Sobre mulheres, futebol e obsessão

Imagem retirada da internet
 
Hoje em dia é fácil chegar ao estádio e se deparar com uma multidão de mulheres prontas para assistir mais uma partida. É fácil andar na rua e ver cada uma carregando o escudo do time amado. É fácil sentar em uma mesa de bar e elas saberem falar sobre o campeonato que está em andamento, como aquela contratação foi importante ou como é incrível o Leicester ser o líder da Premier League. 
 
Mas, sabe o que não é fácil mesmo? É ser questionada se torce para esse time só para acompanhar o pai ou o namorado. Ou então ser obrigada a explicar o que é a regra do impedimento para que – só depois dessa incrível demonstração de conhecimento – ser considerada como “uma mulher que entende de futebol”. Não, mulher não vai ao estádio para acompanhar uma figura masculina, nem veste a camisa de um time porque é obrigada. Mulher comparece porque gosta, porque apoia, porque se diverte com isso. 
 
O incrível do futebol, é que não existe uma exigência para que alguém se interesse por ele. Pode ser homem, bem como pode ser mulher. Não importa a idade, a religião ou a orientação sexual. Futebol é para unir, é para divertir e entreter. Não para segregar. 
 
Como tudo na vida, no futebol a mulher cai de cabeça. Saberemos a escalação do time de trás para frente se perguntarem, saberemos dizer quem são os nossos ídolos e daremos detalhes das partidas mais importantes que presenciamos. Saberemos dizer por qual esquema tático de jogo o técnico opta e se aquele lateral serve ou não para ser improvisado lá na frente. Se preciso iremos criticar, pedir reforços ou mais raça ao time. Mas apoiaremos incondicionalmente e isso independe de quais cores escolhemos representar. 
 
Não escolha ser aquele com quem batemos de frente, escolha ser aquele que entende o nosso mau humor após uma derrota ou a nossa euforia após uma vitória que vem aos 45 do segundo tempo. Não nos critique por assistirmos ao VT daquela final incrível do campeonato em que nosso time foi campeão. Nem por colocarmos bem alto no carro o narrador gritando o gol do nosso time. Nós assistiremos - sim! - à todos os programas de esportes que estiverem ao nosso alcance e as páginas de esporte estarão salvas como favoritas no nosso computador. 
 
Não subestime uma mulher e seu poder de se tornar absolutamente comprometida com alguma coisa que lhe afeta, assim como é com o futebol. E às mulheres apaixonadas por esse esporte, não sucumbam aos que tentam nos desestabilizar. Nossa obsessão se tornará sempre mais forte e nós mais presentes e mais fiéis!
 
Júlia Campos