Se é para falar de ídolo, eu sempre irei falar dele

 

Foto: Carlos Insaurriaga/GEB

 

 

O meu ídolo no futebol brasileiro não é nenhum jogador com corte de cabelo da moda, tatuagem no pescoço, que faz ostentação nas redes sociais, até porque, o mesmo não é adepto à esses veículos de comunicação.

 

 

Foto: Assessoria de imprensa/GE

 

 

Mas sempre é bom lembrar que ele já atuou como jogador, não profissionalmente, mas já teve seu momento de lateral-direto. Estava escrito que ele seria treinador, o melhor que eu já vi atuar no meu time de coração.

Vamos falar de Rogério Garcia Zimmermann. O RZ!

Nascido no dia 10 de junho de 1965 (53 anos), Rogério é natural da capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre e carrega consigo um prestígio enorme como técnico.

Formado em Educação Física, começou sua história no mundo do futebol, jogando nas categorias de base como lateral no Cruzeiro e São José, clubes gaúchos.

Mas o perfil de comandante falou mais alto. Em 1983 começou a treinar as categorias de base do São José, conhecido como Zequinha, equipe da capital. Alguns anos depois, em 1990 foi para as categorias de base do Grêmio, onde ficou por muitos anos, 10 anos para ser mais exata. É tempo!

Já em 2002 saiu do Sul do país e foi para São Paulo, onde treinou o ECUS (Suzano/SP), onde ficou um ano.

 

 

Seu histórico é bastante extenso:

1983-1989 - São José/RS (categorias de base)

1990-2000 - Grêmio/RS (categorias de base)

2002-2003 - ECUS/Suzano SP

2004 2005 - BRASIL DE PELOTAS/RS

2006 - Ulbra/RS e Canoas/RS (no mesmo ano)

2007 - Santa Cruz/RS

2008 - Esporte Clube Pelotas/RS

2008-2010 - Cabense

2011-2012 - Canoas/RS

2012-2017 - BRASIL DE PELOTAS/RS

 



Foto: Facebook Oficial do clube

 

 

E seu último clube foi o Joinville de Santa Catarina.

Sabendo muito sobre a trajetória dele no Brasil, posso falar algumas de suas conquistas, das nossas conquistas.

Em 2004, na primeira vez em que esteve à frente do rubro-negro, o Brasil se encontrava na maldita segundona do estadual. No primeiro semestre já éramos campeões do citadino, quem é Xavante sabe a importância que isso teve. Um clássico na cidade, o Brasil jogando com dois atletas a menos, na casa do adversário ganhou e a torcida fez a festa, obviamente ele caiu nas graças de todos (ou quase todos), eu posso afirmar com toda certeza: ele ganhou uma fã em 2004. Naquele mesmo ano voltamos pela porta da frente para o lugar de onde nunca deveríamos e nem devemos sair: elite do futebol gaúcho.

E então ele deu sequência ao trabalho, nos fazendo campeões da Copa Emídio Perondi (2005), vice-campeões da Copa Hélio Dourado (2012), vice-campeões do Campeonato da Região Sul Fronteira (2013), Bi-Campeões Gaúchos do Interior (2014-2015), vice-campeões da Série D do Campeonato Brasileiro e claro, nossos acessos da D para a C e da C para a tão sonhada Série B do Brasileiro.

E não só ganhou meu coração como também o título de cidadão Pelotense.

Essa admiração que tenho pelo Rogério começou lá no dia 31 de janeiro de 2004, quando o calor era insuportável, quando meu pai acordou cedo para ouvir o primeiro jogo dele ao comando do Brasil diante da Ulbra, quando vencemos por 3x2 e quando eu ouvi a coletiva e já comecei a sonhar com a primeira divisão.

O clube possui vários ídolos, cada torcedor tem o seu, mas falando por mim, pela minha idade e pela história que eu vi e vivi, afirmo com toda certeza desse mundo que ele me proporcionou as maiores alegrias dentro e fora do Bento Freitas. Sempre admirei a sua postura, inteligência, competência, visão de jogo e confiança, por mais que não concordasse com certas mudanças em algumas partidas eu confiava, eu sabia o que ele estava fazendo.

Sempre existirão os "antis", muito eu ouvi coisas desnecessárias por idolatrar tanto um técnico, um estrategista, um arrogante e etc, mas o que essas pessoas nunca se deram conta, é de que ser fã não é ser cega, ser fã não é ser burra, ser fã não é achar lindo e aplaudir tudo, a diferença é que um fã tem seus motivos para gostar de tal pessoa, e eu sempre argumentei e o defendi pois eu sabia o que estava falando. Eu não sou uma guria boba, sei exatamente quem colocar em um pedestal, e eu tenho ORGULHO de dizer que ele é meu ÍDOLO.

Eu fiz uma promessa em um jogo dentro da nossa casa e cumpri, tenho o autógrafo dele tatuado na pele e a primeira pergunta: "e se ele for para tal time, tu vai apagar?" - NÃO! Poder apagar eu posso, mas eu não quero e não vou, um laser ou uma cobertura não apagará da minha memória que de curta não tem nada, toda a história dele com o amor da minha vida, o Brasil. Não apagará todas as lágrimas derramadas de tanta alegria, não apagará todas as conquistas que um dia eu sonhei, não apagará o dia em que ele esperou um ônibus com torcedores que chegou de Brasília depois de um acesso, que ele me abraçou e me agradeceu, quando eu deveria falar isso para ele, quando o meu ídolo virou meu fã em uma tarde. Em outro clube, com outra torcida, eu recebi uma camisa autografada em casa de presente. "ELE LEMBROU DE MIM".

 

 

O dia em que ele viu pela primeira vez a tatuagem, boatos que fiquei meses sem lavar o tornozelo.

Foto: arquivo pessoal

 

 

Depois de cinco anos, quando eu vi a nota no site oficial do clube de que ele iria sair, eu não sei explicar a tristeza que eu senti, parece que um pedacinho meu estava indo embora e é assim que eu sinto. Não me acostumei a não ouvir mais as entrevistas cheias de ironia pós jogo ou os surtos à beira do gramado. Na coletiva de despedida, como eu chorei, como eu senti vontade de implorar para ele ficar, mas futebol é feito de ciclos e não importa para qual clube ele vá, qual rumo ele siga, a minha torcida será eterna, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Gratidão é a palavra que resume a passagem dele aqui e eu espero muito que um dia ele possa voltar, eu vou estar de braços abertos esperando, pois aqui tem uma mulher muito GRATA, que admira e respeita muito esse profissional.

Hoje estamos aí firmes e fortes, afinal o show tem que continuar, mas continuo "viúva do RZ". Enquanto eu existir, na minha frente ninguém vai falar bobagem e ficar sem resposta: AQUI NÃO!

Ele tem seu passado de glória, tem o seu nome gravado na história, na pele e na memória.

 

 


Coletiva de despedida. Foto: Leandro Lopes

 

 


Por Bruna Porto.