OLHO NA TAÇA, PÉS NO CHÃO!

Com futebol apenas razoável, o Palmeiras venceu mais uma e deu mais um passo em direção ao título. Mas a ordem é caminhar com cautela. Nada de euforia.

 

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Foto: Palmeiras Oficial

 

O clima pregado pelo técnico Cuca ontem, depois de mais uma vitória do Palmeiras, foi de manter a atenção, nada de comemoração antecipada e nem pensar no velho “já ganhou”. O comandante do Verdão quer humildade até a última rodada e muito cuidado com cada confronto que está por vir.

Postura que mostra experiência e muita sabedoria. Apesar da superioridade numérica e de ter um dos elencos mais fortes do país, ele sabe muito bem que nada está ganho ainda.

E não está mesmo! Ainda temos chão pela frente. Um chão árido e árduo, que vai fazer da reta final, um grande desafio.

O torcedor, apesar da vontade de botar a mão na taça, parece concordar com a postura do professor e tem tentado não contar vantagem antes do tempo. Tarefa quase impossível para quem tem uma paixão avassaladora pulsando no peito. Falta tão pouco, que é difícil não sonhar...

Uma das formas de manter os pés no chão é analisar a partida. E isso, o torcedor palmeirense sabe fazer muito bem. Conseguir lançar um olhar crítico sobre a dinâmica do jogo, faz com que as ilusões dêem lugar a um pouco de realismo.

O futebol apresentado ontem, não foi de encher os olhos. Não teve aquela cara de Palmeiras. Aquela marca registrada que o elenco conseguiu construir ao longo do campeonato e que rendeu os resultados tão positivos.

Quem assistiu a partida contra o Sport, pela 32º rodada do Brasileirão, foi testemunha de que o time de Cuca teve muito trabalho para vencer o adversário pernambucano. O jogo que lotou o Allianz Parque de torcedores ansiosos por mais uma vitória, foi decepcionante no quesito “futebol de líder”, principalmente na primeira etapa.

Mesmo assim, os dois gols da vitória aconteceram ainda no primeiro tempo. Incoerência? Alguém pode questionar. Parece que não. Diz a bíblia do futebol, escrita por ninguém mais, ninguém menos, que os próprios deuses do futebol, que “time bom é aquele que consegue ganhar, mesmo jogando mal”.

Amém! E que assim seja!

O Sport entrou, como costuma entrar, ofensivamente, “jogando de igual para igual”, foi para cima e nos primeiros minutos sufocou o Palmeiras, chegando a assustar logo aos seis minutos, quando o nosso xerife da defesa, entrou um pouco mais duro, fazendo falta em Diego Souza. Ele bateu, mas a bola que tinha um endereço certo, parou na barreira.

O Palmeiras tentava pressionar a saída de bola, mas a ausência de um jogador com características de velocista, fez falta. O Sport, soube fazer essa leitura do jogo e conseguiu pressionar muito, chegando com muita facilidade a área palmeirense. Nosso gigante do gol, suou a camisa.

Mas aos vinte minutos de jogo, a sina escrita dos times bons, funcionou. Num contra-ataque, que começou justamente com o goleirão Jailson, o Verdão abriu o placar de forma espetacular.

Jailson lançou rapidamente Allione na direita e o argentino viu o profeta se enfiar com velocidade, a bola tocada para ele se transformou num lançamento perfeito  para os pés de Dudu. Com muita energia, o nosso capitão, entrou na área e chutou sem dó, nem piedade. A redonda entrou no canto esquerdo de Magrão.

 

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Foto: Palmeiras Oficial

 

O Sport não se deu por vencido e continuou obstinado na missão de sufocar os donos da casa e fazer o seu gol. A raiva destilada contra a arbitragem, por um lance, que eles consideraram pênalti, onde a bola resvalou no braço de Mina que sobrava dentro da área, parecia ser também combustível para ir para cima do Alviverde.

Essa energia, somada a um ritmo de jogo pouco produtivo do Palmeiras, fez o Leão da Ilha, chegar, diga-se de passagem, merecido.

Um escanteio venenoso, para a cabeça de Rithely, que o travessão nos salvou, mas na sobra, o oportunista Rogério cabeceou para dentro, sem chance nenhuma de defesa.

Tudo igual na Arena Palmeiras.

Só há duas possibilidades para um time que sofre um gol. Abater-se, se desestruturar e consequentemente, perder a capacidade de reação, ou se encher de garra e traçar uma estratégia, usando as peças que tem a seu favor.

Time bom fica com a segunda opção. Acho que isso também está escrito no livro sagrado.

O Palmeiras foi para cima do adversário de forma precisa e passou a mandar nos últimos minutos do primeiro tempo. Foram três chances claras de gol, uma atrás da outra. Aos trinta e sete quando Zé saiu em contra-ataque e Jean bateu forte, aos trinta e nove, quando após cobrança de falta, Moisés chutou sem ângulo e Dudu aproveitou a sobra e aos quarenta e dois, com Allione no comando do ataque, ligando Barrios, que também chutou forte, mas a bola foi travada.

Pressão total. Na quarta, nem eu resistiria, quanto mais a defesa pernambucana.

Aos quarenta e três, enfim, o segundo gol saiu e que gol!

Aquele lateral perfeito do profeta, colocou a bola na área, Lucas Barrios bateu nela e em seguida, Dudu tentou fazer. No rebote, a bola ficou livre, leve e solta para Tchê Tchê, o chute de craque entrou bonito no canto direito.

Delírio nas arquibancadas e no banco de reservas, todos queriam abraçar o nosso camisa trinta e dois.

Não podia ter um jeito melhor de ir para o intervalo.

 

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Foto: Palmeiras Oficial

 

E o que dizer do segundo tempo? O Palmeiras, como todos esperavam, voltou melhor. E tomou, definitivamente, as rédeas do jogo. Cuca colocou Thiago Santos para marcar Diego Souza e acabar com a liberdade no meio de campo. Funcionou!

As outras substituições, Alecgol no lugar de Barrios e Cleiton Xavier no lugar de Allione, não foram muito efetivas, mas o time de Cuca seguiu sem levar grandes sustos. Até os vinte e nove minutos...

Quando a estrela de Jailson brilhou novamente. O goleiro alviverde, conseguiu evitar o gol de empate, que viria de uma tabela entre Diego Souza e Ruiz.

O Verdão administrou a vitória com a competência de quem quer ser campeão. E quando o juiz apitou o final da partida, além da alegria por mais uma vitória, a certeza de que esse time tem cara, talento e postura de campeão.

Um time que consegue esboçar reação rápida e que aprende rápido com os erros. Mas mesmo com esse cheiro de taça no ar, é preciso obedecer o mestre na lição mais importante da reta final, a humildade.

 

por Alê Moitas