Precisamos conversar sobre o seu preconceito

Se buscarmos no dicionário a palavra "preconceito", encontramos as seguintes definições: s.m.: 1. qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico. 2. sentimento hostil, assumido em consequência de generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância (contra um grupo religioso nacional ou racial).

Mas por que abordei o assunto? 

1º) porque ele existe e hoje, mais do que nunca, está escancarado em escala mundial.

2º) o vídeo lançado para a campanha que usa a #querotreinarempaz com histórias tão absurdas, quanto reais. (assistam: https://www.facebook.com/mulheresemcampoblog/videos/1759470327627944/ ).

3º) uma reportagem contando sobre a primeira locutora esportiva na Rede Globo, onde um comentário em particular chamou minha atenção. Em resumo dizia: "... Geração do mimimi, tudo tem que ter mulher, gay e negro. Já imaginou futebol narrado por mulher? (...) qualquer coisa liga o radinho e deixa a TV no mudo."

Sim! Pessoas com esses pensamentos se manifestam e acreditam ser donas da razão. Infelizmente! Em comentários seguintes, o mesmo cidadão afirma que "nunca ouviu uma mulher comentando. Isso é coisa de homem! Mulher nem entende nada. Não sabe a diferença entre os jogadores e o árbitro."

Isso é lamentável e dá sentido ao significado da palavra preconceito, como vimos: generalização apressada, sem exame crítico. Pensam: "é mulher? Não entende de futebol e ponto!" E isso não se limita às comentaristas. Sofremos esse "pré" conceito em todas as áreas, seja como atleta, torcedora ou profissional relacionada aos esportes. 

FOTO: retirada da Internet

Não podemos aprender a lutar, nadar, jogar. Na infância: bola e judô para os meninos; boneca e ballet para as meninas. E "ai de você" se ousar sair desse "padrão". Poderá ouvir seguintes questionamentos: "Nossa! Sua filha não vai ficar meio masculina treinando com meninos?", "o seu filho não prefere lutar? Vai dançar ballet para quê?".

E eu nem falei sobre as mulheres que frequentam o estádio e acompanham os seus times: "Você assiste futebol para ver as pernas dos jogadores, né?!", "vai ao estádio sozinha? Para caçar homem na arquibancada!" 

Parem! Parem! Parem!

É preciso abrir os olhos e libertar a mente desses velhos conceitos e estereótipos. Cada um faz o que melhor lhe convém. E aqui faço um apelo aos pais: não estipulem nada aos seus filhos no sentido de "isso é coisa de menino ou menina". Deixem que façam suas próprias escolhas e sejam felizes! Se sua filha lhe pedir uma espada ou um carrinho... por que não? Ou se seu filho quiser brincar de boneca? Um dia ele poderá ser pai e precisará saber cuidar de um bebê. Ou você ainda acredita que isso seja apenas função da mãe???

É! Ainda temos muito o que conversar sobre o seu preconceito! Por ora peço que tente, apenas tente, analisar os fatos sob a ótica do "e se fosse comigo?". Tenha uma visão holística, analise o todo e não somente as partes. Nós, mulheres, precisamos nos empoderar! Largar as panelas e vassouras que nos deram para brincar lá na infância.

Se quiser jogar bola, jogue! Se quiser lutar, lute! Nadar? Nade! E se não tiver talento nos esportes, como eu, mas admirar quem tem... torça, comente, vibre, xingue, vá aos estádios. Faça o que tiver vontade! E, pelo amor de Deus, SEJA FELIZ e permita que os outros também sejam!

Por Carla Eloiza Aguiar.

Curta Blog Mulheres em Campo