Que as lágrimas se tornem glórias!

Pedro Henrique, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima!

Quando se é criança vivemos em um mundo particular, um mundo de sonhos e fantasia. Sempre tem alguém que nos pergunta “o que você quer ser quando crescer”, com a resposta sempre pronta e carregada de ingenuidade vamos alimentando nossos desejos ou o de nossas famílias.

Pais, irmãos, tios e padrinhos vão ao longo de nossa jornada, incentivando a busca pela realização. Qual jogador de futebol não se  lembra da primeira bola e chuteira que ganhou, da brincadeira com os vizinhos correndo descalços em busca do gol, do nascimento do desejo de brilhar nos gramados do futebol mundial?

O sonho vai ganhando forma e a resposta já  está na ponta da língua: Quero ser jogador de futebol! Assistir os jogos ganha um sabor diferente, a imaginação projeta cada menino ao lugar de um grande ídolo.

Na hora do Hino Nacional é quase que instintivo, levantar-se, por a mão sobre o peito e cantar a plenos pulmões, pensando: um dia serei eu. Mas milhares destes meninos, tem seus sonhos roubados.

Muitos aspirantes, sofrem todos os anos com as peneiras dos clubes de futebol, sofrem sendo explorados por empresários que apenas almejam o lucro e com clubes que não os valorizam. O caminho é tortuoso, duro e muitas vezes a família trabalha dobrado pra bancar o sonho de seus filhos.

As categorias de base, são o primeiro passo rumo a glória. De elencos campeões, dois ou no máximo três ganham a chance de compor o elenco profissional e destes apenas um será titular durante a temporada.

Pedro Henrique, ganhou a chance de compor a zaga Corinthiana em meio a contratempos com os titulares. Campeão na base em 2015, Pedro com apenas 20 anos teve a imensa responsabilidade, e não sentiu o peso da camisa, assumindo prontamente o compromisso.

Predestinado! Sim, acredito que o jovem é o futuro do Corinthians, pois ele foi além de um simples jogador do clube, Pedro entendeu o sentimento do torcedor alvinegro.

Raça! Garra! Coração! Amor a camisa! A vontade de dar o sangue pelo Corinthians, de honrar o manto sagrado e cada um dos milhões de torcedores.

Na última partida, na derrota para o Atlético, Pedro Falhou... Falhou como qualquer jogador, mas diferente de muitos, Pedro sentiu, sentiu o erro e comoveu a todos.

Ao ver o jovem, chorando copiosamente sendo amparado por companheiros e pelos adversários, tive a certeza: o futebol, respira! E mais que isso, o Corinthians respira!

O futebol respira, através do amor de Pedro Henrique pelo Corinthians. Foto: Globo Esporte
 

“Graças a Deus a torcida compreendeu da melhor maneira possível, viu que não quis errar. Fui tentar um recuo para o Cássio e infelizmente errei, mas agora é bola para frente. O choro foi porque estou desde 15 anos aqui, aprendi a gostar do Corinthians, então quando a gente erra como foi é normal ter aquela tristeza, o sentimento de que podia ter feito melhor. Mas infelizmente aconteceu o erro e agora é levantar a cabeça, trabalhar, melhorar o que tiver que melhorar e pensar em conquistas" -Pedro Henrique.

 

Pedro trouxe a identidade de um jogador com o clube de volta, nos fez lembrar grandes Ídolos que viveram em prol de seus times. O que ha tempos, não víamos mais, ressurgiu com cada lágrima derramada.

Na música de Nando Reis, famosa ao ser cantada pela banda Skank, Samuel Rosa diz: Posso morrer pelo meu time, se ele perder, que dor, imenso crime. Posso chorar se ele não ganhar...”, o que se encaixa perfeitamente ao sentimento do garoto, que quis uma culpa que não era só dele. Como diz a letra, o zagueiro “tem a chave e o cadeado”, e a chance de mostrar o potencial, esta nas mãos, ou melhor, nos pés do zagueiro, pois o apoio e a confiança já foram dados.

O Corinthians é o começo da brilhante trajetória que virá. Fica como exemplo a falha de Alessandro na Libertadores. O capitão seguiu em frente e ergueu a taça do Mundial. Outro que cabe aqui, é o erro de Alexandre Pato, diante do goleiro Dida. Pelo erro, Pato acabou execrado do clube como grande vilão."

Que a comemoração se repita pelo profissional! Foto: Globo Esporte.

Seguindo a música: “se o time ganha, não adianta, não há garganta que pare de berrar!”. Que as lágrimas de Pedro Henrique, se tornem comemorações de títulos e glórias em sua vida e no Corinthians.

Mariana Alves.

 

 

O futebol respira, através do amor de Pedro Henrique pelo Corinthians. Foto: Globo Esporte