O ponto de ouro

Frio e calculista, cada vez mais perto da taça e dependendo só de si para se sagrar campeão, Palmeiras conquista ponto extremamente importante em Minas Gerais.

 

Eu já falei algumas vezes aqui que quando os deuses do futebol estão do nosso lado, nada, absolutamente nada, pode nos impedir de sermos campeões.  Ao longo dessas 35 rodadas já deu para perceber que além de raça, talento e técnica, a mística do futebol está do lado verde e branco e o jogo de ontem demonstrou novamente isso.

O jogo começou da pior maneira para o torcedor palmeirense: muita pressão atleticana. O Galo doido queria de todas as maneiras arrancar os três pontos do líder do brasileirão. A pressão atleticana era intensa e em certos momentos eu não conseguia nem mesmo respirar vendo o jogo de tão sufocante que estava. Mas em toda pressão atleticana eis que surge o contra-ataque frio e letal do alviverde, Dudu fez bela assistência e nosso menino de ouro abriu caminho para a conquista do nosso ponto de ouro. Gabriel Jesus, depois de passar dois meses ser marcar com a camisa alviverde, encontrou o gol do Horto.

Lágrimas em campo do menino que viu um peso gigantesco sair das costas. Lágrimas da torcida que a cada dia canta e vibra mais com a expectativa desse título brasileiro. Todos choramos nos pés de Jesus.

FOTO: Palmeiras Oficial

Jesus, que na sua raça e na sua impaciência juvenil poderia ter sido expulso na noite desta quinta-feira. Após briga em campo, o dono da 33 foi amarelado, um tempo depois em clara situação de simulação de pênalti poderia ter levado o segundo amarelo e isso não aconteceu graças aos nossos deuses. Mas, infelizmente, o nosso menino começa a dar adeus a nação que fez dele jogador.

A defesa palmeirense sempre eficaz, ontem não foi boa e Jailson trabalhou muito para impedir os gols do Galo mineiro. A falta de marcação forte fez com que o Galo chegasse com mais intensidade ao gol palmeirense. A dificuldade de marcação e defesa ficou ainda mais nítida com a substituição do comandante palmeirense que sacou Thiago Santos e colocou Thiago Martins, atuando o alviverde com 3 zagueiros.

O Galo, por sua vez, atuou na segunda etapa com praticamente quatro atacantes, após a entrada de Lucas Pratto. Ironias a parte, aquele que vem sendo especulado como futuro jogador do verdão para 2017 foi o autor do gol que deixou tudo igual em Minas Gerais.

O jogo foi aberto até o último minuto. Mas o líder do brasileirão com a cautela imposta por Cuca, segurou o jogo e saiu de Minas com um ponto precioso na mala, ponto de ouro. Ponto esse que pode dar o título na rodada seguinte, ponto que faz com que o Palmeiras continue dependendo só de si para ser campeão.

Nós, os Palmeirenses, que temos essa alma amendoim cravada no peito, sentimos que podíamos ter saído do Horto com a vitória, mesmo que antes do jogo todos (em sua maioria) acreditassem no empate como certo e como bom resultado.

Essa sempre insatisfação palmeirense faz parte da nossa alma de torcedor, por melhor que o time esteja, sempre vemos motivos para exigir mais, para querer mais, por isso que o Palmeiras não é para amadores.

Mas todos nós, com o apito final dado ontem, respiramos aliviados. Com a certeza de que domingo é dia de conversar no nosso chiqueiro. O alviverde imponente recebe o Botafogo pela antepenúltima rodada. Caso saia vencedor (o que vai sair, sem dúvida) e Santos perca a partida contra o Cruzeiro e o Flamengo empate com o Coritiba, o alviverde já será matematicamente campeão brasileiro de 2016.

FOTO: Parada Barra Funda

Não é que a hora está chegando mesmo?

Ainda que não seja neste domingo contra o Botafogo, mas que seja no próximo contra a Chapecoense, eu já estou sentindo os dedos roçando na taça do nacional deste ano. Essa nação que pulsa apaixonada, que quase morreu 11 dias sem ver o alviverde em campo, mas sobreviveu firmemente há 22 anos sem levantar a taça do brasileiro.

Cada dia é mais difícil controlar a emoção, os sentimentos, a ansiedade e as expectativas. Podem fechar nossas ruas, podem aumentar o valor dos nossos ingressos, podem denegrir nossa festa no aeroporto, podem falar que não estamos jogando bem, podem falar do Cucabol, podem fazer o que quiserem, mas não podem jamais falar em falta de amor da torcida, porque esse título já começou nas arquibancadas.

Sempre avanti!

 

Por Marcela Permuy

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