Perdemos​ uma batalha, mas ainda não perdemos a guerra!

 

 

 

É difícil acreditar.. é difícil encontrar forças e esperança, e entender que ainda temos mais 90 minutos para serem disputados.

O time que não teria nem chance e chegou... O azarão do campeonato, a ovelha negra do Paulistão!

Ontem eu acordei cedo. Acordei achando que estava perdendo hora. Olhei no relógio e ainda eram 07:32.

Depois de uma caldo de feijão na casa do patriarca pontepretano, com algumas latinhas de cerveja, foi fácil deitar e dormir naquele sábado que parecia ter 48 horas.

Quando finalmente levantei da cama, o relógio marcava 10:20 e o cheiro de café reinava pela casa. Sentei na mesa, tomei uma xícara e fumei meu primeiro cigarro.

Peguei o celular e abri o whats, os grupos bombavam. No Facebook não era diferente. Notificações chegavam toda hora. Minuto por minuto alguém postava uma foto. Era o dia da final. Ele finalmente tinha chegado!

O coração então começou a disparar. Nem no almoço eu conseguia mais pensar. O marido (corinthiano) que passou a semana sem falar um A, resolveu que podia comprar um Marmitex. Mal conseguia comer. A comida não descia.

12:40 meu pai buzinava na porta de casa. A rua cheia de corinthianos e eu só conseguia pensar "como eles conseguem assistir um jogo assim, tão perto, pela tv?"

Partimos rumo ao Majestoso. Na chegada meu coração acelerava junto com cada batuque da torcida.

Vamos esperar o ônibus chegar.. que festa linda. Festa que em 29 anos de majestoso eu nunca tinha visto. A final da Sulamericana ficou no chinelo.

Eu estava tensa, mas não estava tão nervosa como nos jogos anteriores.

Entramos, vamos fazer a festa.. se não fosse a PM.

Tudo que havia sido preparado, todo o dinheiro, noites em claro, tudo barrado por uma polícia que parecia não entender que aquilo pra gente era mais que uma final. Foi naquele momento que eu comecei a rezar. Só conseguia pedir pra que Deus olhasse por nós.

Quando os jogadores entraram em campo, enquanto a torcida cantava, minha reação era baixar a cabeça e continuar pedindo - paizão, nos ajude! Tem que ser hoje.

1 x 0 pra eles... e eu continuava orando. 2 x 0 e eu achando que as orações eram poucas. Macacos brigavam entre si... era como se no meio da festa que você programou, caísse uma chuva de granizo e tudo fosse por água abaixo.  

Tive que sair do alambrado. Deixei o lugar, meu lugar, que pra mim era sagrado. Fomos assistir os minutos finais do jogo. 3 x 0 e naquele momento eu já não queria assistir mais nada.

Veio o apito final e as juras e juras que se Fábio Ferreira continuasse pro brasileiro, eu nunca mais colocaria os pés no Majestoso.

Na volta pra casa, a revolta tomava conta. A sensação de saber que ao chegar em casa, encontraria aquele sorriso amarelo, tomava conta de mim.

Entrei pelo pequeno portão enquanto escutava ele dizer que eu teria que fechar. Mas passei batido.

Tomei uma cerveja que desceu amarga, enquanto lembrava do meu pai dizendo no carro que iríamos para São Paulo e que seríamos campeões lá. As lágrimas teimavam em cair. Eu queria gritar. Queria dormir e acordar com um novo domingo, uma nova decisão.

Acordei na segunda.. levantei com a cabeça pesada. Estava pior do que qualquer ressaca que já tive.

Peguei o celular e fui buscar o contato do parceiro:

- Lucas, meu pai falou com vc? Ele disse que se você for pra São Paulo, ele também vai!"

Como eu já esperava a resposta veio em grande estilo:

- "Não abandonei a ponte até agora, não seria nesse momento que eu iria abandonar"

Domingo pode ser difícil, mas nada é impossível.

Então mais uma vez estaremos lá. Naquele triângulo minúsculo e apertado, cantando e vibrando. Ainda teremos mais noventa minutos para batalhar e se eu não te abandonei até agora, porque é que eu vou te abandonar nesse momento?


Li Zancheta - Na derrota ou na vitória. Com a macaca até o fim.