POR TRÁS DE TODA VITÓRIA RELEVANTE, HÁ UMA HISTÓRIA DE MUITA LUTA E SUPERAÇÃO

As Guerreiras Grenás venceram mais uma e se classificaram antecipadamente para a próxima fase do Paulistão Feminino. Na noite deste domingo (25), a partida contra o Taboão da Serra terminou em 14 a 0.

As afeanas ainda não perderam nenhum jogo e, com 9 pontos, dividem a liderança do Grupo 1 com as tricolores, ficando atrás no critério de desempate. Enfrentaremos ainda o Realidade Jovem e o São Paulo nas rodadas seguintes, mas já estamos matematicamente garantidas para as quartas de final.


REPRODUÇÃO: Twitter @PaulistaoFem

SOBRE O JOGO

Como de costume, a Ferrinha jogou bem e, se nos jogos anteriores já havia um bom entrosamento, dessa vez não foi diferente. Por outro lado, deu para identificar mudança de postura do Taboão da Serra, que conseguiu criar algumas oportunidades e se dedicou ao máximo para superar as donas da casa, mesmo não conseguindo. A formação do CATS visava não deixar a bola rolar tanto, na tentativa de evitar uma nova goleada.

Independentemente do resultado final, precisamos entender que determinação e sonhos valem muito. Após o confronto, ainda no gramado, a Locomotiva se reuniu em volta das adversárias para um momento de solidariedade. Em entrevista, Andreia chegou a comentar sobre as dificuldades da Ferrinha no início e se emocionou. Ao final, receberam aplausos e foram presenteadas com duas camisas oficiais.


FOTO: Tiago Pavini/Ferroviária SA

 

OS GOLS

No primeiro tempo a rede do adversário balançou por 10 vezes, no segundo, por mais 4. A partida contou com hat-trick das afeanas Elisa (2', 10', 14'), Thayciane (4', 12', 21'), Nenê (16', 18', 69') e Ludmila (37', 60',  63’), além de um gol contra da goleira Fran (9’) e da artilheira grená Sochor (85’).

Elisa cravou o primeiro hat-trick da partida. Dois de seus gols foram semelhantes: uma bela batida de fora da área direto pro fundo da rede. No outro ela invadiu, driblou a adversária e cobriu a goleira.

A Thayciane marcou um de cabeça e por duas vezes encaçapou a bola no cantinho do gol. Ela também teve participação no primeiro da Ludmila, que também anotou três. Dois deles aproveitando o passe das colegas Thayciane e Sâmia, respectivamente, e o outro veio de uma jogada ensaiada, onde ela cabeceou pro gol e a goleira tentou defender, mas no rebote não teve escapatória.

O último hat-trick da noite foi da Nenê, que marcou dois ainda na primeira etapa. Em um deles, ela dominou no peito, limpou a jogada e marcou com categoria. Nos demais, também não teve pena e mandou a bola pro fundo da rede adversária.

Se não fosse o empurrão da goleira Fran aos 9’/1T, que assinalou o gol contra, provavelmente a bola da Ludmila teria passado rente ao gol, mas direto para fora. Entretanto, é bom ressaltar que foram feitas boas defesas durante o jogo e que o CATS ainda buscou fechar a zaga para se proteger, mesmo não tendo sido o suficiente.

Ah, mas é claro que não poderia faltar o gol da nossa artilheira, Patrícia Sochor. Ela entrou aos 36’/2T substituindo a Thayciane e anotou o dela com estilo, passando a bola por cima da goleira.

FOTO: Tiago Pavini/Ferroviária SA

 

SOBRE O CATS

Infelizmente, a situação do Taboão da Serra é comum no futebol feminino, onde falta investimento e apoio. Claramente ao enfrentar equipes como São Paulo e Ferroviária (expressivas no cenário), evidenciam-se essas questões. O desabafo das atletas sobre a falta de apoio do clube nos mostra que ainda há certa resistência em valorizar a modalidade feminina.

Aquelas meninas cheias de sonhos aceitaram o desafio de participar da competição mesmo reconhecendo a grande dificuldade e não cabe a nenhum de nós julgar o que seria ou não melhor para o time. Elas tiveram, acima de tudo, coragem e determinação. Não abaixaram a cabeça na primeira derrota, nem na segunda, nem na terceira. Estão firmes e fortes na busca pelos seus sonhos e nós precisamos abraçá-las.

A hombridade dessas atletas precisa ser reconhecida. Elas já estão recebendo algumas doações e apoio, mas para alavancar o futebol feminino como um todo, precisamos nos unir. Anos atrás, quando os homens iam para as guerras, o futebol ficou por conta das mulheres e quando eles retornaram aos seus lares, tentaram retirar-lhes esse esporte.

Não bastasse isso, na década de 30, por meio de um decreto-lei (Nº 3.199/41) instituído durante a Era Vargas, as mulheres foram impedidas de jogar futebol sob um pretexto machista que consistiu em um verdadeiro golpe ao desenvolvimento da modalidade no Brasil. Só que elas nunca pararam de jogar e essa resistência ao patriarcado nos trouxe até aqui.

Sabemos que precisamos continuar lutando umas pelas outras. O futebol feminino merece uma maior visibilidade e isso depende de nós. Vamos continuar fazendo história! Apoiem, divulguem, consumam essa modalidade tão incrível.

Afinal: Por trás de toda vitória relevante, há uma história de muita luta e superação. (Geração de Valor)

 

Por Amanda Oleinik

 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.