Status: Finalista.

 

É chegamos lá! O Clube de Regatas do Flamengo superou a si e os desafios que impuseram a ele. Se não bastasse uma temporada ridícula e totalmente irregular, estamos terminando o ano numa final internacional. Bem, não é a Libertadores, mas é o segundo torneio principal das Américas. Lá vamos nós com a responsabilidade de ser o Brasil contra a Argentina. Num jogo difícil, conturbado, sofrido, saímos com a vitória. Quem diria né rivais?

Então vamos falar de bola rolando. Que jogo! Não foi a partida mais brilhante, sofremos muito, mas conseguimos. Aquela expectativa de quem assumiria o gol só foi acalentada quando anunciaram o Cesar pouco antes do ínicio da partida, que ele mesmo admitiu que só soube que jogaria no dia. Logo antes, no aquecimento, perdemos nosso capitão Réver. Ah essa “uruca”, praga ou o nome que queira dar, para cima de nós. Talvez por voltar de lesão ou desgaste de final de temporada mesmo. Fizemos nosso jogo de número setenta e oito. Agora, oficialmente, restam três.

Sabíamos que seria pressão total, mas juro que não imaginei que seria tanta assim (opinião pessoal mesmo). Afinal se botar no papel, temos muito mais elenco que o Junior Barranquilla, sem querer desmerecer o adversário. Mas como foi no ano inteiro, mesmo depois dos reforços, continuamos sendo excelentes na folha. Fizemos um papel diferente do que costumamos ver, Flamengo recuado, que mal conseguia tocar na bola e sem desperdiçar as muitas chances que tínhamos. Não deram espaços, se para nós era a redenção para eles o sonho de ir pela primeira vez a uma final continental.

 

- Primeiro Tempo:

 

Reprodução

 

Se tem o que dizer a nosso favor nos primeiros 46 minutos foi que conseguimos segurar. Cesar conseguiu ser muito eficiente e logo no início da primeira etapa mostrou confiança para ele próprio, os companheiros e nós torcedores. E para resumir, só deu Junior. E tenho certeza que quando o juiz apitou, nós rubro-negros conseguimos, enfim, respirar e pensar “só faltam um pouco mais que 45 minutos”.

 

- Segundo Tempo:

 

Foto: Luis Acosta / AFP

 

Os cinco primeiros minutos foi um “Deus nos acuda”. Eles voltaram ainda mais desesperados para marcar, afinal só precisavam de um gol para se classificarem. Porém, Trauco achou Felipe Vizeu e tocou para ele que deu uma arrancada do meio de campo, tirou de Pérez com um toquinho, ganhou de Cantillon, e na velocidade, chutou na saída do goleiro, aos 6 minutos, para abrir o placar. Ah, agora eles iriam se abater, que nada, a panela de pressão continuou a ferver. Eles precisavam vencer, só que no momento precisavam virar com dois gols para levar aos pênaltis e três para se garantir. Tentaram muito, mas quem brilhou foi Juan e Cesar, além do azar em alguns lances e sorte nossa. Com tantos lances na nossa área, aos 42 do segundo tempo, pênalti para o Junior, e caso fizesse iria incendiar a partida deixando ainda mais dramático o jogo. Ave, Cesar! Ele defendeu a cobrança de Chará, que caiu para o lado direito, e se consagrou igual quando defendeu as penalidades na Copa São Paulo em 2011. Ele estava predestinado. Se seriam cinco minutos a mais, o mais querido só precisou de mais um. Diego, que estava muito abaixo do seu nível na partida, bateu falta rápida para o Rodinei, que desceu a lateral com a defesa adversária desprevenida, cruzou na área e Vizeu marcou o segundo do Flamengo e dele no duelo. Com isso carimbou o passaporte para a final.

 

Foto: Luis Acosta / AFP


 

Acho que não tem como falar do confronto sem falar de outros destaques. Há uma semana vivíamos o drama de perder nosso número um, entrou um goleiro cheio de desconfiança que na partida seguinte falhou bruscamente e desnecessariamente. Nosso maior medo voltava justo na hora mais decisiva. Só que quero falar de parte boa: a base é f....! Lucas Paquetá, mais uma vez, incansável e sem parar, deu a vida. Felipe Vizeu numa noite inspirada, provou ser o centroavante que tem que ser, substituindo a altura nosso artilheiro Guerrero. Ah e Cesar foi a definição exata do significado do seu nome o que tem cabelos fartos e longos. Indica um homem inteligente, com excelente memória e que tem sempre uma ideia brilhante para facilitar seu trabalho. Essa sua capacidade lhe traz grandes lucros. Ontem ele assumiu o papel daquele que sentimos saudade: imperador. Na história romana, o nome do nosso goleiro significava esse título.

 

O protagonismo dele foi fundamental, a entrega e o sacrifício, já que muitas vezes sentiu dores ao longo do jogo, deu a nossa possível redenção. Ao final do jogo tivemos um show de humildade dele e do Muralha, enquanto o primeiro fez questão de dividir sua honra com seu companheiro e outros, o segundo pediu desculpas à torcida pelos erros cometidos. Mostrou o lado humano, afinal nunca será só futebol.

 

Foto: Luis Acosta / AFP

 

Agora a Cesar o que é de Cesar e partiu Buenos Aires para o jogo de ida já na próxima quarta (6) e depois no dia 13 jogar diante da nossa torcida, na nossa casa, Maracanã, levantar o caneco depois de assistir nossa redenção. Oh rivais, vai torcendo, que vamos sim dar mais uma vaga para vocês na Liberta do ano quem e vamos garantir a nossa. Juro que não quero parecer prepotente, mas estou/estamos sonhando sim! “E essa taça vamos conquistar, vamos Flamengo, vamos ser campeão”. Ainda temos o último compromisso pelo Campeonato Brasileiro, domingo (3) às 17h, em Salvador no Barradão a luta entre se salvar do rebaixamento e garantir a classificação na Libertadores 2018. Então vamos lá Mengão!

 

Por Paula Barcellos