SUPER AÇÃO DA SUPERAÇÃO

Após ser eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista pelo Audax, o São Paulo tinha pela frente o jogo da última rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, em La Paz, no estádio Hernando Siles.

Todos sabiam que a partida não seria fácil, pois mesmo com o Tricolor precisando apenas de um simples empate, jogaria não só com o The Strongest, que durante a semana anterior ao confronto, provocou e foi provocado, mas também e principalmente contra a pressão e a altitude.

As desconfianças começaram desde o momento em que a escalação oficial saiu. O meia Paulo Henrique Ganso aparecia no banco de reservas e para muitos, o técnico argentino estava se equivocando, enquanto que para outros, apenas usando de estratégias e sendo inteligente.

Com três volantes para definir a marcação, o Tricolor foi a campo com Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Thiago Mendes, Hudson e Wesley; Kelvin e Michel Bastos, e Calleri.

A pressão dos anfitriões foi desde o primeiro minuto, com os comandados de Bauza na defensiva, abrindo mão da posse de bola, já que o melhor seria preservar a equipe de grandes esforços.

Pressionado, o São Paulo teve apenas uma chance de abrir o placar, mas Wesley (um dos nomes da partida, por incrível que pareça!) chutou por cima do gol.

Aos 24, Denis levou cartão amarelo por demorar na batida do tiro de meta.

Mas, 4 minutos depois, a estratégia de Patón que até então parecia dar certo, foi ignorada pelos bolivianos. Escobar cobrou falta na área, Denis defendeu não como deveria, e Cristaldo apenas aproveitou a sobra e cabeceou. 1 a 0 para o time da casa, e as chances do Tricolor seguir vivo bem mais remotas.

(Imagem: Aizar Raldes / AFP)

Porém, a zaga boliviana esqueceu de Calleri, e com o argentino em campo, foram precisos apenas 15 minutos para sair o gol de empate.

Aos 43, Kelvin cobrou escanteio pela direita e o camisa 12 subiu mais que os bolivianos, cabeceou e marcou. Empate com gosto de vitória e o atacante na artilharia da Libertadores, com 8 tentos.

(Imagem: Aizar Raldes / AFP)

Com a classificação momentaneamente garantida, o São Paulo voltou do intervalo sem alterações. Nessa hora o torcedor já pedia por Ganso, que entraria apenas na metade do segundo tempo, aos 21, substituindo Michel Bastos. Antes, aos 19 minutos, Caramelo entrou no lugar de Bruno, e Alan Kardec substituiu Jonathan Calleri, aos 30.

Precisando da vitória para avançar na competição, o The Strongest continuou pressionando a equipe de Edgardo Bauza, agora com bem mais intensidade. Mas os brasileiros conseguiam manter a estratégia, e seguravam a bola o máximo que podiam, ganhando tempo.

Por conta de uns lances mais demorados, o árbitro assinalou mais 5 minutos, para desespero do Tricolor, que não via a hora do apito final.

E para completar ainda mais o sufoco, novamente Denis demorou a bater o tiro de meta e levou o segundo amarelo. O camisa 1 do São Paulo estava expulso, e naquele momento, Patón já havia feito suas três substituições.

Sem poder contar com a presença do goleiro reserva, o zagueiro Maicon foi para baixo do travessão. A partida que iria até os 50, foi até 53, e o camisa 27 tricolor segurou bem a pressão, e ainda fez duas boas defesas, até mesmo “salvando” o São Paulo de levar um segundo gol.

(Imagem: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Fim de jogo no Hernando Siles. O Tricolor classificado para as oitavas, e confusão entre as duas equipes. No episódio, Calleri foi expulso (injustamente?), após receber o cartão vermelho com a partida já encerrada.

Patón Bauza ficou irritado e nada satisfeito, e falou sobre o ocorrido.

“Depois foi lamentável o que passou no final. Eu sei por que aconteceu. Não quero dar nomes e o momento agora não é de dizer. O árbitro e o quarto árbitro vão nos informar o que vai passar e estamos muito chateados com o que aconteceu. Vamos sair com os vídeos à CONMEBOL porque queremos recuperar a súmula porque temos rumores de coisas que não aconteceram”.

Quanto a super ação da superação, “herói” da noite ao lado de Calleri, Maicon frisou o único pensamento que teve desde o início da partida: ajudar seus companheiros. O zagueiro comentou sua atuação.

“Foi a primeira vez, pensei em ajudar a equipe. Não foi para ser herói, não quero ser herói. Ainda bem que ajudei e eles me ajudaram. A equipe toda lutou. Se precisar, eu jogo em tudo”.

O jogo desta quinta-feira (21) tornou-se ainda mais difícil desde a derrota do São Paulo para os bolivianos, no Pacaembu, pela 1ª rodada da fase de grupos da Libertadores. A pressão tornou-se ainda maior pelo peso que a camisa do Tricolor possui.

Mas o que se viu nesse empate, apesar de alguns erros individuais, foi uma equipe disposta a buscar um resultado positivo. Jogadores que pouco respiraram, mas que muito batalharam. Jogadores que pouco acertaram, mas que muito se empenharam. Jogadores unidos que através da super ação da superação, conquistaram a classificação.

 

Renata Chagas