SE NÃO TEM MARRA, VAI NA GARRA.

 

 

MACACA QUEBRA "TABU" SANTISTA E CALA 37 MIL PESSOAS NO PACAEMBU

 

E quem acreditava que seria fácil, entendeu porque sempre dizemos que torcer para a Ponte é um teste cardíaco diário. Somos chamados de coitadinhos e tratados sempre como time pequeno ou a zebra do campeonato. Somos menosprezados e às vezes até humilhados.

 

Entramos em campo já imaginando que mesmo com a vantagem, jogaremos contra 14. Ontem não foi diferente.

 

Passamos a semana toda escutando os programas de esportes que gozavam da nossa cara o tempo todo. Que diziam que o Santos era o favorito absoluto e que no Pacaembu, após 17 jogos sem perder, o Santos iria tirar a vantagem do primeiro jogo.

 

Não foi fácil. Passou longe de ser. Mediante a uma equipe que só o banco de reservas teria habilidade suficiente pra ser equipe titular em qualquer lugar. Pode nos ter faltado a habilidade. Pode nos ter faltado a folha salarial milionária. Mas a garra, a não, essa não faltou.

 

Não faltou a garra do Nino pela lateral, mesmo quando os cruzamentos eram falhos. Não faltou a perseverança do Yago na zaga, mesmo quando Ricardo Oliveira insistia em driblar bonito. Sobrou pique pro menino Clayson, quando só esperávamos por aquela bola que poderia matar o jogo.

 

Pottker, nosso artilheiro tão acostumado com a forte marcação, entendeu porque hoje é um dos melhores jogadores do Brasil, não deixavam o bruxo jogar. E o Kleina, que com a cabeça fria manteve a equipe calma, ao lado de um coração que provavelmente ardia de emoção dentro do peito do Brigatti.

 

Passaram-se então os sofridos 90 minutos. Penalidades e Vanderlei eram a combinação perfeita que o adversário esperava.

 

Mas ali ele apareceu. Ali estava Aranha!

 

Olhando nossos batedores, eu só conseguia imaginar "Deus, se não for pra ser hoje, só não me deixe enfartar".

 

Olhava ao meu redor, pouco mais de 1.800 macacos presentes, angustiados e despreparados para enfrentar tudo aquilo, viravam-se de costas, se ajoelhavam. Ali quietinha no meu degrau fazia minhas orações e pedia para nossa senhora dos goleiros, que nosso paredão brilhasse.

Escolhemos o lado, vamos juntos da nossa torcida.

 

Primeira rodada de cobrança e tudo igual.. mas aí ele brilhou. David Brás cobrou e Aranha pegou. Meu coração quase parou e eu já não conseguia mais assistir.

 

 

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Foto: ESPN

 


Mas ali eu não era a única, né Higor: "Ontem, momento do pênalti, já não estava aguentando de tanto teste no coração durante o jogo inteiro, com esperança, mais ainda com os pés no chão, até a defesa do aranha, os pênaltis foram prosseguindo até chegar o último, dele, o bruxo, assim como fiz em todos os pênaltis, não olhei, agachei, fechei o olho, até ouvir o barulho da torcida, olhei pro meu pai, emocionado, e dei um abraço. Naquele momento senti, alívio, alegria, emoção, e principalmente uma esperança. E percebi, que pode passar anos e essa esperança nunca sairá de nós pontepretanos, por que vivemos o momento e naquele momento, eu era o torcedor mais feliz do mundo" - Era essa a emoção do Higor que ali bem perto acompanhava tudo.

 

Acabou, passamos! Sim - passamos mais uma!

 

A muito não se via jogadores comemorando com a torcida, mas nessa hora também precisávamos ser reconhecidos.

 

 

Venha o final de semana, venha o Palmeiras!

Estão nos deixando sonhar e nós estamos levando isso bem a sério!

 

Li Zancheta - Eu sou macaca de coração. Eu sou do time que vai ser o campeão, olê olê