PRECISAMOS FALAR SOBRE PAULO

Da arquibancada à cadeira presidencial

A trajetória do presidente que divide a opinião da torcida Palmeirense, mas que é sem dúvida, um dos melhores gestores da história do clube.

 

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 Fonte: Gazeta Esportiva

                 

Mesmo que você não goste dele.

Mesmo que não concorde com as suas decisões.

Você não pode fugir ao fato de que ele é um divisor de águas.

O advogado de formação e investidor do mundo financeiro, Paulo de Almeida Nobre, assumiu a diretoria do Palmeiras no dia 21 de Janeiro de 2013.

O clube estava quebrado e desacreditado no mercado. A gestão anterior, havia feito tanta lambança, que era difícil saber por onde começar. Contratações irresponsáveis e empréstimos altíssimos, geraram uma das maiores dívidas da história do Palmeiras.

A primeira decisão do recém assumido presidente, foi vender algumas de suas ações e injetar dinheiro diretamente no clube, sem intermediários, mas o rombo era tão alto, que o valor foi destinado apenas, como diz Nobre, “para fazer a roda não parar...”. O custo mensal, apenas das contas básicas e pagamento de funcionários, era de 14 milhões.

Depois de “apagar o incêndio”, era preciso transformar essa medida de emergência, em administração, ir colocando a casa em ordem. Era preciso gerar receita. Ter dinheiro em caixa, para planejar, contratar bons jogadores e pensar em futuro.

Da experiência no mercado financeiro, Nobre trouxe a ideia de que é preciso “copiar bons modelos”. Quando fez a negociação que traria Alan Kardec ao elenco, ele teve a chance de conhecer os bastidores do Benfica e se intrigou com o grande número de sócios torcedores que o time português tinha na época. Descobriu que o segredo estava no marketing, era preciso fidelizar o torcedor. Em Portugal, o sócio-torcedor, tinha desconto no preço da gasolina, e esse fator era responsável, por uma grande fatia dos rendimentos do clube.

Foi aí que nasceu o Sócio Torcedor Avanti, o primeiro programa de fidelização do torcedor Palmeirense. A parceria escolhida, foi com a Faculdade das Américas, 25% de desconto na mensalidade para quem é Avanti.

A sacada de Nobre foi certeira. O programa foi um verdadeiro sucesso e rendeu ao Palmeiras cifras significativas, que aos poucos, foram se somando a outros investimentos bem sucedidos.

Com tino para os negócios, em pouco mais de um ano, ele havia pago as dívidas e começava a deixar o clube numa situação um pouco mais confortável, mas isso não foi suficiente para resolver o problema maior: a manutenção de um elenco bom, que pudesse brigar na ponta da tabela.

Apesar de subir para a série A, com seis rodadas de antecedência, o Palmeiras amargou um ano, sem visibilidade e com um time bastante questionável.

As críticas por parte da imprensa e torcedores, se intensificaram. Ninguém queria mais o gosto amargo da derrota e a longa espera por títulos.

E o pior, no ano do centenário do clube, o Palmeiras circulava novamente na parte de baixo da tabela e livrou-se do que seria o seu terceiro rebaixamento, por um triz. Foi a pior campanha do time, desde 2006.

Ao ser questionado, o presidente dirigiu-se ao torcedor pedindo paciência, afirmando que o clube cresceria, mas como em qualquer processo de transformação, seria preciso tempo e trabalho. Mas os ânimos se acirraram nas arquibancadas e a resposta do torcedor, imediatista, como todo apaixonado, foi: “A paciência acabou”.

Como também acabaria o relacionamento entre ele e a torcida organizada Mancha Verde.

A gota d’água, foi o triste episódio ocorrido na Argentina, no qual alguns integrantes da Mancha, agrediram a delegação do Palmeiras, após a derrota para o Tigre, pela Libertadores da América. Na época, Nobre disse que só voltaria a se relacionar com a organizada Mancha Verde, se os responsáveis pelo ato, que ele considerou, inadmissível, fossem identificados. A diretoria da torcida, não só não entregou os culpados, como abriu guerra declarada, publicando uma nota, onde dizia querer um time "forte, digno, vencedor e com espírito NOBRE", uma clara provocação ao presidente.

Mas ele não se deixou afetar e mesmo sem o apoio de um dos maiores símbolos do Palmeiras, a sua torcida organizada, ele continuou crescendo politicamente e foi reeleito em Novembro de 2014, com o expressivo número de 2.421 associados, contra 1.611 votos da oposição, que apoiava Wlademir Pescarmona.

À medida em que Paulo Nobre crescia e consolidava sua posição dentro do clube, cresciam também, os excelentes investimentos que ele sabia fazer muito bem.

O ano seguinte marcaria o começo da virada do jogo.

“Quem chegou em 2015 não sabe o que foi 2014. Foi muito difícil. E eu fiz uma promessa para os jogadores que estavam aqui no vestiário, quando estavam todos chorando, e eu também. Prometi o seguinte: em 2015, podem escrever e me cobrar, será completamente diferente”, disse ele em entrevista coletiva.

Mas à essas alturas, ninguém estava satisfeito, nem aqueles que o apoiavam. Havia um certo medo de que tudo aquilo que era dito por ele, pudesse ser a fala de um “mercenário”, como foi muitas vezes chamado.

Felizmente, o presidente do Palmeiras cumpriu o que prometeu.

Nobre começou o segundo mandato, obstinado a fazer do Palmeiras um time com expressividade corporativa. Com um orçamento muito maior, foi possível contratar bons jogadores e reformular a diretoria e a comissão técnica.

José Carlos Brunoro e Omar Feitosa foram demitidos e o diretor de futebol Alexandre Mattos, nome muito conhecido no mercado, foi contratado. Cícero Souza, outro nome com boas referências, assumiu a gerência.

O Palmeiras iniciou o ano de 2015, com uma excelente campanha no Paulistão, conquistando a vice-liderança.

Mas era preciso mais que boas campanhas para se recolocar no cenário competitivo do futebol brasileiro. Todos sabiam, inclusive Nobre, que era preciso títulos. E foi o que aconteceu. No fim do mesmo ano, o Verdão conquistou a Copa do Brasil.

Uma conquista, que representou muito mais que números, significou o retorno do Palmeiras ao seu devido lugar, o lugar de maior campeão nacional, dono de uma história gloriosa. Lugar de onde ele nunca deveria ter saído.

Emoção indescritível. Todos os corações Alviverdes pulsaram num só ritmo.

E a felicidade do presidente, que também é torcedor, ou do torcedor que virou presidente, ficou eternizada. Ele se misturou ao elenco, para satirizar o adversário santista. Inesquecível.

O time, que fora desacreditado por todos, calava a boca de um país inteiro.

E Paulo Nobre calava a boca da oposição.

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Fonte: Geralzonas.com

 

O Palmeiras encerrou o ano de uma forma completamente diferente do ano anterior. Estava crescendo como elenco e podia exibir mais um título para a coleção.

Mas a torcida queria mais. Paulo também.

Ambição que fez com que ele, rapidamente percebesse, que o trabalho bem sucedido de Marcelo Oliveira, já não estava mais funcionando. Coisas do futebol. A meta de “pegar o embalo” do título e fazer de 2016, um ano ainda mais vitorioso, ficou ameaçada quando o Palmeiras, que tinha tudo para abocanhar o Paulista, acabou sendo eliminado pelo Santos na semifinal.

Em mais uma tacada de mestre, Nobre trocou Oliveira por Cuca. Um dos técnicos mais vitoriosos do país. O objetivo era um só: mais títulos.

Mesmo com chance de avançar nas outras competições que participava, o novo treinador, nunca escondeu que seu alvo seria o Brasileiro, ideia que foi compartilhada pelo presidente.

Com uma campanha inigualável, marcada por excelência, o Palmeiras foi o campeão Brasileiro de 2016, encerrando o ano, da forma mais bem sucedida possível, com mais um título na conta.

Alguém disse conta? Os cofres Alviverdes estão muito bem obrigada.

O Palmeiras é um dos clubes com maior solidez e rentabilidade do mercado, características que atraem bons investidores e com o investimento financeiro, aumenta a credibilidade, realimentando o ciclo.

Desta forma é possível entrar na disputa pela contratação de jogadores de peso, o que garante um elenco capaz de brigar em todas as competições.

Não tem segredo. Não tem reza brava. É matemática. Dois mais dois são nove.

O enea chega para fechar com chave de ouro, o excelente trabalho de Paulo Nobre na presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Foi uma resposta à altura para os que insistem em afirmar que futebol não é uma empresa. De fato, em campo e nas arquibancadas, o futebol tem que guardar a sua essência mágica, o seu brilho, mas qualquer pessoa dotada de um QI mínimo, sabe muito bem, que não se faz futebol, sem a expertise necessária. Não há possibilidade de se manter um time de futebol, sem capital.

Diante de fatos, diz o ditado, não há argumentos.

Mas como qualquer humano, Paulo Nobre cometeu vários erros durante a sua gestão. O maior deles, foi optar por não manter diálogo com a torcida. Ao assumir uma postura de “queda de braço”, ele se desgastou e criou inimigos.

Mas é preciso, a difícil tarefa de analisar todos os ângulos dessa questão com imparcialidade.

Alguns integrantes, que não representam a Mancha Verde em sua totalidade, também erraram muito. Ao optarem pelo silêncio conivente, foram cúmplices de um ato injustificável.

O placar mais justo para esse confronto é o empate.

O torcedor, por sua natureza apaixonada, sempre trará a cobrança e aquela afobação de quem quer ver resultados imediatos. Isso nunca vai mudar.    

Mas quem ocupa uma posição gerencial, também nunca irá conseguir agradar a maioria. Aliás, é preciso muita coragem para dizer “não” às massas. Requer segurança e certeza daquilo que está fazendo. É preciso serenidade e ao mesmo tempo pulso firme, para conduzir um projeto tão grandioso como um clube de futebol.

Paulo Nobre, sabia que levaria tempo para que os resultados aparecessem, mas sempre teve certeza de que o dia de colher os louros da vitória chegaria, mesmo que fosse preciso dizer alguns nãos. “O torcedor é muito apaixonado, muitas vezes não tem a paciência necessária para que as coisas aconteçam. Quando você planta uma semente, tem que regar, esperar brotar, virar uma muda, depois uma árvore e, um dia, vai dar frutos. No Palmeiras, você planta sementes e as pessoas perguntam: cadê a fruta? Essa ansiedade do torcedor atrapalha muito. Se você começar a escutar muito todo recado apaixonado da torcida, acaba não saindo do lugar...”

Nobre conseguiu driblar os desafios da difícil posição que ocupa e deixa um legado com a marca da responsabilidade financeira. O importante compromisso de não sacrificar os cofres em nome de satisfazer o torcedor por uma temporada. É preciso pensar no futuro, em planejamento e em constância.

Muito além de ser “Nobrete” ou “AntiNobre”, o que nos move é a certeza de que o protagonista dessa história sempre será o Palmeiras. E hoje se ele voltou a ser o gigante que sempre foi, não foi obra do destino.

Foi fruto de um trabalho consciente e de uma administração bem sucedida.

 

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Fonte: Torcedores.com

 

Muito obrigada por tudo, presidente!

Alê Moitas