Raí, o Terror do Morumbi!

 

Meio campista, como poucos. Dono de dribles e jogadas desconcertantes, marcá-lo era tarefa árdua. O número da camisa não poderia ser outro, que não o 10!

 

 

Raí é sem dúvida, um dos maiores jogadores que já vestiu a camisa do SPFC. Foto: opiniaotricolor.com.br

 

Seguindo os passos do irmão

 

Em 15 de Maio de 1965 na cidade de Ribeirão Preto, interiorzinho de São Paulo, nascia Raí Souza Vieira de Oliveira, o mais novo dos irmãos de Sócrates. Sócrates que foi ídolo em um dos maiores rivais do Soberano e de toda nação junto a seleção brasileira, nem imaginava que veria seu irmão caçula, que até os 14 anos só se dedicava ao basquete ser tão amado quanto ele.

Raí começou a jogar futebol em meados de 1980, quando tinha apenas 15 anos. Tudo foi por acaso...

Ao ser convidado por um amigo para fazer uma peneira  no Botafogo de Ribeirão de Preto, Raí foi aprovado. Em 1985 chegou ao time  titular, e no ano seguinte acabou sendo  emprestado para a Ponte Preta durante o Campeonato Brasileiro.

 

Raí foi revelado pelo Botafogo-SP.

Foto: Globo Esporte

 

A passagem durou apenas um ano, retornando ao Botafogo em 1987, e tendo como treinador ninguém menos do que Pedro Rocha. Com a ajuda do técnico e a responsabilidade pelo nascimento de sua primeira filha, Emanuella, o atleta passou a se dedicar mais ao futebol, o  que fez com que o craque chegasse a seleção brasileira.

Em 19 de maio de 1987 ele estreou com a camisa canarinho e, chegou a ser convocado para a Copa América.

Foi extremamente cobiçado pelo Corinthians, mas preferiu seguir seu próprio caminho!


 

A chegada ao São Paulo


 

Ainda em 1987, o meio-campista que era  “apenas irmão do Sócrates”, chegou ao clube do Morumbi como uma das maiores transações nacionais da época  (24 milhões de cruzados),  para disputar o campeonato brasileiro e fez sua estreia contra o Grêmio em Porto Alegre. Mas não despontou logo de início, apesar de participar da conquista do campeonato Paulista de 1989, ainda era considerado um jogador lento e sem muita criatividade.

Em 1990 tudo começou a mudar! Telê Santana chegou para treinar o tricolor, e exigiu o máximo do atleta. Telê exigia tanto porque sabia que ele poderia render. E rendeu!

Raí marcou 20 gols no campeonato paulista de 91 e foi campeão. Depois conquistou a braçadeira de capitão, e se tornou símbolo daquele grupo, ganhando o brasileirão!

 

 

Jogador apático ? Sem vontade ? Sombra do irmão? NÃO! JAMAIS!

 

Raí começava ali a fazer sua própria história! No ano de 1992 fez a América se curvar pela primeira vez ao MAIOR DO MUNDO! Marcou o gol que levou o time a disputa de pênaltis perante 120 mil São Paulinos no Morumbi. Converteu o seu na cobrança de pênaltis e por mérito, levantou a taça de CAMPEÃO.

 

O craque ergueu a Taça da Libertadores em 1992.

Foto: La Pelota que sigo.

 

Chegou ao Japão para disputar o mundial de clubes contra o Barcelona, o time Europeu era dado como campeão, mas não esperavam encontrar pela frente Muller, Palinha, Cerezo e RAÍ! Em um dos jogos mais importantes da história do São Paulo Futebol Clube, o camisa 10 fez dois gols e de virada sagrou o tricolor paulista como MELHOR DO MUNDO!

Em 1993 chegou ao ápice e se tornou Bicampeão da América contra o Universidad Católica. Em uma goleada de 5x1, Raí deixou o dele.


 

Bienvenue à Paris

 

Raí não podia mais ficar no São Paulo. O jogador já com 28 anos precisava ganhar a vida na Europa e diante de tantas propostas escolheu, o Paris Saint-Germain.

 

Raí é ídolo do PSG. Foto: Gazeta esportiva

 

Demorou a se adaptar a Cidade Luz, mas quando se adaptou ganhou tudo que poderia ganhar: Copa Liga da França (95 e 98), Copa da França (93, 95 e 98), Campeonato Francês (94) e a Recopa Europeia (96). Foram 215 jogos e 72 gols, sendo atualmente o 7ª maior artilheiro da história do clube.

Se tornou ídolo entre os torcedores, e em sua despedida ouviu  aquarela do Brasil, com diversas placas verde e amarela espalhadas na arquibancada. Até hoje é considerado um dos maiores jogadores que vestiu a 10 do PSG.

 

O bom filho à casa torna!

 

Em 1998, Raí retornou ao São Paulo, do avião direto para o segundo jogo da final do campeonato paulista contra o time que idolatrava o irmão mais velho dos Vieiras. Mas o caçula era carrasco e não perdoou!

Chegou e marcou o primeiro gol da vitória de 3x1 que consagrou o São Paulo campeão!

 

"Depois de um tempo, fui eu que virei o irmão do Raí"- (Sócrates, craque da seleção brasileira na década de 80, sobre o fato de, no início da carreira, Raí ser chamado de "o irmão de Sócrates" e, depois, a situação ter se invertido).

 

Infelizmente o craque sofreu uma lesão que o deixou 9 meses sem poder pisar no gramado. Quando voltou foi novamente para ajudar o São Paulo a ser Campeão Paulista, em 2000 em cima do  Santos, e logo em seguida anunciou o término de sua carreira. Foram 395 jogos e 128 gols no total com a camisa do Soberano!

 

"Raí não ganhou títulos como Ronaldão e Müller, não desequilibrou como Careca ou Pedro Rocha, não encantou como Leônidas ou Gérson, mas fez um pouco disso tudo. Por isso, pode ser considerado o craque são-paulino de todos os tempos." (Revista Placar, edição 1165, Junho de 2000 - 581 craques do Brasil)

 

Não há palavras que definam Raí. Hoje muitos  garotos nascidos na década de 90, carregam o nome do craque, diversas pessoas têm em sua pele o autógrafo e até o rosto dele  tatuado e eternizado!

 

Raí é e sempre será o eterno TERROR DO MORUMBI!



por Jéssica Nogueira