tornou-se campeão, e pelo Palmeiras começou sua saga de títulos.  

Foram 141 jogos com a camisa Palmeirense, 78 gols e atuações memoráveis, como as duas vezes que o Palmeiras eliminou o Corinthians na Libertadores (1999 e 2000), e também, quando o eliminou o River Plate em 1999, anotando dois gols de placa. Ganhou a Copa Mercosul, a Copa do Brasil, a Libertadores da América e o Torneio Rio-São Paulo, pelo clube.

Chegou a vestir a camisa do Flamengo, mas logo deixou o clube para disputar a Libertadores de 2001 pelo Palmeiras. Após a eliminação do time , para o Boca Juniors na semi final, Alex se transferiu para o Cruzeiro. Ao fim do Brasileiro com a equipe Celeste, Alex foi dispensado pelo treinador Marco Aurélio, por telefone.

Em 2002, voltou ao time Paulista, e disputou novamente o torneiro Rio-São Paulo. Em um jogaço contra o SPFC, que terminou 4x2, Alex anotou 2 e em um dos seus gols, aplicou dois chapéus nos defensores do São Paulo, um deles no goleiro Rogério Ceni. O locutor José Silvério definiu esse gol como : “de placa”.

Após excelentes atuações pelo time do Palmeiras, Alex foi vendido para o Parma da Itália por U$1,5 milhões, mas não teve oportunidades no time Italiano. Foram apenas 5 jogos e 3 gols e o meia escolheu retornar ao Cruzeiro.

 

A volta por cima no Cruzeiro

Depois de sua primeira passagem e da decepção com a equipe Celeste, Alex retornou ao clube para fazer história, graças ao técnico Wanderley Luxemburgo, que insistiu para a diretoria, que o Cruzeiro necessitava de um jogador como Alex no elenco.

Foi bicampeão Mineiro, conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Neste período Alex marcou gols antológicos, um deles, contra seu ex-clube, o Flamengo. Um verdadeiro gol de letra na final da Copa do Brasil no Maracanã!

 

(Fonte: Super Esportes)

Contra o São Caetano, no inicio do Campeonato Brasileiro, Alex recebeu na entrada da área, dominou no peito e encobriu o goleiro (ganhou inclusive uma placa pelo feito)

“Duvido que haja, em todo o Brasil – suponho que em todo o mundo – alguém jogando o futebol portentoso que anda jogando o Alex. Ele tem, hoje, domínio completo do que vai pelo campo. A percepção do jogo é esférica, total. O discernimento é fulminante. Num relance, Alex pressente, delibera e executa” disse Alberto Rodrigues em sua cabine de rádio sobre este gol de Alex.

Com a conquista do Nacional, Alex se tornou ídolo da torcida Cruzeirense, ficando conhecido como "TALENTO AZUL". Em uma entrevista Alex disse: "quando o time entrava em campo já sabiam que iam ganhar devido ao empenho dos jogadores. Não era salto alto, era simplesmente confiança no trabalho realizado por todos".

Foi a melhor campanha do Cruzeiro na época. Alex sobrava em campo, porém não pode jogar a decisão contra o Paysandu por ter tomado o terceiro cartão amarelo, mas ele estava lá. Aos 40 minutos do segundo tempo, Alex desceu com uma bandeira amarrada no pescoço, e iniciou a volta olímpica, fazendo o Mineirão explodir de alegria!

Saiu do time em 2004, após o título do Campeonato Mineiro. Foram 121 partidas e 64 gols. Alex agora traçava seu rumo ao Fenerbahçe, na despedida, prometeu carregar o clube Mineiro no peito.

“Após o passe de calcanhar que deu no meio-campo, sem olhar para a bola, aumentaram as minhas suspeitas de que o Alex tem um olho atrás da cabeça. É o olho do craque. Ele joga demais!”. Assim Tostão, maior ídolo da história do Cruzeiro, definiu Alex em uma de suas colunas semanais.

 

O reinado no Fernebahçe

 

(Foto: Revista Undici)

Em 2004, após sair do Cruzeiro, Alex passou a jogar pelo Fenerbahçe da Turquia. Foi campeão Nacional em 2005, 2007 e 2011. Em 2012 conquistou a Copa da Turquia, onde foi peça fundamental na equipe. Esse era um título que o clube não conquistava há 30 anos. Na final contra o Bursaspor, Alex deu três assistências e marcou um gol no segundo tempo, fechando a goleada por 4x0. Em agosto do mesmo ano, Alex teve um problema com o técnico Aykut, o jogador teria 136 gols pela equipe, mas o técnico não o colocava nos jogos, com medo de que Alex, superasse sua marca de 140 gols.

No mesmo ano, Alex já era ídolo da torcida Turca, tão idolatrado que ganhou uma estátua em tamanho real. A inauguração contou com a presença de vários torcedores, emocionando o craque que disse:” O que eu fiz para isso?" Ela é para vocês, todos vocês”. Além disso, Alex agradeceu ao Fenerbahçe a oportunidade de ter realizado um sonho: o de ter trabalhado com Zico.

Após 8 anos no clube, Alex anunciou que encerraria sua carreira. Ídolo do Fenerbahçe, Alex fez 325 jogos, marcando 164 gols.

 

Seleção Brasileira

(Fonte:Uol)

Alex nunca foi titular absoluto da Seleção Brasileira. Apesar de ter muito talento, teve que enfrentar e dividir o posto com atletas no mesmo nível e para alguns o atleta era injustiçado. Ganhou a Copa América em 2004, mas o momento mais frustante com a amarelinha, foi em 2001, quando então o técnico Luís Felipe Scolari, lhe prometeu uma vaga na Copa do Mundo de 2002.

Não convocado, Alex viu o Emerson ser cortado por lesão, mas o técnico chamou Ricardinho para substituir o volante. Depois disso, Alex perdeu o espaço na Seleção e o título de “injustiçado” passou a fazer mais sentido..

 

Bem vindo ao Alto da Glória

 

De Curitiba, ganhou o mundo, não esqueceu o verdão por um segundo, e o bom filho, á casa torna, bem vindo ao Alto da Glória!”

ALEX! ALEX! ALEX!

 

 

(Foto: Coritiba Oficial)

Alex voltaria ao Brasil após se despedir o Fenerbahçe,sendo cobiçado por vários clubes Brasileiros, principalmente por Palmeiras e Cruzeiro, onde o jogador era ídolo. No dia 13 de Outubro, Alex desembarcou no aeroporto de São José dos Pinhais, onde foi recebido com festa pela nação Coxa Branca. Mesmo sem ter ainda definido seu destino,para a torcida era ídolo, era amado, independente de onde iria jogar. Foram 10 dias de ansiedade, com propostas bem maiores de salario, que o Coritiba não poderia cobrir, e pra quem tinha alguma dúvida de que Alex ama o Coritiba, esta ai a prova: ele assinou um contrato de 2 anos com o clube, e o bom filho a casa torna!

No dia 18 Outubro foi anunciado oficialmente. No estádio Couto Pereira, Alex foi recebido com festa pela nação Alviverde, 10 mil torcedores em uma tarde de quinta feira, a nação apaixonada pelo ídolo, que deixou de lado qualquer dinheiro, para poder jogar no clube que ama e torce.

Sua saga começou, no dia 12 de maio de 2013. Alex conquistou um título importante e que faltava em sua sala de troféus, o de Campeão Paranaense pelo Coxa, e não poderia ter sido melhor, foi sobre o rival Atlético Paranaense.  Alex marcou 2 gols, na vitória por 3x1.

Alex ganhou em 2013, a chuteira de ouro do Campeonato Paranaense, junto com, o melhor meia e o craque do Campeonato.

No dia 6 de Junho, o Couto Pereira pode presenciar outro feito do nosso capitão, contra o Fluminense em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, Alex acerta um chute de fora da área, marcando seu gol 400 e fazendo a festa junto com a torcida Coxa Branca.

No dia 1 de Dezembro de 2014, Alex anunciou o fim de sua carreira como jogador, isso ocorreu pela sua conta oficial no Twitter, postando uma montagem feita com as camisas de todos os clubes onde jogou, Alex disse:

“Obrigado ao futebol por tudo que me ofereceu. Mas chegou ao fim minha carreira! Mais uma partida domingo para eu comemorar no Couto Pereira! Obrigado a todos os torcedores que sempre me trataram muito bem. Obrigado Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e Fenerbahçe!”

 

A Despedida

(Fonte: Coritiba Oficial)

Alex ainda teve sua última partida pelo Coritiba, foi no dia 7 de Dezembro de 2014, onde se despediu oficialmente dos gramados, última partida do Coritiba pelo Brasileiro, contra o Bahia.

Na entrada ao gramado, foram quase mil crianças recebendo Alex no Couto Pereira, além de sua esposa Dayane e seus três filhos Maria, Antônia e Felipe. Das mãos de grandes ídolos, Alex recebeu um prato em metal nobre com os dizeres "Alexsandro de Souza, Menino de Ouro e Ídolo Coxa-Branca".

Eu estava grávida de 6/7 meses na época, meu ídolo que eu vi jogar apenas por 2 anos no meu tão amado clube se despedia, não poderia perder tal feito, fui ao estádio, um dia quente, sob o sol e em pé, mais de 90 minutos, pude aplaudir e chorar ao vê-lo se despedir, mas pude também, ver um craque nos gramados do Couto Pereira. Inevitável também, não chorar agora, escrevendo essa homenagem, Alex sem sombra de dúvidas é um cara para ser chamado de ídolo!

 

Despedidas de outros clubes

 

 

No Palmeiras, Alex marcou um amistoso entre os amigos do Alex X Palmeiras Libertadores 99, que levou 12 mil torcedores ao Allianz Parque, além disso, Alex recebeu uma homenagem do presidente Paulo Nobre. Destaque da partida, fez 2 gols, deu passes, lances e jogadas de efeito, como gosta.

Já no Cruzeiro, a partida foi entre o Cruzeiro de todos os tempos X Campeões da Tríplice Coroa. Cerca de 20 mil torcedores marcaram presença no Mineirão, e o placar final foi de 6x2 para o time da Tríplice Coroa. Antes de começar a partida Alex teve seus pés eternizados no Hall de ídolos do Cruzeiro.

 

(Fonte: Folha Uol)

Já no Cruzeiro, a partida de despedida foi disputada entre o Cruzeiro de todos os tempos X Campeões da Tríplice Coroa,. Cerca de 20 mil pessoas estavam presentes no Mineirão. O placar final foi de 6x2 para o time da Tríplice Coroa. Antes de começar a partida Alex teve seus pés eternizados no Hall de ídolos do Cruzeiro.

Alex deixou o futebol com um saldo de mais de 400 gols marcados em mais de mil jogos disputados. O meia também recebeu diversos prêmios individuais, como o melhor jogador das Américas (2003), Bola de Prata da Liga dos Campeões (2004) e melhor atleta da Turquia (2004 e 2006).

Hoje Alex está aposentado dos campos. Com 39 anos, o meia canhoto de, camisa 10, capitão, conhecido como, menino de ouro, talento azul, comandante Alex ou até mesmo, Alex cabeção, integra o Bom Senso FC e também se tornou um palpiteiro nos canais ESPN.

Obrigada ídolo, por ter amado o Coritiba, não apenas como jogador, mas também como torcedor. Poucos camisas 10 são tão queridos como Alex!

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Por: Patrícia Moro