São Paulo domina mas joga mal, e vê o The Strongest, após 34 anos, voltar a vencer fora de casa.

Na noite desta quarta-feira (17), o São Paulo estreou na fase de grupos da Libertadores 2016, contra a equipe boliviana The Strongest, às 19h30 (Brasília), no Pacaembu. O resultado não foi o esperado pelos tricolores, que ansiosos, olhavam para o alto pedindo uma vitória, que veio, mas não para a equipe do Morumbi.

Imagem: Marcos Ríbolli

O Tricolor nunca havia perdido para o adversário jogando em casa, como mandante, sendo três vitórias em três jogos (2003 – 3x1, 2005 – 3x0 e 2013 – 2x1), perdeu. Já o Tigre não ganhava fora de casa desde o dia 15 de agosto de 1982... Sim! Quase 34 anos sem vencer longe de seus domínios, e a última vez foi contra um time também boliviano. Além disso, foi sua primeira vitória fora de casa na história do clube pela Copa Libertadores. Ainda por cima, seu agora treinador técnico, Mauricio Soria, assumiu o cargo há apenas 10 dias, mas usou jogadas de seu antecessor, o paraguaio Pablo Caballero, nos treinos e também no jogo, o que acabou dando certo e permitiu que a equipe fizesse um gol.

Nos dias anteriores à partida, Bauza manteve nos treinos o time base, que foi a campo no clássico contra o Corinthians, no domingo (14). O argentino fez ajustes, e também utilizou algumas novas peças, para testar possibilidades de esquemas táticos.

Mas no confronto da noite desta quarta, o técnico escalou o time com Denis no gol, Bruno, Lucão, Rodrigo Caio e Mena fazendo a linha de quatro zagueiros, com Hudson e Thiago Mendes de volantes, auxiliando Paulo Henrique Ganso, o meia de criação; Centurión  e Michel Bastos pelas pontas, acompanhados de Alan Kardec, o homem de referência.

No banco de reservas, Renan Ribeiro, Carlinhos, Kieza, Wesley, Calleri, Rogério e Lyanco.

Tendo pleno domínio da partida, com 67,9% de posse de bola, contra 32,1% da equipe boliviana, o São Paulo mais uma vez pecou na falta de pontaria. Deu 18 chutes ao gol, mas apenas 4 desses foram em direção à meta adversária, sem sucesso. Ao contrário do The Strongest, que teve 7 boas chances, concluindo 4 delas, sendo uma na trave e uma que resultou no gol da vitória.

Houve muita jogada de criação pelo lado do Tricolor, que teve oportunidades de chegar ao ataque no primeiro tempo, mas ineficiente, não converteu as chances em gol.

Logo no início da partida, Ganso teve como abrir o placar, após recuo errado da zaga para o goleiro da equipe boliviana, mas ele apenas acertou as pernas de Vaca. Cinco minutos depois, Rodrigo Caio foi driblado por Alonso, que acertou a trave direita de Denis, após erro na saída de bola. Entre os 17 e os 19 minutos, o São Paulo assustou a defesa boliviana por diversas vezes, mas Vaca, o goleiro do Tigre, afastou o perigo em todas elas, inclusive quando Lucão cabeceou e quase marca para o Tricolor.

Mesmo com o São Paulo com maior posse de bola e mais chances de fazer gol, os jogadores pareciam estar perdidos. Tanto é que Ganso, apagado, só foi aparecer novamente aos 27 minutos, quando teve sua finalização defendida por Vaca. Aos 30, mandou uma bola longe, após subir sozinho em cobrança de escanteio.

Em seguida, o Tricolor teve mais uma vez a chance de abrir o placar, com Ricardo Centurión, que desperdiçou o lance após a bola cair em seus pés, em uma saída de bola do The Strongest. O compatriota de Bauza tem deixado a desejar, e já não é de hoje, mas o técnico manteve o jogador nessas últimas partidas, talvez para fazer com que o mesmo reencontre o caminho das redes.

Aos 38 minutos, Michel Bastos cruzou a bola, que foi desviada por Alan Kardec, batendo no pé da trave do Tigre. Porém, o centroavante tocou a mão na bola do lance.

As equipes foram para os vestiários com um empate em 0 a 0, e com muitas oportunidades perdidas.

Na etapa complementar, Bauza sacou Hudson para a entrada de Jonathan Calleri, e o São Paulo continuou dominando o jogo, e também não aproveitando as chances que tinha para abrir o placar.

E como diz o ditado que parece perseguir o Tricolor, “quem não faz, leva”... Aos 17 minutos, Pablo Escobar cobrou escanteio, e Alonso cabeceou e balançou a rede de Denis, após cruzamento de Chumacero, que apareceu livre e em posição legal para fazer a jogada ensaiada.

Imagem: Marcos Ríbolli

Centurión saiu de campo vaiado, aos 22 minutos, para dar lugar ao novo talismã e xodó da torcida, Rogério. No minuto seguinte, o técnico argentino colocou Kieza na vaga de Alan Kardec.

As mudanças não surtiram efeitos, e os jogadores erravam muitos passes e finalizações, e ainda colaboravam com o Tigre, com bolas fáceis de serem cortadas. Assim foi o jogo até os minutos finais da partida. Kieza, aos 41, ainda teve uma grande chance de empatar para o São Paulo. Cara a cara com o goleiro boliviano, o camisa 9 chutou para fora, levando a torcida à loucura.

Durante boa parte da etapa complementar, a torcida protestou contra o time e alguns jogadores, com cânticos como "Ai que saudades de quando o São Paulo jogava com vontade” e "Não é mole não, estou cansado de time amarelão"! 

Na próxima rodada do Grupo 1 pela fase de grupos da Libertadores, o São Paulo vai à Argentina enfrentar o atual campeão River Plate, no dia 10 de março, às 19h30 (Brasília). Já o The Strongest recebe o Trujillanos, na Bolívia, no dia 2 do mesmo mês.

Pelo Campeonato Paulista, o Tricolor enfrentará o Rio Claro no domingo (21), às 17h (Brasília), no Pacaembu, e a torcida provavelmente poderá ver a estreia do ídolo Diego Lugano, que tem se preparado a cada dia para defender o time que faz parte de sua história.

A noite de quarta-feira não foi como tanto ansiamos. Não foi a partida que o são-paulino imaginou que seria. Faltou tudo aquilo que tanto se pede aos jogadores a cada jogo. Raça, força de vontade, gana, ÂNIMO! Faltou sentir o peso que a camisa do São Paulo tem. Faltou sentimento, faltou paixão... E acima de tudo, faltou amor. Porque quando se tem amor, tudo aquilo que se espera, simplesmente acontece.

 

Renata Chagas