QUE SABE SER BRASILEIRO

 

Em 1965, a CBF decidiu que o time do Palmeiras representaria a seleção brasileira.

Mais de cinquenta anos depois, Prass e Gabriel Jesus, levam a força do Glorioso Alviverde Imponente para os jogos olímpicos.

 

Foto: reprodução internet

 

Quando os quatro imigrantes italianos, vieram para o Brasil e resolveram fundar um time de futebol, nem de longe imaginavam que ele seria tão forte e que representaria a seleção do seu país.

Os amigos Luigi Cervo, Ezechiele Simone, Luigi Emanuele Marzo e Vincendo Ragognetti, sonharam com um time que carregasse a ideia de família, característica marcante da cultura italiana, mas que ao mesmo tempo, incorporasse toda a paixão do povo que habitava o novo lar.

E foi assim que o Palestra Itália nasceu. Um time com origens italianas, mas 100% nacional.

A segunda guerra mundial marcaria para sempre a história dos imigrantes e do clube. Quando o Brasil entrou na guerra e se posicionou do lado oposto ao grupo de países formado pela Itália, Japão e Alemanha, todas as pessoas oriundas dessas nacionalidades, começam a sofrer preconceito e discriminação e o Palestra Itália passou a ser tratado pelos rivais, como "inimigo da pátria". O time foi obrigado a mudar de nome, sob ameaça de fechamento.

Em 1942, o Palestra Itália se tornou Sociedade Esportiva Palmeiras. O clube protagonizou uma cena que sempre enche os olhos do torcedor de lágrimas. Os jogadores entraram em campo para jogar a final do Paulista, campeonato em que estavam invictos, carregando a bandeira do Brasil e uma faixa que dizia: "Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras. E nascemos para ser campeões". Foram ovacionados pela torcida que gritava: "Palmeiras, Palmeiras, Brasil, Brasil!". Inesquecível. Impactante.

No início dos anos sessenta, o Verdão, apelido dado pela sua torcida apaixonada, já carregava uma invejável lista de títulos, entre eles, o de primeiro clube brasileiro a conquistar um título mundial, além disso, começava a formar o que se chamou de Academia de Futebol, assim chamado, porque possuía um elenco tão poderoso, que podia dar aulas para os outros times.

Foi por causa dessa história, desde sempre gloriosa, que em 1965 a CBF decidiu que o time do Palmeiras seria a seleção, num jogo contra o Uruguai. O elenco titular com Valdir de Moraes, Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina, Ferrari; Dudu, Ademir da Guia, Julinho, Servílio, Tupãzinho, e Rinaldo, venceu o jogo por 3x0.

 

Foto: forumpdt

 

O dia em que o Palmeiras se tornou a seleção brasileira, é motivo de muito orgulho para torcedor alviverde. Uma marca exuberante na história do clube e principalmente, o resgate da dignidade perdida na guerra. De “inimigo da pátria”, para representante absoluto!

Cinquenta e um anos depois, o Palmeiras está novamente na seleção. Agora, a presença não é maciça, como contra o Uruguai naquele jogo histórico, mas com certeza, o alviverde imponente está muito bem representado.

A convocação do gigante Fernando Prass e do abençoado garoto Gabriel Jesus, enche a torcida de orgulho.

Convocado pela primeira vez para ocupar o lugar de goleiro da seleção brasileira, com 38 anos na bagagem, o arqueiro alviverde, que já herdou a insígnia de santo de seu famoso antecessor, ficou surpreso ao ver o seu nome na tão sonhada lista, “É a realização de um sonho. Até os 44 anos eu ainda me dou o direito de sonhar”, disse sorrindo, São Prass.

Já o menino Jesus, que está no auge da sua carreira no Verdão e que, ao contrário do colega veterano, já usou a camisa canarinha, era convocação certa e esperada. Dono de um talento magistral, o jovem atacante, faz o que quer com a redonda e por isso tem feito europeu babar. Vários times já oficializaram ofertas para ter Jesus compondo o seu elenco. Mas, quando perguntado, o garoto, sempre sorridente, sai pela tangente “Fico feliz. É o reconhecimento do meu trabalho, mas hoje o meu foco é o Palmeiras e eu ainda quero viver muitas coisas aqui.” Assim espera a torcida palmeirense.

As Olimpíadas é uma das maiores competições esportivas mais importantes do mundo e esse ano tem sabor especial: será sediada em território verde e amarelo. A cidade do Rio de Janeiro receberá atletas do mundo inteiro, que participarão de competições em várias modalidades.

Apesar de a torcida brasileira andar cabisbaixa e não ter muitos motivos para comemorar, o técnico Rogério Micale, espera contar com o apoio para que a seleção olímpica de futebol conquiste a sonhada medalha de ouro.

Apoio e dedicação é que não falta ao torcedor palmeirense, o Palmeiras nasceu da luta e da fibra de um povo que escolheu o solo brasileiro para amar e respeitar.

A história alviverde está enfronhada na história do próprio país e carrega as marcas indeléveis de lutas e glórias. História que está escrita na alma de cada imigrante que por aqui chegou, trazendo a sua cultura e o seu coração, permanecendo nos filhos, netos, bisnetos e em todos os que um dia escolheram torcer pelo Glorioso Alviverde Imponente.

Uma história de amor que também está registrada no hino que entoamos para reverenciar o nosso Palmeiras;

Para que nunca se esqueça de que o coração verde e branco, é também verde e amarelo.

“Que sabe ser brasileiro, ostentando a sua fibra”.




por Alê Moitas