PÁTRIA DAS SAIAS?

Não me lembro a última vez que sofri de uma forma tão gostosa com jogos da seleção. Esse aperto no peito, dedos cruzados e uma felicidade inexplicável com o resultado final. Nos últimos dias esses sentimentos estão se misturando com a alegria de poder ver a sociedade machista e intolerante vibrando a cada gol feminino.

Foto: Agência Reuters

Nesta sexta (12), a equipe foi protagonista de mais uma partida sensacional. Contra a Austrália, o Brasil iniciou o jogo cometendo muitos erros de passe e fazendo a torcida passar por alguns sustos. A Austrália não se intimidou com um estádio lotado a favor do Brasil e encarou o time de Vadão, conseguindo equilibrar o jogo. 

 

A segunda etapa foi ataque contra defesa, com os times perdendo boas chances.  

 

O Brasil bem que tentou resolver o jogo no tempo normal, mas não conseguiu. Tentou resolver na prorrogação, porém ela foi o reflexo de quase todo o jogo: o Brasil pressionando, mas não conseguindo balançar as redes 

australianas. 

 

O jogo foi para as penalidades máximas e o nervosismo tomou conta dos 52.660 presentes no Mineirão. Após oito cobranças, quatro de cada lado, todas no fundo do gol, parou na mão de Marta a chance de marcar o quinto do Brasil e mandar a pressão para o lado australiano. Mas não era o dia dela colocar a bola na gaveta. 

 

Quase vimos o sonho virar pesadelo ao perder a cobrança de pênalti. Foi difícil segurar as lágrimas quando tudo parecia perdido e Bárbara se agigantou parando Gorry. Após bela batida de Tamires na oitava cobrança, a goleira decidiu o jogo com uma grande defesa no chute de Kennedy.  

 

O Brasil bateu a Austrália nos pênaltis por 7 a 6 (0 a 0 no tempo normal e prorrogação) e se classificou para às semifinais dos Jogos Rio 2016. 

 

Na próxima fase, no Maracanã, terça-feira, o Brasil enfrenta a Suécia, que também venceu os Estados Unidos, nos pênaltis. Esta será a segunda vez que brasileiras e suecas se enfrentarão na Olimpíada Rio 2016. Na primeira fase, Marta e cia golearam as meninas europeias por 5 a 0.  

 

Luta, vontade, garra, técnica, força... NADA faltou a nossa seleção. 

 

Independente dos próximos resultados, já sabemos quem são as meninas de ouro dessas olimpíadas 

 

Beatriz Cunha