Um, dois, três, quatro... Para calar a boca dos profetas da crise e das especulações midiáticas em torno da equipe, o Palmeiras vence o XV de Piracicaba com uma goleada! E que goleada! Com direito a gol com cara de pintura!

(Imagem: Palmeiras/Site Oficial)

A derrota seria inaceitável. O empate não interessava. Todos sabiam disso.

Quando entraram em campo ontem à noite, contra o time de Piracicaba, pela sexta rodada do Paulistão, os jogadores do Palmeiras sabiam que precisavam vencer.

Mas, mais que isso, eles sabiam que, o que a torcida esperava na verdade, não era "apenas uma vitória", mas uma vitória consistente.

Isso porque, após cinco rodadas, a campanha não era aquilo que se esperava do time que terminou o ano como campeão da Copa do Brasil: três empates, uma derrota e apenas uma magra vitória, no jogo de estreia. Quadro que gerou um clima de muita cobrança de uma parte da torcida e especulações da mídia, que vinha divulgando reportagens com títulos nomeando o momento de "crise" ou "má fase".

Diante disso, o time parecia capturado pela pressão e travado, não conseguia mostrar em campo, o futebol necessário para vencer.

A noite de ontem era de fato, crucial.

O técnico Marcelo Oliveira, alvo das críticas mais severas, escalou o time, mais uma vez, de forma diferente e com uma proposta tática, igualmente nova. A ideia era fazer com que os atacantes jogassem deixando menos espaços entre si, para que as bolas servidas pelos laterais e pelos volantes, fossem melhor aproveitadas com possibilidades de tabelas e triangulações.

Deu certo. O Palmeiras, logo nos primeiros momentos do jogo, mostrou outra cara. Mais coeso e com a comunicação entre o meio de campo e a linha ofensiva fluindo bem, conseguia chegar com muita consistência ao ataque.

A defesa também convenceu. Bem posicionada e atenta com Roger Carvalho e Jean, conseguiu anular quase todas as chegadas do adversário.

Mas mesmo com a nítida melhora, a equipe não conseguia marcar.

Aos 35 minutos, o Verdão teve boa chance de abrir o placar com Dudu, depois de receber um bom lançamento, ele bateu no canto esquerdo, mas a bola saiu pela linha de fundo.

O 'Quinzão' respondeu com um bom cruzamento e depois um chute na área, que bateu no braço de Roger Carvalho. O juiz entendeu o lance como não intencional e não marcou o pênalti, para desespero e irritação da equipe do interior.

O gol, tão desejado pela torcida alviverde, chegou ainda na primeira etapa. O escanteio cobrado de forma habilidosa por Robinho coloca a bola na cabeça do oportunista zagueiro Vitor Hugo, que sobe muito, para fazer o primeiro gol do Verdão. Ele sai para o abraço dos companheiros que estavam no banco e que invadem o campo para ovacioná-lo.

O Verdão desencantou e encantou a sua torcida que cantava forte no Barão de Serra Negra, permitam-me essa aliteração! Mas o futebol também é feito de arte, prosa e rima. E de canto! O grito preso na garganta no torcedor ecoou cheio de melodia... "Olê Porcooo Olê Porcooo"

No segundo tempo, a sintonia funcionou ainda mais. O time, já bem entrosado, voltou ao campo mais ligado, fazendo com que os primeiros momentos da segunda etapa fossem eletrizantes. Aos 2 minutos, Lucas faz boa jogada lançando Dudu, que liga Alecsandro e este cruza a bola para Gabriel Jesus, mesmo bem marcado pelo zagueiro adversário, o jovem atacante tem a habilidade de mandar a redonda para dentro do gol de Bruno Brígido.

O time da casa, visivelmente desestabilizado pela boa atuação do Palmeiras, não se deixou abater completamente e com a raça que é típica dos times do interior, vai para cima. Aos 6 minutos, consegue diminuir a vantagem alviverde, Rivaldinho vê Fernando Prass um pouco adiantado e chuta de longe, a bola ainda resvala em Vitor Hugo e encobre o gigante do Verdão. Gol um tanto irônico, já que o jogador é filho do ex-palmeirense Rivaldo, um dos grandes nomes do clube.

O jogo pega fogo. E não era para menos. A partida ainda não estava resolvida e o Nhô Quim, ainda estava vivo.

Arouca entra no lugar de Lucas, pendurado com dois cartões amarelos.

O Palmeiras não pareceu se afetar com a pressão exercida pelo time da casa e era todo ataque, sem recuar de sua proposta ofensiva, amplia o placar aos 16 minutos. O adversário erra o domínio da bola e Robinho, sempre ele, presente em todos os lances, consegue lançar Alecsandro, que cara a cara com o goleiro, explode a rede.

Gabriel Jesus sofre pênalti claro, mas o juiz não marca. Tudo empate. Já que o Quinze reclamara muito, da bola na mão do zagueiro palmeirense no primeiro tempo.

E por falar em Jesus, ele parecia estar predestinado para a noite de ontem. Depois de receber um lançamento longo e perfeito de Robinho, que o vê bem posicionado, o menino iluminado, domina a bola e encobre o goleiro, fazendo um belíssimo gol. Daqueles que a gente chama de pintura, de tão lindo!

"Quatro! Quatro! Quatro!" gritava a torcida palmeirense, ensandecida, à essas alturas.

Mas o Verdão queria mais. E fez. Jesus toca para Dudu, dentro da pequena área, que chuta a bola na caixa. A posição era legal, mas o bandeira marca impedimento. Um erro que impediu que o Alviverde salpicasse uma goleada de cinco.

No final Allione e Cristaldo, substituíram Dudu e Alecsandro, respectivamente.

Nos últimos minutos, o jogo ainda teve direito a uma defesa espetacular de Prass, que afasta um chute certeiro e impede o que seria o segundo gol do time do técnico Narciso.

Final, Palmeiras 4 x 1 XV de Piracicaba.

A vitória alegrou torcida, técnico e elenco e afastou a nuvem cinza que pairava sob a Academia de Futebol. Mas, todos sabem que isso é só o começo. Como não há mágicas no futebol, uma noite de bons resultados, não ganha campeonato, mas com certeza ajuda a calar a boca daqueles que gostam de apregoar más novas. Desses profetas atuais com suas análises apocalíticas, que tentam instaurar crises, para desestabilizar o trabalho interno.

Que a noite de ontem não crie falsas ilusões, mas que também traga esperança. Nem pessimismo demais, nem otimismo de menos. Que haja Realismo Esperançoso, como diz o filósofo Suassuna.

Sim, o futebol é feito da mistura sutil desses dois elementos. Uma esperança inteligente, com os pés no chão e de preferência na bola, para saber exatamente o que fazer com ela.

Alê Moitas