Um dia marcado pela luta à igualdade

 

O Dia Internacional da Mulher surgiu no final do século XIX e é comemorado no dia 08 de março. O intuito da criação desse dia era o contexto das lutas femininas. A luta tomava força a cada nova manifestação e era exigida a igualdade de direitos, igualdade econômica, política, sociais, trabalhistas entre outros fatores.

 

As mulheres eram criadas para satisfazer os homens, mas a partir do século XIX elas começaram a ser inseridas com mais frequência no mercado de trabalho e tinham importância no meio fabril, porém nesse momento essa identidade ainda estava em construção e essas mulheres eram exploradas, trabalhando em jornadas excessivas de aproximadamente 15 horas diárias em fábricas, recebendo salários injustos e bem abaixo do que os funcionários do sexo masculino recebiam.  

 

No contexto da Revolução Industrial, as mulheres começaram a fazer greves para exigir melhores condições de trabalho, mas com o passar dos anos as lutas se intensificaram. As mulheres começaram a ter empoderamento e a persistirem nas lutas sociais.

 

Os anos foram passando e as mulheres seguiam lutando bravamente em diversos outros campos. Elas não só queriam um emprego que as valorizassem, não reivindicavam apenas o direito de votar e serem votadas, as mulheres exigiam respeito ao seu corpo, e aos lugares que poderiam ocupar. E porque lugar de mulher não seria no estádio? Porque lugar de mulher não seria jogando bola, tomando uma cervejinha aos finais de semana? Porque lugar de mulher tem que ser na cozinha, ou em casa cuidando exclusivamente dos filhos e marido?

 

Bem, essa é uma luta cravada diariamente, mas graças a Deus conseguimos lidar com a dupla jornada. É uma luta que por mais avanços que existam, nós mulheres que frequentamos os estádios ainda somos “obrigadas” a nos deparar com comentários medíocres. Mas quem disse que não podemos gritar com aquele juiz ladrão que rouba descaradamente nosso time? Quem disse que se a mulher discutir sobre futebol e beber ela obrigatoriamente tem que ser machinho ou “maria chuteira”?

 

Quando nos perguntam o porquê de amarmos tanto nosso time, as perguntas posteriores são: Sabe pelo menos o nome do goleiro? Sabe o que é um impedimento? Vai ao estádio sozinha? Ah, com certeza é por causa de jogador!!!! Eu costumo até brincar sobre esse fato e responder: ‘Com certeza é por causa de jogador, jamais iria a um local para ver a bola rolar sozinha né?’.

 

 

Foto de Arquivo Pessoal da Colunista.


 

Nos dias atuais as mulheres não só podem, como devem ocupar os lugares que quiserem. As mulheres estão cada vez mais presentes no meio do futebol: organizam ações em prol do seu time, cantam junto aos homens em apoio ao seu clube e além de ocuparem as bancadas, as mulheres também fazem parte de torcidas organizadas, porque não? Hoje em dia os núcleos femininos são crescentes, essas mulheres abrem a sede, guardam materiais, colocam bandeiras nos estádios, essas mulheres conquistam seu espaço, ganham moral junto aos meninos no que diz respeito ao clube, mesmo não sendo só flores, mas isso não quer dizer que a luta já pode cessar, isso quer dizer que ainda há muito para lutar.

 

Por fim vocês acompanharão o relato de uma mulher, mãe, e principalmente: MEMBRO ASSOCIADA DE TORCIDA ORGANIZADA. Esse é o relato de Aline Silva, torcedora do ASA GIGANTE e membro do núcleo feminino da Mancha Negra:

 

 

“Mulher em torcida é complicado, enfrentamos preconceito que vem tanto de quem está de fora, mas também dos próprios que estão dentro da torcida que apesar de conviver e saber que a mulher tem um papel fundamental, mesmo assim chega a julgar como sem importância. Torcida organizada, desenvolve um trabalho extra, por exemplo, ação social, onde a mulher tem uma extrema importância para executar determinadas ações. As festas promovidas nas arquibancadas pelas torcidas têm uma contribuição feminina muito grande e muitas vezes esse trabalho não é reconhecido. Futebol por ser um meio onde ainda quem impera é o sexo masculino, as mulheres de organizada muitas vezes tem sua imagem associada negativamente pelo fato de estar conquistando seu espaço no meio futebolístico, mesmo assim continuamos firmes para mostrar que somos de organizada sim, mas temos nossa vida pessoal, que muitas mulheres de organizada são estudantes, têm seus respectivos empregos, são boas mães, enfim que tem sua vida pessoal, mas que conseguem associar muito bem com a vida nas arquibancadas”.

 

Foto de Arquivo Pessoal da Entrevistada.

 

 

 

Texto de Arielly Soares, torcedora do ASA GIGANTE!

 

Depoimento: Aline Silva, torcedora do ASA GIGANTE e membro do núcleo feminino da Mancha Negra!