UM BAILE VERMELHO NO GRAMADO DE ANFIELD

O Liverpool foi avassalador e saiu triunfante em duelo com o City com um jogo envolvente, dinâmico, veloz e um tom toque de elegância. Um futebol de encher os olhos e enternecer o coração de cada torcedor.

Com a vitória, o time passou a ter a melhor campanha já realizada dentro do campeonato inglês na décima segunda rodada. Eles também ampliaram para oito pontos a vantagem na liderança da competição.

Foto: Reuters

 

O jogo foi incrivelmente bem disputado e na cadência imposta pelos Reds, desde os primeiros minutos, diante de seu time montado com extrema precisão. Cada um fez o melhor em sua função, entrega visível dentro das quatro linhas de cada um dos "meninos" de Jürgen Klopp.

 

Um duelo merecedor de ser descrito com certo requinte de detalhes e assim o farei.

A primeira imagem que a televisão revelou do estádio com as arquibancadas, em tom único de vermelho em faixas, bandeiras, gorros, casacos (a temperatura média era de cinco graus), luvas e todo tipo de adereços de organizadas, além de mosaicos. A grande celebração de um momento esperado ansiosamente durante semanas, o maior dos duelos com o respeitado rival. Firmino ressaltou a importância da participação em massa dos seus fiéis torcedores, em entrevista coletiva antes da partida. Convocou a galera e honrou a todos com bela atuação.

Antes do apito inicial, um minuto de silêncio em homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial. Todo aquele calor do canto cedeu lugar a um respeitoso silêncio. Ensurdecedor a ponto de sentir "aquele cisco no olho" e entrar na energia. Veio a prece e muita luz. Nunca será só futebol.

 

O Liverpool iniciou o primeiro tempo aguerrido e bem posicionado, com linhas defensivas adiantadas. A opção de Klopp foi inteligente. O ataque aproveitou cada minuto e criou  algumas boas jogadas ofensivas.

Cinco minutos e um Guardiola surtado reclamou de um possível pênalti em Agüero, invalidado pelo VAR. Na sequência, Mané saiu ligeiro num contra-ataque e deu passe para Salah. A bola foi roubada por Gundogan e o jogador falhou em afastar a bola e advinha quem "veio para jantar" e abriu o placar? Fabinho!!! Chutou forte no canto direito do arqueiro Bravo.

A estratégia de encurralar os Citizens, com sua defesa valente, deu muito certo e time de Klopp aproveitou todos os espaços, cada brecha, para invadir a área rival e chutar. Numa dessas, Alexander-Arnold virou a bola e a jogada de um jeito impressionante para Robertson que dominou e cruzou com perfeição para Salah fazer o segundo tento. A arquibancada cantou sem parar, aplauso mil, assobios, palavras de incentivo e amor.

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Detalhe que o grupo aproveitou ao máximo as, até então, duas chances mais perigosas do ataque. Até os trinta minutos da primeira etapa, o Manchester City foi irreconhecível e Guardiola foi obrigado a amargar essa experiência. Viu seu elenco deixar o Liverpool jogar, livre, leve e solto em campo, sem marcação ou nada capaz de impedir os seguintes avanços.

Impossível deixar de citar a deixadinha de bola de calcanhar de Salah para Henderson. Coisa de craque. Com esse gol, o egípcio se iguala ao senegalês Mané na ponta da artilharia, com seis gols cada um.

Quase no Final, Firmino teve boa chance e chutou forte para a defesa de Bravo.

A velocidade e criatividade foi mantida pelo Liverpool no segundo tempo. Klopp subiu as linhas de marcação com o intuito de dificultar ainda mais o trabalho do outro. Foi bastante funcional. O terceiro gol não tardou e, desta vez, foi Mané quem colocou a bola na rede em cabeceio certeiro, depois de receber belo passe de Alexander-Arnold.

Foto: Reuters

Pouco antes do final do jogo, Bernardo Silva fez o gol de honra do City em chute potente de canhota que entrou no cantinho da trave de Alisson.

Como era de se esperar, Guardiola cuspiu Maribondo, brigou com o árbitro, com sua comissão técnica, com seis jogadores e nem torcedores do Liverpool deixou de fora. Visivelmente irritado, irado, histérico mesmo. Klopp o cumprimentou

Na entrevista coletiva após o jogo, o técnico alemão Ressaltou aos jornalistas, o prazer da experiência em conhecer Seán Cox, um torcedor do Liverpool com sérias lesões causadas num ataque. Pela primeira vez, lá estava Sean, desde o empate na Liga dos Campeões contra a AS Roma, em abril de 2018. Emoção pura.

Klopp fez uma análise bastante rica sobre o triunfo, com alguns detalhes importantes.

"Legal, não é? Se você quer vencer o Manchester City, o que é muito, muito difícil para cada time do mundo, você não pode jogar da maneira que eles, porque eles são definitivamente os melhores da maneira que jogam. Isso não faz sentido. Então, temos que tentar avançar no nosso caminho. No começo, não apenas por nossa causa, era selvagem - pressionando e pressionando, não havia muitas bolas claras por trás. Era como se todo mundo tentasse entrar no jogo, mas estivesse sempre sob pressão do outro time. Mas intenso desde o primeiro segundo, você podia sentir que era realmente importante para as duas equipes. Ambas as equipes estavam prontas para fazer uma mudança adequada e o fizeram", avaliou.

 

Para Klopp, o seu elenco teve atuações brilhantes, especiais e tudo isso ajudou a garantir domínio maior.

"Marcamos dois gols incríveis, tivemos que sofrer momentos por causa da maneira como o City joga, mas eu diria até o minuto 75 ou aproximadamente, quando eles marcaram o gol, poderíamos controlá-lo de alguma maneira. Depois de marcarem por 3-1, tiveram impulso e tivemos pernas pesadas. Tentamos mudar um pouco; na verdade, mudamos no intervalo para 4-4-1-1 e voltamos no final do jogo para 4-5-1", frisou.

 

Claro que houve aquele momento da pergunta "saia justa" sobre a chance de permanecer invicto na temporada.

"De modo nenhum. A verdade de 100% é que simplesmente não pensamos nisso. Os meninos agora vão ao mundo inteiro para jogar em seus países e esperamos voltar saudáveis. Dois dias depois que eles voltam, jogamos no Crystal Palace - é com isso que me preocupo, não com quantos jogos vencemos no passado. Como você viu hoje novamente, é o trabalho mais difícil necessário para vencer qualquer jogo de futebol, mas especialmente um jogo como este. Então, eu estou realmente feliz por esta noite", celebrou.

 

Carla Andrade