Quando fomos donos do Nordeste

 

 

NOS UNIMOS PARA RETRATAR A MAIOR CONQUISTA DO SANTA CRUZ

 

 

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Foto: Globo Esporte

 

 

O JOGO DA IDA POR AMARA LIMA

 

A quarta-feira de 27 de abril de 2016 amanheceu diferente. Era o primeiro jogo da final da Copa do Nordeste. Em, até então, 13 edições da Lampions League, o Santa nunca tinha chegado a uma final.

A ansiedade que mal me deixou dormir à noite, voltou a me atormentar assim que abri os olhos pela manhã. Era o primeiro jogo da final! O primeiro grande dia do triunfo coral havia chegado. Como eu poderia pensar em outra coisa senão​ na partida? O dia parecia não ter fim. A partida iniciaria às 21h45, mas desde às 17h eu já estava pronta, doida pra correr pro Arruda e me sentir normal no meio de todo aquele povo que vive e morre pelo Santa Cruz.

Depois de um dia infinito, finalmente saímos para empurrar O Mais Querido rumo ao título inédito do Nordestão. E chegar na nossa casa foi tão acolhedor quanto imaginava que seria. Me deparei com mais de 36 mil tricolores tão ansiosos e apaixonados quanto nós.

 

 

SOA O APITO PARA OS PRIMEIROS 90 MINUTOS

 

O Campinense não quis saber se estava jogando fora e já começou botando muita pressão no Santa. Os visitantes mantinham a posse de bola, mas o Santa jogava inteligente e se mantinha fechado, anulando todas as chances de gol da Raposa. A pressão aumentava junto com meu desespero, mas o Santa mantinha a lucidez e afastava as investidas adversárias.

O grito de gol entalado na garganta só saiu aos 29 minutos. Grafite, o negro maravilhoso, não perdoou e cabeceou a bola pro fundo do gol de Glédson, que tinha saído mal. GOL DO SANTA!

 

 

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Foto: Trivela UOL

 

 

 

Na comemoração, nosso camisa 23 beijou a aliança, olhou para o céu e agradeceu. A torcida foi ao delírio! Eu mal pude acreditar no que acabara de ver.

Para agonia da torcida presente, a equipe paraibana retomou a posse de bola, mas as chances de gol permaneceram escassas. E o grande susto veio, quando aos 43 minutos, Tiago Sala tentou empatar a partida, mas o auxiliar viu o impedimento e o árbitro acatou, para tranquilidade da massa coral.

Voltamos com a vantagem no placar para a segunda parte do jogo. O Santa decidiu mostrar quem manda no Arruda, ameaçando mais, mantendo a posse de bola e fechado atrás. Arthur meteu logo no comecinho um cabeceio perfeito, mas Glédson fez uma defesaça e não deixou o placar ser ampliado. Pouco depois pegou um chute à queima-roupa de Lelê, salvando novamente o time adversário.

O Santa se mantinha superior, com as melhores chances, mas levou o gol de empate aos 26 minutos. Tiago Sala recebeu a bola cruzada de escanteio e deixou tudo igual no Mundão. GOL DO CAMPINENSE!

O gol de empate me veio como um soco no estômago. Não podia acreditar que acabaria assim, que o adversário sairia com a vantagem da minha casa. Isso não aconteceria! E não aceitando o resultado, cantei ainda mais alto e acreditei ainda mais na vitória.

A equipe coral respondeu rapidamente ao empate. Foi pra cima, ameaçou muito, mas o alívio não viria tão cedo assim. Estamos falando do Santa Cruz! Onde todas as conquistas são sofridas e comemoradas com a mais extrema intensidade. Tinha que ser sofrido. Se não for sofrido não é Santa Cruz!

O gol da vitória veio bem no finalzinho, já nos acréscimos, 47 minutos do segundo tempo, quando Raniel pela linha de fundo cruzou rasteiro, a bola ainda passou por dois adversários, mas quem a encontrou foi o General tricolor  Bruno Moraes, que chutou forte para o gol. GOL DO SANTA! 

 

 

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Foto: NE 10.

 

 

 

O alívio veio. A fé foi restaurada e a vantagem ia na bagagem para os 90 minutos finais la no Amigão. A vantagem era mínima, mas era importantíssima, era nossa.

 

 

O JOGO DA VOLTA POR ISABELLE BRASILEIRO

 

Era uma sexta-feira, 29 de abril de 2016, meu pai saiu de casa às 4 horas da manhã para comprar o ingresso da final da Copa do Nordeste. Ele já tinha me avisado “a gente só vai para Campina Grande com o ingresso na mão”. Já não bastava a ansiedade para a partida, ainda tinha essa incerteza. Os dois mil ingressos disponibilizados para a nossa torcida foram vendidos em duas horas.  Eu passei o dia inteiro na expectativa, só relaxei quando recebi uma mensagem do meu pai “consegui”.

 

 

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Pronto, estava tudo certo para a grande final.

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

No domingo de manhã, eu saí super cedo de Recife, às 8h30 já estava em Campina Grande. Faltava cerca de 8 horas para o início da partida. Tempo necessário para lembrar de todos os momentos de alegria e tristeza que já tinha passado naquela cidade por conta do Santa Cruz. Em cada esquina, em cada bar da cidade eu encontrava um torcedor do Santa, alguns rostos conhecidos, outros não. Campina Grande parecia uma extensão de Recife, sem exagero nenhum.

As horas pareciam não passar. Eu já estava sentada no portão do Estádio Amigão esperando somente liberarem a entrada. A ansiedade era muito grande, meu coração acelerava a cada instante.

 

 

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Foto: Arquivo Pessoal

 

 

 

 

Segui assim o jogo inteiro. O ritmo era intenso. O Santa Cruz arriscava de um lado, o Campinense respondia do outro. Tínhamos a vantagem do empate, o zero a zero até então nos dava o título. Mas foi aos 25 minutos do segundo tempo que Rodrigão, cercado pela defesa coral, conseguiu um espaço mínimo na barra de Tiago Cardoso e marcou. Após o gol, nosso time passou a errar muitos passes, os jogadores estavam nitidamente nervosos, assim como cada tricolor que estava ali ao meu lado. A torcida deles fazia um barulho enorme, o Santa retrancado em campo, o cronômetro passando. Foi quando apareceu ele: Arthur Caike. Eu nunca vou esquecer esse nome na minha vida. Aos 33 minutos, Arthur recebeu a bola de Keno, errou na primeira finalização, mas pegou o rebote e não perdoou.

 

 

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Foto: NE 10

 

 

 

 

Eu não acreditei naquele gol. Enquanto a torcida vibrava loucamente com o gol que nos garantia o título, eu caia sentada na arquibancada. Aquela mesma arquibancada, na qual acompanhei jogos sofridos da série C e D, naquele dia me proporcionava nada mais que o melhor dia da minha vida. Eu chorava que nem um bebê, lembrando de todo o sofrimento que havia passado ao longo desses anos acompanhando o Santa. A bandeira de Pernambuco enrolada no meu pescoço servia para enxugar minhas lágrimas. Meu pai sentou ao meu lado e chorou junto comigo. A torcida inteira, na verdade, chorava aquele gol. Não era só um choro de alegria. Era um choro de alívio. 102 anos de muita luta, resistência e de dificuldades eram contemplados com aquela taça. O Nordeste, enfim, era nosso. A Paraíba, em especial, era minha.

 

 

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Foto: Diego Nigro / JC Imagens

 

 

 

 

Os 6 mil torcedores corais presentes cantavam orgulhosos “AH É PERNAMBUCO”, coisa linda de sentir e ouvir. Obrigada, Santa Cruz, por existir e por proporcionar os momentos mais emocionantes da minha vida!

 

 

Por Amara Lima e Isabelle Brasileiro