O que teria sido o último ano dos gremistas sem Roger?

 

Há quase um ano, uma novidade para os gremistas surgiu no início da tarde de uma terça-feira. Era 26 de maio de 2015 e se noticiava: Roger Machado Marques era o novo técnico do Grêmio. Após a perda de mais um título estadual para o rival colorado e um início bastante instável no Campeonato Brasileiro, Felipão deixava o comando da equipe Tricolor e partia para trabalhar na China. A primeira reação ao ver Roger como técnico? No meu caso, foi otimismo. Admito que, por ser uma torcedora consideravelmente confiante, vi na mudança de mais um treinador uma nova chance do nosso time reverter a má fase que se arrasta por algumas temporadas.

É inegável que a imagem do lateral que por tantos anos defendeu nosso manto e está nas fotos das grandes conquistas da gloriosa década de 90 interferiu (e muito) para a aceitação do novo técnico por grande parte da torcida. O que torcedores e imprensa não imaginavam era o trabalho que o jovem comandante estava disposto a apresentar. Não se tinha muita esperança em relação ao que o grupo do Grêmio poderia oferecer. Muito se falava em um desempenho modesto no campeonato nacional, com fortes teses de que o Tricolor se encaminhava para mais um rebaixamento em sua história.

 

Foto: Agência RBS

 

Mas não foi isso que aconteceu, o que se viu foi algo muito distante disso. O mesmo plantel que causava tanta desconfiança se organizou, foi aceito e aceitou bem o novo líder, entendeu a estratégia que este trouxe consigo e o resultado em campo começou a aparecer. Lembro da estreia de Roger como técnico na Arena, na qual os donos da casa aplicavam 2 a 0 no Corinthians antes dos primeiros cinco minutos de jogo, com uma postura totalmente surpreendente. Aquele jogo pode ser considerado como um divisor da temporada gremista de 2015.

A partir de então, desempenhos empolgantes, como a conquista de cinco vitórias seguidas, levaram o Grêmio para a parte de cima da tabela, onde permaneceria até o final do campeonato. Nesse meio tempo vimos a emblemática goleada por 5 a 0 sobre o Inter, uma partida que serviu para lavar a alma de muitos gremistas. Logo na sequência, tivemos um belo jogo contra o Atlético-MG no Mineirão. Se tivesse que escolher um jogo perfeito na era Roger Machado, meu voto iria para a vitória por 2 a 0 sobre o Galo naquela ocasião. Naquele momento, muitos colocaram o Tricolor definitivamente entre os candidatos ao título nacional de 2015.

Sim, todos sabem que a tão aguardada conquista do título não veio. O time teve alguns tropeços que atrapalharam os planos que almejavam algo melhor que o 3º lugar conquistado. Além disso, na primeira competição eliminatória encarada pela equipe de Roger, a Copa do Brasil, ficamos nas oitavas de final.

Para 2016, a lógica da permanência do treinador prevaleceu. Roger Machado levou nosso Grêmio para a Libertadores, e teve seu contrato estendido até o final de 2017.  Para quem tinha tanta esperança depositada nessa temporada do Tricolor, fica difícil explicar o desempenho do time nesse primeiro semestre. O grupo se manteve, mas as poucas baixas parecem ter feito muito mais falta do que se imaginava que fariam. De uma classificação antecipada no chamado “Grupo da Morte” no continental, fomos para uma eliminação nas oitavas e ficamos de fora até mesmo da decisão do estadual, em uma semana de decisões “infelizes” da direção e comissão técnica.

Do quase um ano de Roger à frente do Grêmio, pode-se dizer que o último mês foi o período no qual o ex-jogador esteve mais pressionado em seu posto. Tendo em vista a política de gerenciar troca de treinadores no Brasil, não seria surpreendente se este fosse substituído diante de um mau início de Brasileirão. Entretanto, somamos 4 pontos nas duas primeiras rodadas e ainda não tomamos gol. Isso significa um pouco de fôlego para o técnico continuar seu trabalho com o grupo que tem.

Roger Machado ainda é um técnico jovem, com pouca experiência na função, se comparado a outros tantos nomes que ouvimos por aí. O que pode ser considerado como diferencial na recente carreira é a forma como ele estuda. Sejam os dados estatísticos da sua equipe, números dos adversários, tendências do futebol, Roger tem o perfil de quem analisa tudo o que pode. Não estou aqui para julgar se a forma de trabalho aderida por ele está certa ou errada, mas admito que é um método de trabalho muito interessante, tendo em vista os rumos cada vez mais simplistas que o futebol brasileiro anda tomando.

 

Foto: Fernando Gomes

 

Em contrapartida, há torcedores que reclamam da postura pouco sanguínea de Roger, pois gostariam de ver o treinador tendo reações mais intensas nos momentos decisivos pelos quais nosso time passou. Até que ponto uma mudança nesse sentido realmente faria diferença nos resultados é difícil saber, pois se trata da personalidade do treinador. O que se constata é que o peso dos 15 longos anos sem títulos expressivos é uma pressão a mais na vida de Roger, visto que isto interfere diretamente na percepção e expectativas da torcida.

O fato é que Roger Machado completa um ano no comando gremista. Se nesse período ainda não atingimos com ele o objetivo de uma conquista, não hesito em afirmar que sem ele poderíamos estar em uma situação pior. Nunca deixei de torcer pelo Grêmio, e nunca o farei. Porém, há momentos nos quais o ânimo e a confiança ficam abalados, e assim estava na véspera da chegada de Roger. O velho conhecido da torcida superou expectativas, mas mesmo assim ainda tem muito por fazer e mostrar. Meu desejo, a exemplo de muitos outros gremistas, é que nosso técnico tenha a oportunidade de conquistar algo muito bom comandando o Tricolor. Torço por Roger, torço pelo Grêmio, torço por um ano ainda melhor.

 

Fonte: Grêmio Avalanche

Cintia Menzomo