Um elo de Milhões de pessoas!

 

Todos os dias, novos amantes do futebol nascem pelo mundo, muitos deles seguindo os passos de seus pais.

 

O segundo domingo do mês de agosto, marca o dia dos pais. Um domingo...não poderia ser data mais adequada, afinal, domingo é dia de futebol, é dia de torcer e de ensinar, aos filhos, a história do clube, de contar a trajetória de cada conquista e a valorizar cada derrota.

O futebol, cria laços de amor, que somente uma pessoa, que sente o mesmo sentimento, pode compreender e compartilhar. Alvinegros, alvirrubros, rubro-negros, tricolores, alviverdes, celestes, esmeraldinos, rubro-anis, azul-grenás, bicolores, sejam quais forem as cores do pavilhão, o amor que o cerca, é sempre inexplicável. Quando se começa a nutrir este sentimento, por influência de quem deve ser o maior exemplo, tudo ganha um “sabor a mais”.

 

Os primeiros passos…

 

Ainda ali na barriga, durante a preparação do enxoval, papai fez questão de colocar o manto sagrado, mesmo a mamãe sendo contra. Talvez, porque ela torça pro rival, ou por não entender a dimensão do sentimento que papai tem.

O quarto, traz o simbolo pendente, será mais um(a) fanático(a), um torcedor(a) inconsequente e apaixonado(a). Cheguei e logo ele fez questão de me apresentar o maior amor da minha vida. Tenho a certeza de que ele, não tem a noção da dimensão de tal feito!

 

“Meu pai, Célio Zanqueta, aos 9 meses de idade me apresentou a maior paixão da minha vida, a Ponte Preta! Quis o destino que ele se afastasse e anos depois, após muita encheção de saco da minha parte, ele ficasse sócio e voltasse ao majestoso!! São muitas histórias.. tristes, felizes, emocionantes! São histórias que um dia espero poder passar  com o Matheus e o Miguel também. Te amo pai.. obrigada por me apresentar tudo isso e por ser o melhor pai do mundo” -Li Zancheta

 

O hino embalava o sono...a primeira bola, a primeira camisa a primeira ida ao estádio, e ele ia me ensinando a torcer, da mesma forma que meu avô havia ensinado a ele.

1471202205841377.JPG

 

Vê-lo torcer, me inspirou, me fez imitá-lo, me fez seguí-lo! Cabia a ele me tranquilizar nos piores momentos, me ensinar para a ter calma, até o gol.

 

“Foi logo no título da Copa do Brasil. Eu estava, chorando no gol do Ricardo Oliveira e meu pai de boa, virou e falou: "relaxa aí meu, vai morrer do coração? O Prass tá lá pra isso". Aí quando ele fez o último gol foi aquela festa. A gente acompanhou todos os jogos daquela Copa do Brasil no estádio, fomos em todos, então realmente foi muito emocionante”- Leonardo Delbó.

 

Os ensinamentos dele, passam confiança, a certeza de que até o arbitro aptar, tudo pode acontecer. Ao lado dele, torcer e cantar, são sempre como se o time estivesse na final.

 

“Meu pai se chama Antônio, e ele que me ensinou a amar a Ponte Preta  nossa macaquinha. Desde criança me levava ao campo, e fez com que esse amor pela Ponte crescesse cada vez mais... Todos os momentos ao lado do meu pai vendo a Ponte Preta são especiais, na derrota e na vitória, é um amor que passou de pai pra filha cada ida ao estádio, cada vez que escutamos no rádio, cada vez que ele sempre me dizia cuidado que é perigoso sair com a camiseta da Ponte na rua que existe muito ignorante pela rua, e mesmo assim com orgulho sempre vestimos ela... Cada arrepio ao ouvir o hino da nossa nega veia, em voltar do campo chateados com a derrota ou super felizes com a vitória, quando sai o gol e ouvir ele gritando goool e vendo ele comemorando, tudo vale a pena e é marcante... Vou levar pra sempre comigo... Obrigada pai e que venham muitos e muitos jogos pra gente ir ou até mesmo ouvir no rádio”- Elen Oliveira.

 

As marcas deixadas pelo amor ao futebol

Quantas recordações marcam a relação entre pais e filhos, quantos não são Ronaldos, Rogérios, Riquelme, Emersons, Marcos, Rivellinos, Neymars, em homenagem a grandes atletas que os pais viram brilhar em campo? E as loucuras pra acompanhar o clube do coração?

“Foi São Paulo x Fluminense, na final do BR de 2012. O SPFC tava brigando pra ir pra libertadores e eu queria ir no jogo de qualquer jeito. Na segunda feira eu falei pra ela você quer ir? eu vou! Ela falou pode ir, “bravona”. Quando foi quarta ela reclamou de dor e foi pro hospital e tals é eu já tinha dito prós moleques, quinta é feriado eu vou lá comprar os ingressos, mas o JP nasceu. Aí eles falaram: se o problema é esse a gente resolve, tamo indo te buscar. Pararam lá na Paulista e fomos pro estádio”. Lucas Oliveira.

Não existe um amante do futebol, que não tenha uma história para contar!


 

1471203364534003.JPG

 

O amor pelo time do coração é a maior herança que um pai pode deixar, para o seu filho. A maior, pois ela é infindável, mesmo na maior adversidade, o sentimento só aumenta,

Meu filho, receberá esta herança e caberá a ele, propagar este amor. É como dizem, “de geração para geração”, fortalecendo este elo.

O companheiro de estádio, de arquibancada, e a tradição vai se propagando. Seja na Arena, ou no chão de concreto, com o time na final ou na seca de vitórias, nosso ritual de torcida, sempre será o mesmo.

Sempre iremos compartilhar a apreensão de mais uma partida, o êxtase do gol e o choro na derrota. Será sempre dele, o melhor abraço na hora do gol, ou o afago com o placar adverso.

Por obra do meu pai, toda vez que meu time entra em campo, meu coração bate forte, e o grito de euforia, soa naturalmente. É pra ele que olharei, com o melhor sorriso de agradecimento, por me fazer torcedor.

 

“Meu sonho sempre foi conhecer o Maracanã. Assim que entrei pros Gaviões e tive a certeza da partida lá, avisei pro meu pai que iria no jogo. Era dia dos pais, ele não acreditou que eu fosse, então, assentiu com a cabeça. Quando cheguei com a passagem, ele atônito me olhava. Lá do estádio, com a consciência meio pesada por não estar com ele, dei um jeito de ligar e de agradecer a ele, por me fazer Corinthiano.”- Leandro Santos

 

Mesmo com times diferentes, afinal não há nada melhor do que tirar aquele sarro do velho, o amor é o mesmo. Escolher torcer para o maior rival, só demonstra o quanto você fez seu trabalho bem feito, e momentos pautados no futebol sempre se multiplicarão.

Obrigada Pai, por me fazer sentir as mais diversas e inexplicáveis emoções, que só quem é torcedor pode compreender. Obrigada por me ensinar que nunca podemos desistir, e mesmo que a bola não entre, mesmo que o placar permaneça contrario, devo cantar e empurrar o time, durante os 90minutos.

Ao time de coração, agradeço por fortalecer o elo entre eu e meu pai. Por sempre me proporcionar momentos, épicos ao lado dele. Tardes de domingo e noites de quarta-feira, sempre serão sagradas e aguardadas ansiosamente, para que mesmo com o tempo corrido, vez ou outra, eu possa me sentar ao lado dele, para torcer.

 

Feliz dia dos pais!

por Mariana Alves