Retrospectiva 2016 - Como foi o ano do Galo?

2016 não foi um ano como os atleticanos esperavam. Com um elenco considerado por muitos como o melhor do Brasil, incluindo reforços de renome, como Robinho e Fred, o Atlético chegou ao final do ano sem conquistar nenhum título de expressão. A diretoria trabalhou pesado, mas pecou em algumas escolhas, tanto para o comando da equipe quanto nas contratações, e o resultado foi a decepção de quem esperava muito e alcançou pouco.

Para começar o ano, Daniel Nepomuceno anunciou a contratação de Diego Aguirre como técnico do Galo. A escolha não agradou grande parte da torcida, já que Aguirre pouca experiência tinha em times grandes e ainda foi alvo de críticas pelo seu trabalho sem sucesso no Internacional.

A pré-temporada atleticana teve início e a equipe viajou até os Estados Unidos para disputar a Florida Cup juntamente com times brasileiros e de outros países. Neste torneio o Atlético se sagrou campeão após vencer o Corinthians e foi então que começou a equivocada impressão de que tudo corria bem. Curiosamente, o autor do gol que deu a taça ao Galo foi Hyuri, crescendo a expectativa por um bom rendimento na temporada que, de fato, não aconteceu.

Equipe comemora a conquista da Flórida Cup

FOTO: Site Oficial Atlético-MG

Pela Primeira Liga, competição que estreara esse ano no país com times do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, começaram a acontecer os primeiros deslizes. Com a desculpa de priorizar a Libertadores, o Atlético pouco fez e nem mesmo se classificou para o mata-mata da competição.

Ainda nessa toada de dar enfoque na competição continental, o Galo veio a campo diversas vezes no Campeonato Mineiro com times alternativos. Já então demonstrava a fraqueza do setor defensivo do time, que chegou a perder de quatro gols para o Tricordiano dentro do Independência. Classificado em 2º lugar para a semi-final, o Atlético enfrentou a equipe do URT e encontrou grandes dificuldades para chegar à final. A decisão aconteceu então entre América e Atlético e contou mais uma vez com escolhas consideradas por muitos como equivocadas. Para o segundo jogo, Aguirre optou por uma escalação diferente do usual, com Carlos César na direita e Marcos Rocha como camisa 10. Um dos zagueiros mais criticados pela torcida, Tiago, foi expulso após cometer a segunda falta grave, em poucos minutos, na linha do meio campo e complicou ainda mais a vida do Atlético, que obviamente não alcançou o seu objetivo. América Campeão.

Concomitantemente ao Campeonato Mineiro, se davam os jogos pela Libertadores. Sem nenhuma atuação excepcional, o Atlético passou pela fase de grupos, mas parou no São Paulo, que mesmo sem apresentar um bom futebol conseguiu anular as ações alvinegras. Lá se ia o sonho do bicampeonato continental.

Em meio a tantos deslizes, críticas as escalações e substituições, treinos fechados à imprensa, mas pouco desenvolvimento do time em campo, Aguirre já anunciava que não queria permanecer no comando do time e a diretoria tratou o mais rápido possível de trazer um novo técnico que pudesse salvar o ano atleticano. O escolhido foi Marcelo Oliveira, que vinha bem cotado por ter ganhado títulos importantes nos últimos anos de trabalho. Aos poucos o time também recebia alguns reforços, com a iminente saída de Lucas Pratto e também de Douglas Santos (só o lateral foi de fato vendido), Fred e Fábio Santos foram contratados. Ronaldo Conceição chegou para ajudar na defesa – mas ficou clara a não tão boa qualidade técnica do jogador.

Marcelo Oliveira no comando do Galo.

FOTO: Site Oficial Atlético-MG

Marcelo demorou para conseguir levar o time a parte de cima da tabela. O Galo que figurava o Z4 no início do Campeonato Brasileiro, foi se recuperando aos poucos e logo estava na briga pelo título. Mas os erros advindos do trabalho anterior continuaram acontecendo. Marcelo não conseguiu dar um padrão de jogo a equipe, que mesmo sendo eficiente no ataque – já esperado pela qualidade técnica dos jogadores de frente do time – era pouco organizado.

Não se viam jogadas ensaiadas e a equipe parecia não saber ao certo como se portar em campo. Durante o campeonato poucas foram as partidas que o Atlético jogou de fato bem e em quase todas tomou, ao menos, um gol. Os 53 gols sofridos ao longo da competição eram prova de uma defesa frágil, um meio campo muitas vezes frouxo, que dava espaço ao adversário e atacantes que nem tanto voltavam para ajudarem o mínimo que fosse em um primeiro combate. Time que quer ganhar o Brasileiro PRECISA de regularidade. E isso o Galo não teve.

Restava então a Copa do Brasil, competição um pouco mais curta e mais acessível para um time de altos e baixos. O Galo chegou à final e mais uma vez deu uma esperança fajuta a seus torcedores. Convenhamos, como esperar a taça de campeão quando o seu time avança até a decisão aos trancos e barrancos diante de Ponte Preta, Juventude e o fraco Internacional? O Grêmio apenas consagrou e demonstrou diante do Atlético o futebol que se espera de um time vencedor, com bom toque de bola, inteligência, contra-ataques rápidos e efetivos, além de uma defesa sólida.

Final da Copa do Brasil

FOTO: Site Oficial Atlético-MG

Fim de ano e o que pode ser feito então é internalizar os erros cometidos para que sejam retratados no ano que vem. A chegada de um novo comandante, conhecido pelo bom trabalho feito no tricolor gaúcho, já traz uma boa expectativa para o ano que se segue. Alguns jogadores já estão de saída e é evidente a necessidade de reposição em alguns setores da equipe. Também é preciso ter a consciência de que o time precisa reduzir os gastos com as folhas salariais, o que inclui a saída de uma ou duas das grandes peças do time. A partir de agora, diretoria, comissão técnica e os jogadores já garantidos para a próxima temporada devem começar a escrever com responsabilidade e inteligência os próximos passos da equipe.

E que 2017 venha com tudo aquilo que em 2016 não conquistamos!

 

Por Júlia Campos – Por você e com você até o final, Galo!