Os Gaviões nasceram para poder reivindicar

 

 

 

"Ninguém melhor do que nós

Pra falar de você

Ninguém melhor do que nós

Pra te exaltar sem te esquecer

Ninguém melhor do que nós

Pra te enaltecer

Corinthians o meu mundo é você

Ninguém melhor do que nós

Pra soltar a nossa voz

Sou gavião

E o meu grito é feroz..."


Gaviões da Fiel



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Foto: Organizadas Brasil
 

É mais que um caso de amor, na alegria ou na dor, religião, sempre sob o lema: LHP, lealdade, humildade e procedimento. Muito prazer, nós somos os Gaviões da Fiel…Força independente em prol do grande Corinthians (Flávio La Selva – sócio no. 1 dos Gaviões da Fiel).

Dia de jogo do Timão é sempre assim, casa lotada e torcida pulsante. Não é a toa que levamos no nome: Fiel. Os Gaviões da Fiel, foram fundados oficialmente em 1º de julho de 1969, durante a ditadura militar, com o objetivo de além de incentivar o time do Corinthians, cobrar e participar da vida politica do clube.

A ideia de fundar uma torcida, já era antiga. Um grupo de torcedores, indignados com a gestão do então presidente e ditador, Wadih Helu, passou a questionar, ainda na arquibancada a vida politica e administrativa do Corinthians.



Contra todo ditador que no Timão quiser mandar

Os Gaviões nasceram para poder reivindicar

Os direitos da fiel que paga ingresso sem parar

Não temos medo de acabar

Corinthians joga eu vou estar lá

Nossa corrente é forte e jamais se quebrará

Pelo Corinthians, com muito amor

Até o fim!

Ga - vi - ões Fiel



Liderados por Flávio la Selva, os corinthianos decidiram fundar a primeira torcida organizada do Brasil. Sua estrutura era de clube de bairro e sua ideologia, era a busca pela liberdade.

La Selva, Jogador, Edmar, Inaté e Joca, os fundadores, eram simpatizantes do revolucionário Che Guevara. La Selva e Joca, por serem os mais velhos, eram os que levavam os ideais aos demais. Os dois se tornaram lideres naturalmente, um por ser intelectual e o outro, por ser um guerreiro valente.

No início, não havia local para as reuniões e as mesmas eram organizadas, na casa de um ou de outro. Meses depois, tamanho o crescimento da torcida, as reuniões passaram a ser feitas em praças ou ruas da cidade.



Éramos em doze na primeira reunião na casa do meu avô, dias depois já éramos em cem, alguns meses mais de mil (…)'

Chico Malfitani,



Os dirigentes corinthianos, tentaram de toda forma conter a criação da torcida. Durante anos os Gaviões foram perseguidos, mas o amor pelo Corinthians sempre falou mais alto

Além da perseguição do clube, os fundadores tiveram que por diversas vezes se explicar para o DOPS- Departamento de Ordem Política e Social, órgão responsável por reprimir e controlar os movimentos contra o Regime Militar.


O Batismo


O Corinthians estava em crise, há mais de 15 anos não levantava um caneco. Mesmo com a má fase, a torcida corinthiana, foi a que mais cresceu no país. Arrastando multidões ao estádio e sempre apoiando, a torcida passou a ser chamada de Fiel, pela imprensa. Assim, os fundadores decidiram que o nome levaria a palavra fiel.


No momento difícil, presente

A torcida responde por ti

Demonstrando a toda essa gente

Que tu tens um Nome, do qual não se ri!”,

Canto da torcida durante os anos de jejum,

em resposta ao chamado “Faz-me-rir”



A escolha do Gavião, se deu por influência indígena e pela imponência imposta, pela ave(não possui predador natural, possui visão aguçada, voa alto). No fim da década de 60, a tribo Gaviões, que vivia no Pará, reagiu fortemente a invasão de suas terras. A FUNAI, o Exército e o governo, tiveram de interferir e interditar, parte da rodovia PA 70, que foi tomada pelos índios.


A derrubada do ditador


O Corinthians vinha de quase dez anos ininterruptos da gestão de Vicente Matheus, um ícone corinthiano. Quando era derrotado, Matheus recorria à justiça, para assumir a presidência do clube. Com um amor incondicional ao time, tirando muitas vezes dinheiro de seu bolso para mantê-lo, o presidente comandava com mãos de ferro. Anos depois, Vicente Matheus foi derrotado pelo seu ex-aliado Wadih Helu.

Durante os anos seguintes, Matheus tentou de todas as formas reaver o comando do clube, prometendo sanar as dívidas do time e a conquista de títulos. Em 1972, o então presidente Wadih Helu, perdeu as eleições para Miguel Martinez.

Martinez, pertencia a chapa Revolução Corinthiana, encabeçada por Vicente Matheus. Após uma manobra, Vicente Matheus preferiu ficar com a vice-presidência, cedendo seu cargo. Já no comando, Martinez acumulou dívidas e derrotas, gerando indignação de todos.

Além da péssima gestão, tentou conter a torcida, calar nossa voz, mas, foi inútil. Assim, com a pressão da torcida, o Conselho Deliberativo do Corinthians, proclamou Vicente Matheus presidente em 15 de agosto de 1972.


A luta contra a ditadura militar no Brasil


A torcida não se conteve com a luta contra a ditadura apenas no Timão. Os jovens idealizadores, queriam mais, queriam lutar pelo fim da ditadura no Brasil.

Em 1979, dez anos depois de sua fundação, os Gaviões abrem uma faixa com os dizeres: “anistia ampla, geral e irrestrita”. A partida era contra o Santos, no Morumbi.


 

"Quando a polícia começou a subir os degraus da arquibancada,

os torcedores dos Gaviões da Fiel deram-se os braços e fecharam o caminho.

Os soldados da Polícia Militar ainda tentaram forçar a passagem mas,

nas fileiras de trás, milhares de outros corinthianos, braços dados,

formando uma massa compacta, começaram a gritar,

ameaçando descer as escadarias do estádio do Morumbi.

O comando do policiamento deve ter avaliado a situação

e dado uma contra-ordem, porque os PMs recuaram,

desistindo de chegar até nós."


Relato de: Antônio Carlos Fon


Foto: hardmob.com.br


Este ato, da chamada Revolução Corinthiana, levou à cadeia o então presidente do clube.



Carnaval


Em períodos pós jogo a torcida acabava se dissipando. Para mantê-la sempre unida, em 1973 os Gaviões, passaram a fazer parte do carnaval paulistano. Ganhar os desfiles era algo corriqueiro, a escola venceu 12 vezes, em treze anos de disputa do carnaval de blocos de São Paulo.

Já em 1989, os Gaviões começaram a desfilar como escola de samba. O primeiro título veio em 1995, com o eterno samba: Coisa boa é pra sempre. O fato trouxe visibilidade para torcida, que conciliava a organizada e o carnaval. Torcedores corinthianos de outras escolas, simpatizaram com a agremiação. Além deles, torcedores de outros estados passaram a torcer pelos Gaviões.

Os outros títulos da escola, são de 1999, 2002 e 2003. O título de 2002, trouxe a tona novamente o viés político da escola com o enredo, Xeque-mate. Criticando o estado em que se encontrava o país, o enredo foi inclusive usado no horário político.


 

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Foto: pedromigão.com.br

Orgulho


A marca do Corinthians é sua torcida e quando falam da torcida corinthiana, pensam logo em Gavões da Fiel. Uma torcida que não mede esforços, para seguir e apoiar o time, como vimos nas invasões de 1976, no Maracanã e de 2012, no Japão.

O Sport Club Corinthians Paulista é o bem mais precioso e honrar seu nome é a lei da torcida, não importando qual seja o preço. Tudo pode se conseguir novamente, qualquer bem é dispensável, mas o Corinthians é ÚNICO.

A missão dos Gaviões é zelar por esse nome. A torcida já lutou contra vários ditadores, já cobrou muitos jogadores que fizeram “corpo-mole” e continuarão cobrando. A arquibancada ganhou e ganha voz, através dos Gaviões. O sangue alvinegro está acima de tudo!

Quando comecei a entender o futebol, ainda pequenina e vi aquela torcida, que não se calou um minuto durante o jogo, eu me identifiquei. Foi identificação ao primeiro sofrimento! A cada dia mais o sentimento crescia e quanto mais eu assitia, mais amava o clube e a minha nação. Era mais do que amar, era como dizem os torcedores: minha religião. Perder os jogos? Nem pensar!

O amor pelo Corinthians só cresce, com o nosso lema: Lealdade, humildade e procedimento. Tenho uma identificação com o clube, a questão do sofrimento, de pro Corinthiano tudo ser mais difícil, me encanta, me faz ainda mais fanática.

Os Gaviões da Fiel, me enchem de orgulho pelo seu fanatismo. Fazem meu coração bater mais forte ao som da RiTimão, me fazem cantar com a alma. Assim até o fim, serei Fiel ao Corinthians, serei Fiel aos Gaviões.

Foto: MeuTimão.com.br


Mariana Alves, pelo Corinthians, com muito Amor, até o Fim!