O trem do interior, não se intimidou com Allianz Parque lotado e passou por cima. O Palmeiras também tem lembrado um trem, mas aqueles que andam sob os trilhos de uma montanha russa, cheio de altos e baixos.

O torcedor nunca sabe o que vai acontecer e isso não é nada divertido!

(Imagem: ESPN)

A sensação de êxtase deixada pela bela goleada de quinta-feira passada, durou pouco. Muito pouco. O Palmeiras foi batido na tarde deste domingo pela Ferroviária de Araraquara, dentro de casa.

A campanha marcada por uma grande instabilidade, volta a incomodar o torcedor, que via na vitória anterior, uma possibilidade de confiar no seu time e sonhar com títulos.

As cobranças que já eram comuns nas conversas entre palmeirenses, agora virou a pauta principal de discussões e análises. Só se fala disso em territórios alviverdes.

Entrando na oitava rodada do Paulistão, o time de Marcelo Oliveira ainda não parece ter construído um estilo coletivo próprio e vive de experimentações. Nunca se sabe o que vai acontecer e cada partida, por mais fácil que pareça, é motivo de grande ansiedade e preocupação.

A derrota de ontem, reforçou essa impressão e aumentou o clima de cobrança. Além de gerar tensão entre alguns jogadores, que se estranharam dentro de campo, para quem quisesse ver.

O Palmeiras até começou bem, com uma jogada perigosa no primeiro minuto de jogo. Robinho lançou Dudu, que jogou para Jean bater. A bola desviada, ainda sobrou para Alecsandro, mas ele não conseguiu finalizar.

Aos sete minutos, outro bom momento. Robinho tentou duas vezes. Na primeira, depois do chute forte, que exigiu muita atenção do goleiro Rodolfo, a bola voltou para os pés de Lucas, que cruzou para o próprio Robinho bater novamente, mas ele pegou muito mal na bola.

Com esse cenário, a torcida acreditava que o Palmeiras comandaria a partida, mas o time nem chegou perto disso, a Ferroviária bem armada, marcava todas as saídas de bola e mostrava paciência para criar contra-ataques.

Aos 40 minutos, Gabriel Jesus comete uma falta desnecessária perto da área, que foi muito bem aproveitada pelo adversário. O time de Araraquara abre o placar, depois da cobrança perfeita, batida por Fernando Gabriel, sem chance para o nosso Fernando.

O Palmeiras também teve boa oportunidade, igualmente depois de sofrer falta perigosa no finalzinho do primeiro tempo, mas ao contrário da equipe interiorana, preferiu não bater direto e desperdiçou.

No segundo tempo a Ferroviária recuou e o Verdão tinha tudo para aproveitar o momento e impor o seu ritmo de jogo, mas não só não conseguiu fazer isso, como mostrou desarticulação e falta de estratégia. Chegou perto em algumas jogadas, mas sem assustar o goleiro adversário.

O técnico Marcelo Oliveira trocou Jean e Alecsandro, por Rafael Marques e Cristaldo, claramente pretendendo tornar o time mais ofensivo. Deu certo. O lance seguinte, na primeira em vez que tocaram na bola, Rafa Marques ajeitou a redonda para Cristaldo, que faz um belo gol, comemorando como se fosse final de Copa do Mundo. O Allianz Parque explodiu em euforia, um gol que veio na hora certa e feito pelo queridinho da torcida.

O momento não podia ser melhor e parecia prenúncio de coisas boas. Mas infelizmente, o que se viu nos momentos seguintes, foi um Palmeiras que não conseguia encaixar uma bola eficiente para virar o jogo e um adversário muito eficiente em desarmar as jogadas alviverdes.

Aos 32, Erik entrou no lugar de Jesus, mas pouca coisa mudou. O time ainda fez uma boa jogada com Rafa Marques, que finalizou na área com uma bicicleta, mas a bola bateu no corpo do adversário e não chegou a oferecer perigo de gol.

O empate e o péssimo nível de jogo, que já era um quadro bem ruim, deu lugar ao desespero. Rosetto lança Rafinha, que vê a defesa alviverde aberta e bate na saída do goleiro palmeirense. Gol da Ferroviária nos acréscimos. Um gol que mais pareceu punição, contra um time não conseguiu nem segurar o resultado por alguns míseros segundos. 

Nem a chuva torrencial que caía em São Paulo a essas alturas, foi capaz de abafar os protestos da torcida, que indignada, ainda não conseguia acreditar na derrota improvável.

Mas não há tempo para chororô e nem para desculpas, Quinta-feira está aí e um desafio ainda mais árduo, está por vir: o próximo jogo pela Libertadores da América.

Agora, o time precisa encontrar, de uma vez por todas, no meio de todo esse caos, uma forma de virar a mesa, ou melhor, dizendo, o jogo.

Alê Moitas