Por que ainda não gritamos é campeão?

 

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FONTE: Esporte R7

 

Um ponto é o que nos separa da nona taça do nacional, mas o grito de campeão segue calado, estrangulado, guardado.

Palmeiras e Botafogo foi jogo duro, suado. O gol do maior chapéu da história alviverde, Dudu, me levou às lágrimas, a explosão no Allianz Parque e o grito ensandecido da torcida que canta e vibra. O tudo ou nada do Botafogo e a frieza de quem é líder absoluto para segurar o resultado e ainda tentar ampliá-lo. Apito final, ajoelhei na arquibancada junto com o elenco que ajoelhava no meio do campo.

Desesperadamente queria saber o resultado do jogo do Santos, meu 3G sempre para de funcionar na arena e o Wifi está sempre congestionado, mas aí anunciam nos alto-falantes: em Minas, empate do Santos.

A torcida grita, comemora, mas nenhum grito de campeão. Saí da arena e me deparei com várias faixas de Campeão Brasileiro de 2016 sendo vendidas. Me recusei a comprar a faixa, mas não sou só eu, toda a torcida se recusou.

Exagero! Meu amigo corintiano falou pra mim ontem que é exagero nosso, “como se esse título já não fosse de vocês! Ninguém, o campeonato inteiro, ofereceu riscos reais de tirar o título de vocês. Preciosismo, pode gritar”. Mas eu respondi pra ele: ainda não.

Talvez vendo de fora possa até ser exagero, mas pra alma palestrina é a regra não dita, não combinada: não grita campeão antes, assim como não gritamos gol antes.

O comandante Cuca disse: “ainda não estou relaxado parece que estou de gravata, sufocado...”.  Te entendo Cuca, está sufocante mesmo essa espera.

Em 14 anos o Palmeiras viveu o céu e o inferno e cá entre nós muito mais inferno do que céu. Aprendemos a duras penas a sermos ainda mais humildes mesmo sendo o maior campeão do século XX, o primeiro campeão mundial e o único clube a representar a seleção brasileira. Aprendemos que nossa história não se criou de soberba, mas sim de muita luta. A arrogância não passa pelas ruas da Barra Funda, chegando, às vezes, a parecer excesso de preciosismo.

Não grita campeão ainda.

Não, não é o trauma de 2009, nem os dois rebaixamentos. Mas talvez seja tudo isso junto ou ainda nada disso. Mas quem já foi do céu ao inferno aprendeu que assim como a dor deve ser sentida, sabe que alegria depois de conquistada será eternamente vivida, sem economia nos gritos de campeão.

 

Siamo noi!

Por Marcela Permuy