Se fosse fácil, não seria Inter

 

 

Essa é a frase que resume a atual situação. E não é com orgulho que ela foi escrita. Muito pelo contrário. Em um jogo polêmico, o colorado finalmente quebrou o gelo dentro do Gigante da Beira Rio e conquistou sua segunda vitória em casa, batendo o Luverdense por 1 a 0, com tento marcado já nos acréscimos da etapa final.

 


Pottker marca o único gol da partida, em um lance polêmico, já nos acréscimos do segundo tempo (Foto: Interligados/Facebook)

 

 

Para aquecer a noite gélida de Porto Alegre, o jogo desta terça (18), teve muita emoção. Dramático para os colorados até o último minuto. Teve gol polêmico, invasão de campo e discussão. O Inter tentou, lutou, chegou. Mas nada do gol. Parece que fizeram uma mandinga daquelas brabas, na casa colorada. Não importa quantas vezes o time chegava, ou o arqueiro do Luverdense se consagrava, ou o travessão auxiliava, ou alguém estava impedido, mas a bola não queria saber de entrar.

Antes mesmo do início, Guto Ferreira já errou na escalação. Um time com três volantes e sem nenhum meia, necessitando da vitória. O plantel entrou em campo formado por Danilo Fernandes, Claudio Winck, Danilo Silva, Victor Cuesta, Uendel, Rodrigo Dourado, Edenílson, Felipe Gutierrez (D'Alessandro), Diego (Carlos), William Pottker e Nico López (Joanderson).

Na primeira etapa, muito sofrimento. Nenhum colorado imaginava tanta dificuldade para vencer o Luverdense em casa. O jogo corria, a bola chegava nos atacantes, porém sem êxito. Logo aos 2 minutos, Diego dominou pela direita, e acionou Edenilson. O volante colocou na cabeça de Nico, que empurrou para as redes. Impedimento bem marcado, assinalado antes da finalização, mas a jogada continuou, E NENHUM JOGADOR DO LUVERDENSE PAROU NA ÁREA. Aos 5, foi o próprio Edenílson que quase marcou, mas o goleiro espalmou para escanteio. Aos 20, o mago Pottker pegou bem na bola, deu um chutão, mas bateu na trave. No final, até Cuesta tentou, mas aos 38 em lance de muito perigo, a bola foi para fora. E foi assim, antes do intervalo tivemos apenas finalizações coloradas, em um jogo dominado pelo Inter.

No segundo tempo, as duas equipes retornaram sem alterações. Logo aos 5 minutos, chegada colorada. Nico tocou para Edenílson que chutou forte, mas o goleiro conseguiu espalmar. Aos 7, Uendel recebeu um baita cruzamento do Gutiérrez, mas mandou para fora. E para quem está dizendo por aí que o Luverdense não merecia perder, apenas aos 09 minutos da etapa final é que veio a primeira finalização. Moacir tentou de dentro da área, mas Danilo Fernandes foi mais rápido.

Aos 21, finalmente Guto toma uma decisão feliz, ao trocar Gutierrez por D'Alessandro, em uma tentativa de servir o ataque com mais efetividade. E funcionou. Aos 41, o argentino cobrou falta, a bola sobrou para Winck completar e mandar para o fundo das redes. NO ENTANTO, COMO SEMPRE, IMPEDIMENTO MARCADO, GOL NÃO VALIDADO (MAS O JUIZ SEMPRE AJUDA O INTER, NÉ NÃO?). Para fechar o tempo normal, aos 45 Carlos chutou a sobra do goleiro, mas inacreditavelmente Diogo Silva voltou para defender.

Só que não acabou. Nos acréscimos, quando a maioria dos desacreditados torcedores, que enfrentaram um frio de 5 graus para ver mais um empate horroroso em casa, já deixava o estádio, acontece o lance mais polêmico do jogo. Aos 46 minutos, após lançamento para William Pottker (que nem chegou a receber a bola), o bandeirinha, DE FORMA PRECIPITADA E INCOMPETENTE, assinalou impedimento. Como o juiz não apitou, Jonanderson (NUNCA CRITIQUEI) continuou a jogada. A zaga do Luverdense parou, e o jogador colorado serviu Pottker que marcou o gol da tão sofrida vitória.

Após o gol, os jogadores do Luverdense e até mesmo a comissão técnica, foram para cima do árbitro e do assistente. D'Alessandro não deixou barato. “Defendendo” a legalidade do gol, brigou com os jogadores visitantes, e teve que ser contido por Danilo Silva e Danilo Fernandes. Apenas quando o relógio marcava 60 minutos, é que a partida foi retomada, e aos 62 o árbitro apitou o fim.

Final Internacional 1 x 0 Luverdense.

William Pottker, emocionado, chorou após o gol e desabafou nos microfones:

 

 

"Falei na minha última entrevista. Quero ser bem justo. Estavam errando muito para a gente. A vida deles é muito difícil. Vão errar, acertar. Eu tenho certeza que acertou. Sei que não é fácil. São frações. O bandeira colocou a mão na cara. O juiz é autoridade. Deixou o jogo seguir. Acredito que tenha feito o máximo. Às vezes, vamos ter que ganhar na superação, como foi hoje".

 

 

E foi assim, com muito sacrifício que o colorado venceu o Luverdense - time que está no Z4 - dentro da sua própria casa. Um absurdo. Contudo, sejamos justos. O time mato-grossense não jogou NADA. O juíz, autoridade máxima, não apitou. Em todos os jogos, os times continuam as jogadas mesmo após a marcação do impedimento, na tentativa de que seja validado. Mas contra o Inter, reclamam até quando o juiz acerta. Gol legal e vitória mais que merecida.

Essa noite fria, que com o calor de sua emoção quebrou o gelo de vitórias no Gigante, jamais será esquecida por ambas as equipes. Com esse resultado, o Inter se aproxima do G4 e soma 24 pontos, ficando atrás do CRB, que fecha o seleto quarteto em razão do número de vitórias. O Luverdense, por sua vez, se afunda ainda mais no Z-4, em 18o com 16 pontos.

 

 

Vitória fraca, mas justa e merecida.

Por: Melina Bölner.