Pato e seu tão esperado encontro com a bola

O que, afinal, pode definir um jogador de futebol? Gols, títulos, glórias, lesões, fracassos, decepções, persistência, instabilidade... Essas e outras palavras definem bem o que foi a carreira de Alexandre Rodrigues da Silva (Ou simplesmente, Pato) até os dias de hoje. Com apenas 26 anos e nove de carreira profissional, o atual tricolor já foi de promessa do futebol brasileiro e possível substituto de Ronaldo a jogador mais odiado de uma das maiores torcidas do país.

No período em que esteve no Milan, passou grande parte sendo assombrado por diversas lesões que comprometeram seu rendimento no clube. Sua melhor temporada na Itália foi em 2008/09, quando alcançou a média de 18 gols em 42 jogos e conquistou o Golden Boy, prêmio de melhor jogador atuando na Europa com menos de 21 anos. Outro fato relevante sobre Pato durante seus cinco anos no clube Rossonero é o recorde alcançado por ele ao fazer, em 24 segundos, o gol mais rápido da história do Camp Nou.

Prêmios, recorde, título de Campeão Italiano, lesões, convocações para a Seleção Brasileira e prata olímpica. Esse pode ser um bom resumo dos “cinco anos maravilhosos de Milan” (como ele mesmo costuma dizer).

Como todo bom jogador de futebol, Pato manteve e mantém até hoje vivo o sonho de disputar uma copa do Mundo. Vetado por Dunga em 2010, três anos depois o jogador volta ao Brasil na esperança de se recuperar das terríveis lesões e voltar a jogar o fino de seu futebol. As lesões sumiram e os problemas apareceram.

Recuperado pelo departamento médico do Corinthians, mas fora da Copa do Mundo e sendo vice-artilheiro do clube na temporada (57 jogos e 17 gols), durante todo o ano pareceu não ter convencido tanto a torcida quanto os companheiros de clube e o técnico, que descrevia Pato como um jogador apático e sem emoção dentro de campo. A gota d’agua e que para muitos parecia o fim, veio após um pênalti mal cobrado em cima do goleiro Dida nas quartas de finais da Copa do Brasil 2013. Ali ficou mais do que claro que não havia mais ambiente para Pato no Parque São Jorge.

Emprestado ao rival São Paulo em fevereiro de 2014, Pato renovou suas esperanças. Bem recebido pelos companheiros e pela comissão técnica, o tricolor do Morumbi parecia o cenário perfeito para um recomeço. Não foi o suficiente. Seus 12 gols em 40 jogos deixaram a sensação de que ainda faltava algo. Talvez esse “algo” estivesse na Colômbia, esperando para vir ao Brasil dar asas ao Pato.

Confiança é a palavra que melhor define Alexandre Pato após a chegada do técnico Juan Carlos Osório ao CT da Barra Funda. Com um trabalho claramente pautado em diálogo e troca, o colombiano é peça fundamental para essa mudança. Osório deu liberdade para Pato mostrar onde se sentia mais confortável em campo e assistiu de perto a ascensão de seu atacante.

Pato tem hoje, jogando como ponta esquerda e não mais como centroavante, sua melhor média de gols da carreira. No ano de 2015, entrou em campo 50 vezes e balançou as redes em 26 delas. Uma média quase maior que 0,5 gol por partida ou um gol a cada dois jogos. No campeonato Brasileiro, foram 9 gols, quantidade suficiente para torna-lo o quarto na artilharia da competição. Além dos gols, Pato tem mudado sua postura em campo, se mostrando mais seguro e preciso em suas jogadas e tirando a ideia de que seu melhor desempenho se daria com ele fixo na área. 5 dos gols feitos pelos outros jogadores tricolores, saíram de jogadas feitas por ele.

Não há como negar que Pato, com o perdão do trocadilho, está voando. Tido por seu treinador como um dos melhores do mundo em sua posição e com uma bagagem extensa em competições internacionais, o único que ainda parece relutar quanto ao futebol do atacante é Dunga, atual técnico da Seleção Brasileira. Apesar disso, Pato segue firme em seu propósito de voltar a vestir a amarelinha.  Nessas alturas do campeonato, não há dúvidas que qualidade para isso o jogador tem.

Depois de tantos altos e baixos, finalmente Pato parece ter encontrado seu lugar. No atual momento do nosso futebol, tê-lo jogando em grande qualidade é um presente.

Bom futebol, volta por cima, encontro, vontade – Que essas sejam as palavras para definir Alexandre Pato daqui pra frente. 

 

Victoria Monteiro