Um presente de aniversário difícil de aceitar...

Faltando minutos para a chegada da data que representa os 113 anos de história completos do Grêmio, nosso presidente Romildo Bolzan divulgou que Roger Machado pediu demissão do cargo de técnico do nosso time. Não me conformo. Tenho motivos para isso. Assim como quem defendia a saída do treinador já em outras ocasiões também tem seus motivos. A questão é que esse “presente de aniversário” vai ser alvo das mais distintas opiniões. Já a incerteza sobre suas consequências é, no mínimo, preocupante.

Seria fácil descrever as diversas vezes nas quais se julga que Roger foi incapaz de reverter as deficiências da equipe. A bola aérea que nos sacrificou infinitamente nessa temporada, a insistência em manter jogadores em plena decadência técnica evidente, a falta de criatividade e eficiência nos momentos difíceis nas quais estas eram exigidas. Roger é jovem. Um jovem treinador. Mas é um estudioso, o que o torna um promissor profissional de nível técnico no futebol. Infelizmente, a plenitude de Roger nesse sentido não aconteceu na sua passagem atual pelo tricolor.

Ao longo de um ano e quatro meses, Roger não conquistou o tão aguardado título no comando do Grêmio, mas em determinados momentos levou o time a um patamar de atuação e competitividade que surpreendeu torcida e imprensa. Assumiu o time na 18° posição do Campeonato Brasileiro de 2015 com a missão de evitar mais um rebaixamento em nossa história. Sim, a competição ainda estava na fase inicial. Mas Roger nos tirou da indesejada zona, fazendo o mesmo elenco executar um futebol extremamente superior do que se esperava. Esse era o grande aval que alimentou as esperanças dos entusiastas de Roger.

Roger no Grêmio

Fonte: Mateus Bruxel / Agência RBS

 

A transição de 2015 para 2016 foi insuficiente no quesito reposições, isso já foi explanado inúmeras vezes, principalmente durante nossa trajetória de insucesso na Libertadores e a eliminação no Gauchão. Isso afetou o trabalho de Roger. Mas tínhamos um Brasileirão inteiro diante de nós para ser trilhado. Para aqueles que acreditavam que faltava “sangue quente nas veias” na hora do mata-mata, o Campeonato Brasileiro soava como o torneio ideal para o Grêmio impor seu estilo de jogo e almejar algo grandioso. Em plena 25º rodada, fica difícil apontar exatamente onde nos perdemos, tendo em vista que os motivos para isso parecem ser os mais diversos.

Talvez tenha sido a saída de Giuliano, peça fundamental no esquema de jogo de Roger, que não teve reposição. Talvez os conflitos, divergências e batalha de interesse em níveis políticos e diretivos tenham atingido o vestiário. Talvez o técnico não viu alternativa de reação na queda livre que a equipe vem apresentando. Independente do motivo, foi na saída de Roger que a perda de rumo resultou. No momento no qual Roger pediu sua demissão, boa parte do projeto de renovação e austeridade futebolística e financeira do Grêmio parece ter sido desligada junto com o treinador. O tom desapontado da voz do nosso presidente anunciando a saída de Roger deixou isso bem claro.

É difícil imaginar quem assumirá o lugar dele. Esperar por alguém com um nível técnico tão apurado quanto ele é mais difícil ainda. A dúvida vai além da personificação de um novo comandante. A incerteza é total, principalmente do que será do restante de 2016, e também do que será nosso 2017. Me nego a escrever sobre as possíveis mudanças no departamento de futebol do Grêmio. A exemplo dos últimos dias, até mesmo pensar nos personagens desse nível hierárquico do clube está sendo, no mínimo, indigesto.

Ao Roger, desejo um grande futuro na profissão escolhida. Certamente, o veremos sendo anunciado como novo treinador de outro time grande dentro de alguns dias. Se um dia tiver que voltar ao nosso Grêmio para ser novamente personagem de grandes conquistas (como foi quando jogador), será muito bem vindo pela nação Tricolor.

Em relação à gestão do nosso clube, nos resta tentar manter um nível mínimo de esperança para que as decisões referentes ao curto prazo técnico do Grêmio tenham um efeito positivo. Por mais incerta e assustadora que essa mudança possa soar, temos que sempre torcer pelo melhor, mesmo quando a racionalidade nos leva para o lado do pior.

Por fim, ao Grêmio, resta desejar um Feliz Aniversário. Ironicamente, o capítulo de mais um treinador que deixa nosso time coincidiu com a data na qual este clube completa 113 anos de existência. Em 2016, o presente de aniversário não foi dos melhores. Tampouco nosso momento em campo é digno de entusiasmo. Mas o significado do dia 15 de setembro vai além disso. Vai além das insuficiências da equipe, vai além da guerra política, vai além das dificuldades financeiras. O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense é maior que tudo isso. O sentimento do verdadeiro gremista também. Parabéns meu Grêmio!

Fonte: Grêmio Avalanche

Cintia Menzomo