O MEU VERDÃO É CAMPEÃO BRASILEIRO

 

 

 

Foto: Reprodução internet


 

Ó Glorioso

Como é bom te ver

Campeão de novo...

 

A saudade do futebol está grande não é mesmo Nação Coxa Branca? Saudade daquela energia das arquibancadas, de acompanhar o time em campo, de abrir aquela gelada nos arredores do estádio, de apoiar, cantar, até de xingar e ficar p***. Mas neste domingo  (31), a torcida alviverde poderá matar um pouquinho da saudade de ver o Verdão em campo. A RPC (afiliada à rede Globo no Paraná), retransmitirá a partida entre Bangu x Coritiba, realizada em 31 de julho de 1985, válida pela final do campeonato Brasileiro. Partida que trouxe um título inédito ao Coxa e  ao futebol Paranaense.

O título conquistado em 1985 é ostentado até hoje com orgulho pelos torcedores alviverdes, que exibem suas estrelas amarelas sob o escudo ao trajar seus mantos. Muitos não eram nascidos ou eram pequenos na época, assim como esta colunista que vos escreve, que veio ao mundo em 87 e já nasceu campeã brasileira. Um título que completará 35 anos em 2020, e deixa os apaixonados pelo clube esperançosos em ver, em breve, uma nova estrela para ostentar.

Por que não sonhar?

 

TRAJETÓRIA

Quem nunca ouviu a frase "ah, mas ganhar do Bangu qualquer um ganha..." Pois bem, quem diz isso não deve ter conhecimento da trajetória deste campeonato. Para chegar à final, o Verdão precisou passar por muitos adversários, e vários deles gigantes do futebol nacional até hoje. Vamos conferir?

Primeira fase

A taça Ouro, como era definido o Campeonato Brasileiro na época, tinha 20 clubes, sendo 10 em cada chave. Destes vinte, apenas os oito melhores colocados (quatro de cada chave),  se classificaram para a próxima fase da competição, que se juntaram com os melhores colocados da Taça Prata, que tinha 24 clubes na disputa, totalizando 44 clubes participantes.

A estreia do Verdão foi em 27 de janeiro, com uma vitória de 3x1 contra o São Paulo. A equipe alviverde era comandada pelo técnico Dino Sani. Na segunda rodada, um novo triunfo, desta vez contra o Cruzeiro: 2x1. As duas partidas foram realizadas no estádio Couto Pereira.

O Coxa iniciou o campeonato com o pé direito e parecia que tudo seria fácil. Porém, desde aquela época, o torcedor alviverde era predestinado a sofrer… após as duas vitórias, veio a sequência derradeira: das seis partidas seguintes, cinco derrotas e um empate. Neste período, a diretoria trocou o comando técnico: demitiu Dino e contratou Ênio de Andrade.  O Coxa só voltaria a vencer na nona rodada contra o Náutico,  por 2x0, após o novo treinador amargar três derrotas. Na décima e última rodada do primeiro turno, a equipe alviverde tropeçaria novamente, desta vez para o Santos. Com a conclusão da primeira etapa, o Coxa terminou em oitavo colocado com apenas sete pontos conquistados. Na época, uma vitória valia dois pontos e o empate um, como é até hoje.

O time do Alto da Glória ainda teria todo um returno pela frente, e precisava melhorar seu desempenho para se recuperar e sonhar com a classificação à próxima fase.

O returno iniciou-se em 09 de março para o Coritiba. O jogo foi novamente contra o São Paulo, desta vez no Morumbi: mais uma vitória contra o tricolor, desta vez por 0x1. Na sequência, uma campanha instável: três vitórias, dois empates e três derrotas.  

O Verdão precisava vencer a última partida do returno para ficar na primeira colocação. O adversário da vez era o Santos, e os dois pontos vieram após o Coxa vencer o Peixe por 2x1 no Couto Pereira.

Com a vitória, o Coritiba se classificou para a segunda fase da competição, por ter garantido a primeira colocação no returno (12 pontos conquistados). Com o Verdão, também classificaram Atlético-MG (primeiro colocado no turno), Corinthians e Guarani por pontuação.

 

Segunda Fase

 

Na segunda fase, o Verdão enfrentou o Corinthians, Sport e Joinville. Nesta fase, apenas os primeiros colocados de cada chave se classificaram para as então semifinais da competição. E a equipe alviverde não decepcionou: foram três vitórias, dois empates e apenas uma derrota, totalizando oito pontos e a primeira colocação, que levou o Coxa às semifinais. O próximo adversário seria o Atlético Mineiro.

 

Semifinais

A primeira partida da semifinal foi realizada no Couto Pereira, no dia 24 de julho, e o Verdão venceu o Galo por 1x0, com gol de Heraldo. 

 

Após a vitória no Couto , o Verdão ia embalado para Minas enfrentar o Atlético. Foto: Rubens Vandresen

 

Na partida de volta, com o Mineirão lotado (mais de 60 mil pessoas), um empate em 0x0, e o sonho estava prestes a se tornar realidade: o Coritiba estava classificado para a final da Taça Ouro pela primeira vez em sua história. O adversário: o modesto e surpreendente Bangu-RJ.


 

FINALÍSSIMA NO MARACANÃ

 

A final da competição tinha data e local marcados: 31 de julho, no estádio do Maracanã. Vários ônibus se deslocaram de Curitiba  para o Rio de Janeiro para acompanhar a finalíssima inédita que contava com o Verdão. 

Nas arquibancadas, um apoio surpreendente à equipe carioca. Torcedores dos principais times do Rio  se uniram para apoiar o Bangu e lotaram o Maraca, que contou com mais de 91 mil espectadores.

Em campo, o Verdão de Ênio Andrade estava escalado da seguinte forma: Rafael Camarotta, André, Gomes, Heraldo e Dida; Almir, Marildo, Toby; Lela, Índio e Edson.

 

A equipe do Coritiba antes da partida no Maracanã. Foto: Reprodução Gazeta do Povo

 

Mesmo com a pressão da torcida adversária, o Verdão não se intimidou e abriu o placar aos 25 minutos do primeiro tempo, com Índio em uma bela cobrança de falta. Porém, o Bangu empatou logo depois, aos 35' com Lulinha. A equipe carioca ainda teve um gol anulado pelo árbitro Romualdo Arppi. 

A partida terminou empatada em 1x1 no tempo regulamentar, o que levou a decisão para a prorrogação. Entretanto, a igualdade permaneceu e a partida teria que ser decidida nos pênaltis. Já diria nosso amigo e comunicador Galvão Bueno: Haaaaja coração, amigos. 

Na disputa de pênaltis, as duas equipes converteram todas as cinco cobranças. Restava decidir o título nas alternadas: quem errasse, poderia colocar o sonho de ser campeão inédito por água abaixo. E assim foi com Ado, do Bangu: o jogador mandou para fora a cobrança. Gomes, que não tinha nada a ver com isso, converteu e fez a nação alviverde ensandecer: o Coxa era, pela primeira vez na história, campeão Brasileiro!

 

Pode comemorar, torcedor: o Verdão é campeão Brasileiro de 1985. Foto: Reprodução Tribuna do Paraná


 

Um título inesquecível. Sofrido. Sofrer pelo Coritiba está no DNA de qualquer torcedor alviverde. Costumo falar que ser Coxa é para os fortes. Mas ver (ou rever), toda esta trajetória suada e com final feliz, valerá a pena. 

Por isso, todo mundo ligado na tela da TV neste domingo, para reviver e se emocionar com esta conquista marcante na história do clube. Quem já viu na época, poderá matar as saudades. Quem não é deste tempo, poderá conhecer um pouco mais da história deste feito.

 

E para não perder o costume…

 

VAI PRA CIMA DELES, VERDÃO!


 

Por Viviane Mendes, coxa doida de coração.

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Mulheres em Campo.