TEM O SEU NOME GRAVADO NA HISTÓRIA!

 

 

“Primeiro campeão gaúcho,

Façanha feita na Capital (...)”

Trecho do samba-enredo da Telles, escola de samba pelotense, no Carnaval de 2011

 

O ano de 2019 marca o centenário de uma conquista para o Grêmio Esportivo Brasil: o título de primeiro campeão gaúcho da história. Em plena capital, diante do tricolor porto-alegrense, o xavante iniciava no dia 09/11/1919 a sua saga de resistência como o maior do interior do estado.

 

(Foto: Site Oficial / GEB)

 

O campeonato gaúcho, na época um bebezinho que dava seus primeiros passos, tinha um formato bem diferente do que conhecemos hoje. Inicialmente os times eram divididos por regiões, sendo elas: Pelotas-Bagé e Porto Alegre-São Leopoldo. Ao fim do campeonato, porém, após as eliminações dos demais clubes, restaram apenas aqueles que representavam a região de Porto Alegre (Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Porto Alegre, São José e Tabajara) e de Pelotas (Brasil, Guarany, Ideal, Pelotas, Rio Branco e União).

Cada região disputou um citadino e terminou com um campeão, conhecendo assim quem seriam os dois protagonistas da tão esperada final da primeira edição do Gauchão: Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e Grêmio Esportivo Brasil. A final aconteceu no dia 09/11/1919, no Estádio da Baixada, antiga casa do tricolor que ficava localizada no bairro Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Dados na internet confirmam que mais de 3 mil torcedores assistiram ao confronto.

 

O time de guerreiros!

(Foto: colecionadorxavante.com)

 

Mas precisamos voltar um pouquinho, mais precisamente um dia antes da bola rolar, para provar aquilo que quem é xavante sabe muito bem: para o Brasil, nada nunca é tão fácil. Para se deslocar até Porto Alegre, a delegação rubro-negra encarou dezesseis horas de navio, mais precisamente uma embarcação antiga conhecida como Itaberá. Atracaram na capital gaúcha no dia 8 e provavelmente nem imaginavam o quanto compensaria todo o esforço feito para chegar até lá.

O xavante entrou em campo com a seguinte escalação: Frank; Nunes e Ari Xavier; Floriano, Pedro e Babá; Farias, Ignácio, Proença, Alberto e Alvariza. O Grêmio foi para a partida com Demétrio; Pinto e Ary; Chiquinho, Dorival e Assumpção; Gertum, Lagarto, Máximo, Meneghinu e Bruno. Era o embate entre dois times em lados totalmente opostos do espectro. Como foi chamado na época: o confronto entre o clube do povo e o clube da elite. O vermelho e o azul.

Mas foram o sangue e a raça rubro-negros que venceram. Desde aquele dia, o Brasil mostrou a que veio e mostrou que ficaria para incomodar, fincou a bandeira da resistência do futebol do interior. Mostrou que era capaz de feitos gigantes e que estava apenas começando a escrever seu nome na história e com letras garrafais. Com três gols de Proença, um de Alvariza e um de Ignácio, o xavante pintou a capital gaúcha de vermelho e preto.

 

Manchete da época ressalta a vitória rubro-negra

(Foto: Reprodução / Filme O Centenário Xavante)

 

O time da casa descontou com um gol, mas não importava. Pelo placar de 5x1, o xavante se consagrou o primeiro a erguer o caneco de campeão gaúcho na história. E quem pensa que depois disso a festa já foi imediata, está enganado. Nada de descanso para os donos da glória. No dia 11, o Brasil ainda enfrentou a seleção brasileira em um amistoso. A partida terminou em 3x3. Jogo de igual para igual, Brasil de grandeza igual para igual.

Enfim chegava a hora de retornar para casa e comemorar nos braços da torcida. Não existe feito que o rubro-negro não conquiste lá fora, que a maior e mais fiel não prepare uma grande festa em sua chegada. Foi assim há cem anos, e é assim até agora. A delegação desembarcou no Porto da cidade de Pelotas e foi recepcionada por uma multidão de torcedores, além de uma gigantesca queima de fogos. A comemoração se estendeu até a Praça Coronel Pedro Osório, localizada no coração da cidade.

Cem anos atrás, assim como diz a frase que abre este texto, a façanha do Brasil era traçada na Capital. Façanha esta que carregamos com orgulho no coração e na estrela acima do escudo no peito. Logo mais vem outro Gauchão pela frente, e depois de bater na trave ano passado, seria a perfeita coroação conquistar o título de 2019. Cem anos depois, recuperar o que é nosso. Que Deus – que é xavante – nos ouça e abençoe, fazendo esta conquista ser possível. Avante!

 

(Foto: arquivo pessoal)

 

Por Alice Silveira