REI, REI, REI, Reinaldo é o nosso REI!

REI, REI, REI, Reinaldo é o nosso REI!

 

Se perguntarem para a maioria dos brasileiros quem é o rei do futebol, certamente irão responder que é o “Rei Pelé”. Mas se você fizer essa mesma pergunta para os torcedores do Atlético MG tenho a certeza, de que a resposta será outra e uma só! Será “REInaldo, o Rei do Mineirão”.

 

A comemoração característica de  Reinado, era simbolo de sua militância. Foto: esporte.ig


 

Uma história de identificação com o Galo: recordes e lesões

 

José Reinaldo de Lima nasceu em 11 de janeiro de 1957 em Ponte Nova, Minas Gerais. Filho de Mário e Maria Coeli, é o sexto de oito irmãos sendo quatro mulheres e quatro homens, a família era bastante humilde, mas os seus pais não deixavam faltar nada em casa e para seus filhos.

Reinaldo iniciou sua carreira aos 14 anos jogando no Pontenovense. Aos 15 anos ao participar de um treino no Atlético jogando no ataque reserva contra a defesa titular que ganhará o Brasileirão poucos meses antes em 1971. Aquele dia o jovem garoto chamou atenção de todos pela sua ótima atuação e foi considerado um dos melhores em campo, mal sabia ele que ali se iniciava a carreira de um dos maiores ídolos do Clube Atlético Mineiro.

 

REI

No Pontenovense, Reinaldo (esquerda) foi descoberto pelo Atlético através do técnico Barbatana. Foto: tardesdepacaembu


 

Enquanto não tinha idade suficiente para jogar no profissional, o garoto ia jogando onde precisavam dele nas categorias de base do Clube. O jovem ganhava prêmios como melhor jogador em quase todas as partidas e foi apelidado carinhosamente por Roberto Drummond como “baby-craque”.

Em 28 de janeiro de 1973 aos 16 anos, Reinaldo por fim estreou pelo time profissional, em uma partida contra o Valério, o resultado desta partida foi Atlético 1-2 Valério. Naquele ano o pequeno mito, foi eleito a revelação do ano pela crônica esportiva mineira.

Em 1974 vieram os problemas, as temidas lesões que como todos sabem não foram poucas. De acordo com o próprio Reinaldo tudo foi consequência de um buraco no campo onde o mesmo pisará, causando assim uma torção no joelho esquerdo, passou pela  primeira das nonas cirurgias  e logo voltou aos gramados.

Ao lado de Paulo Isidoro formou uma das maiores duplas de ataques do País naquela época. Reinaldo não demorou cair nas graças da torcida e no auge daquela época já tinha se tornado o Rei da torcida atleticana.

 

Reinaldo, Paulo Isidoro e Marcelo.Foto: Revista Placar – 15 de abril de 1977.

 

Reinaldo era muito habilidoso e tinha talento de sobra e  sabendo de suas lesões, os adversários que não podiam parar ele na habilidade, paravam na força e na covardia, batendo principalmente em seu joelho. Mas quem pensa que com isso ele iria desistir, estava enganado!

Ele resistia as dores, encontrava forças para continuar ao som de sua apaixonada torcida que o aclamava ao som de “Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei.”

Em 1977 foi considerado o maior jogador de Minas Gerais, o menino de família humilde, conquistou e virou ídolo de uma das torcidas mais apaixonadas do país e com todo seu mérito era o MAIOR jogador do estado. Tornou-se artilheiro com a melhor média  de gols em um único Campeonato Brasileiro, foram 28 gols em 18 partidas.

Neste mesmo ano o Atlético terminou o campeonato sem perder um jogo, mas ficou apenas com o vice-campeonato, o título foi perdido numa disputa de pênaltis contra o São Paulo que terminou o campeonato com 12 pontos a menos, naquele tempo as vitórias valiam apenas dois pontos.

Em 1978, uma das maiores coisas que os jogadores de futebol de todo mundo almejavam era a seleção, e não iria ser diferente com o Rei. Reinaldo, chegou também a seleção, só que na época o mesmo fazia tratamento em um aparelho importado, mas durante a Copa ele diminuiu o mesmo. Chegou até a usar uma faixa no joelho qual escondia de todos, jogou apenas três vezes,  pela Seleção Canarinho marcando um gol, o primeiro do Brasil contra  a Suécia.

Depois da Copa, foi rumo aos EUA fazer outra cirurgia, se afastou 1 ano dos gramados, deixando todos os torcedores atleticanos ansiosos para sua volta. E quando rolou a tão sonhada volta, Reinaldo marcou um amistoso contra o Santos no Mineirão, antes da partida começar as luzes do estádio foram apagadas e a torcida acendeu isqueiros para iluminar e saudar a volta do Rei dos gramados do Mineirão.

 

As lesões no joelho, atrapalhavam a carreira de Reinaldo. Foto: Placar

 

Uma coisa que atrapalhou Reinaldo foram seus  joelhos com suas constantes lesões, isso era um “peso” na sua vida futebolística. Por causa das lesões Reinaldo deixou de ser convocado para vários amistosos da Seleção Brasileira naquela época.

 

O Gesto eternizado: Punho erguido!

 

Outro fato que impedia a participação do craque em algumas convocações  é um pouco polêmico. Reinaldo comemorava os seus gols de forma diferente dos demais.

De punho esquerdo erguido, um gesto que lembrava o dos militantes negros do movimento Panteras Negras, dos Estados Unidos, diziam que por causa disso, das suas posições políticas independentes, Reinaldo era visto com desconfiança pelos representantes do regime militar e por isso sua ida para a Seleção Brasileira ficou bem difícil.

Mas voltando ao assunto das doloridas lesões, ele fez diversas operações, inclusive fora do país com um dos melhores médicos da época. Depois de um longo período ele voltou ao Brasil, buscou ajuda na religião, parapsicologia e até mesmo no espiritismo para que por fim esses problemas acabassem. Seu joelho claramente  não aguentava mais tomar tantas pancadas, apesar de sua musculatura estar em perfeitas condições, o seu joelho sofrerá dois derrames consecutivos, o que  infelizmente dava sinais que a carreira dele seria curta.

Reinaldo voltou aos gramados com bastante cobrança, todos queriam seu magnífico futebol de volta, depois de treinos e mais treinos, aos poucos ele voltou a ser o Reinaldo que todos conheciam com o futebol mágico e impecável. Com isso veio a vontade de voltar a vestir a amarelinha e a torcida do Galo almejava a mesma coisa, só que a convocação não veio e foi aí que a torcida teve uma ideia genial.

A Nação atleticana organizou uma passeata no centro de Belo Horizonte, carregando o Rei nos braços e exigindo a volta dele para a seleção. Atleticano é doido e fanático desde sempre, já vimos por aqui.

Depois de várias operações no joelho, por fim decidiu deixar o Atlético em 1985, foi para o Palmeiras, permaneceu lá por 3 meses sem marcar nenhum gol, em 1986 passou pelo maior rival do  clube onde então era aclamado, o Cruzeiro e pelo Rio Branco, disputou apenas duas partidas pelo mesmo.

 

Capa da Revista Placar, sobre a ida de Reinaldo para o Palmeiras. Foto: Revista Placar

 

Para a tristeza do mundo futebolístico e muito mais para os atleticanos, Reinaldo aposentou suas chuteiras precocemente aos 31 anos de idade, seus joelhos já não aguentavam mais os zagueiros caçando-os. Sua última partida pelo Galo foi em 11 de agosto de 1985, contra o Ajax do Holanda, o resultado desta partida foi de Ajax 4-1 Atlético.

Uma coisa é fato, não é Reinaldo que sente falta do futebol, é o futebol que sente falta dele por ser um dos melhores  jogadores que já pisaram em um gramado. Minas Gerais agradece por você ser o maior artilheiro do estado com seus 309 gols. E se me perguntarem qual jogador que eu teria visto jogar, não irei nem pensar para falar,  com toda certeza será você, o eterno Rei da Massa Atleticana e do Mineirão. Obrigado por tudo!

 

Reinaldo é o maior artilheiro da história do Galo. foto: youtube


 

por Eduarda Moreira