Um clássico que colocou o futebol em segundo plano

 

Atuação questionável do trio de arbitragem muda os rumos da partida e ganha destaque na mídia e redes sociais

 

A arbitragem roubou a cena de um dos jogos das semifinais da Taça Rio, entre Fluminense x Botafogo, assim como ganhará papel de protagonista nesta resenha que vos escrevo, meus queridos Tricolores. Em todos os meus anos de arquibancada e que acompanho o futebol jamais vi situações tão controversas como as que assisti durante esta partida.

A primeira delas veio do árbitro Alexandre Vargas Tavares de Jesus que não marcou um pênalti claro de Igor Rabelo em cima de Marcos Júnior. O fato poderia ter modificado os rumos da partida. Mas até aí, eu pensei: Ah, isso acontece com frequência e não adianta reclamar. Agora, quando o juiz e seu auxiliar Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa fizeram de conta que não viram cinco jogadores, com mais de dois metros de impedimento, fiquei furiosa. Não falo de um, dois na linha. Foram cinco, inclusive Dudu Cearense, o autor do “gol”.

Imagem mostra erro grosseiro da arbitragem

Foto: Reprodução Rede Globo

Curiosa, fui pesquisar no Google se algo do tipo já havia acontecido no futebol mundial, sim abri bem o leque da pesquisa, e não encontrei nada semelhante. Coisa para o Guinness Book do futebol.

Pensam que acabou? Não. Teve mais. No final da partida, o auxiliar apressou-se em estar com Abel Braga para desculpar-se pela escorregadela. Outra ocorrência inédita em minha vida de torcedora. Por algum tempo pensei que depois deste indulto, o assistente sofreria alguma punição da entidade maior do futebol carioca, a FERJ, afinal o fato tornou-se público. Ledo engano. A “majestosa” instituição decidiu não penalizar o profissional e alegou ter sido este seu primeiro erro no Campeonato Carioca. Seria essa uma desculpa realmente plausível? No meu entendimento ela não cabe.

E durante a coletiva, Abel disse estar satisfeito com a atuação de seu grupo e foi incisivo ao colocar que o segundo gol nunca existiu.

“Impedimento, pênalti não marcado e derrota. Vamos para a próxima. Estou contente. Claro que não com o resultado, mas pela entrega. Dá para perceber que uma equipe fazer dois gols no Flu nós não baixamos o braço, não deixamos de lutar. O torcedor cantando com o 3 a 0 contra. Valeu, vamos tirar alguns ensinamentos. Não podemos levar o primeiro gol daquela maneira. Bola levantada de forma lenta, que viaja, dá para fazer tudo. No segundo gol, eu falei agora para os jogadores: não existiu. Foi o recorde de gol irregular, cinco jogadores. É definido quem marca quem. Houve falha no primeiro, no segundo não. Mas não vou criticar o bandeira, é o melhor do Rio. Mas sobre o árbitro… O critério dos cartões, não deu amarelo no pênalti. Quando perguntei quem era, falaram que não tinha apitado clássicos. Achei estranho, mas não vou comentar”, disse o técnico.

É uma lástima ver que apesar de atuações desastrosas por parte da arbitragem, nenhuma medida eficaz é tomada para acabar com esse festival de erros que prejudicam os times envolvidos. Falhas constantes, jogo após jogo, e que as entidades responsáveis insistem em colocar panos quentes. Tudo bem que este jogo de nada valia e faz parte de um torneio caça níqueis com um regulamento bizarro e feito para ninguém entender, criado pela FERJ. No entanto, este tipo de coisa serve apenas para acabar com o charme do Campeonato Carioca e esvaziar os estádios. Prova disso foi o público de apenas 8.579 presentes num clássico tradicional como este.

E esta não é uma tentativa de mascarar o que houve em campo. O elenco Tricolor realmente não fez sua melhor apresentação. O comandante usou um time misto e teve que se virar para improvisar nas laterais, colocou Luiz Fernando na direita e Calazans na esquerda. Douglas voltou ao meio-campo e não fez feio. O elenco criou boas jogadas, mas faltou maturidade na hora da finalização. Um bom exemplo foi o gol feito que Marcos Júnior perdeu no primeiro tempo, pouco depois do Botafogo ter feito o seu primeiro, e que poderia ter empatado a partida.

Orejuela em campo

Foto: Nelson Perez

No segundo tempo, com Richarlison, Osvaldo e Sornoza em campo, teve boas chances com Pedro. Pouco antes do final do tempo regulamentar, Reginaldo foi expulso e Richarlison sofreu um pênalti, aos 43 minutos, que ele mesmo converteu. Foi um tento de honra.

“Fico feliz pelo gol, mas triste pelo resultado. Levamos dois gols de bola parada, um deles estava impedido, mas isso não é desculpa. Vamos trabalhar forte, porque nós temos a Copa do Brasil e o Carioca pela frente. Vamos nos manter focados para atingir os nossos objetivos “, disse o atacante.

E o Fluminense se prepara para semanas de agenda cheia de disputas na Copa do Brasil, Primeira Liga e Copa Sul-Americana. O próximo compromisso será contra o Goiás na próxima quinta (13), jogo de ida, no Serra Dourada, válido pela Copa do Brasil.


Carla Andrade