Uma história marcante... Parte II

 

O século XXI trouxe novos ares e logo em 2002 veio o fim do meu longo jejum sem títulos expressivos. Apesar da minha diretoria não poder fazer grandes gastos em contratações na época, usamos o que tínhamos de melhor, a minha base, os meus meninos da Vila. De desacreditados à campeões brasileiros, assim os “meninos da Vila” liderados por Diego e Robinho me levaram até a final do Campeonato Brasileiro contra nosso rival Corinthians. O jogo de volta, no qual ganhamos por 3 a 2, sagrou o nome do menino Robinho em minha história, afinal, como esquecer das 8 pedaladas e do quanto ele se entregou para que aquela conquista acontecesse? Fui campeão, quebrei o jejum.

 

 

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Foto: Imortais do Futebol

 

 

No ano seguinte, depois de muitos anos fora da Libertadores, eu estava de volta! E fui longe, cheguei até a final, mas infelizmente fui vice-campeão, assim como no Brasileirão daquele ano. As minhas boas atuações no início deste novo século traziam esperanças para os meus seguidores que há muito tempo não era vista.

 

Em 2004, pela oitava vez ergui a taça do Campeonato Brasileiro, dessa vez, não foi no formato mata-mata igual em 2002, a competição havia mudado, ganhamos por pontos corridos com uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, no interior de São Paulo.

 

Dois anos depois, voltei a ser campeão estadual, mas esse título teve um toque especial, pois ergui a taça dentro da minha casa, do meu Alçapão. Algo que há muitos anos não acontecia e no ano seguinte, sagrei-me bicampeão... Mal sabia que no futuro, estar entre os finalistas do Paulistão seria algo tão comum para mim...

 

Mas nem tudo são flores pra mim, também passei por maus bocados e 2008 foi um ano bem complicado no Brasileirão, mas apesar dos fraquejos, me mantive firme!

 

Em 2009, apesar de não ter conquistado nenhum título expressivo, algo muito importante aconteceu em minha história, o surgimento de Neymar, mais um raio que caiu lá em casa.

 

Neymar, que iniciou na minha equipe profissional em 2009, só em 2010 deslanchou. E por falar em 2010, QUE ANO! Uma nova safra de Meninos da Vila surgiu, com destaque para Paulo Henrique Ganso e Neymar que acompanhados de André e Robinho, que voltou para os meus abraços, foram arrasadores! O que meu elenco apresentava dentro de campo era algo fora do comum, o futebol arte havia voltado para casa.

 

 

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Foto: Imortais do Futebol

 

 

Gols, dancinhas, goleadas, alegria... Muita alegria! Considerado o melhor time do Brasil na época, conquistei o Paulistão e a Copa do Brasil naquele ano, este segundo conquistei pela primeira vez, contra o Vitória dentro da casa deles!

 

Em 2011, não foi diferente, eu ainda era praticamente imbatível, conquistei mais um Paulistão e depois de 48 anos voltei a conquistar a Copa Libertadores, campeonato no qual eu já havia sido campeão por duas oportunidades. Foi muito marcante para minha história este Tri Campeonato... Dar essa alegria ainda mais para muitos jovens torcedores que sonhavam em presenciar este feito, ah não tem preço!

 

 

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Foto: Footbup

 

 

Naquele ano, por ter conquistado a Libertadores, tive direito de disputar o Mundial de Clubes e ir em busca do meu Tri Campeonato Mundial... Mas ele não veio, perdi para o Barcelona, de Messi.

 

O ano seguinte marcou o meu centenário. Em 14 de abril de 2012, completei 100 anos de como diria o meu hino – “um passado e um presente só de glórias” e realmente foi o que aconteceu. Felizmente estava deixando meus torcedores mal acostumados com tantos títulos... Conquistei o Tri Campeonato Paulista consecutivo, Neymar continuava sendo meu destaque e também conquistamos a Recopa Continental contra a Universidade de Chile. Neymar me deixou em 2013, foi alçar vôos maiores em solo espanhol, mas em meu CT deixou na parede a seguinte frase “Eu vou, mas eu volto!” e eu ainda te espero, menino!

 

Após 2 anos sem muito brilho dentro de campo e amargando vice campeonatos estaduais, enfrentei uma crise financeira em 2015, além da mudança de gestão, o vai-e-vem de jogadores, atrasos salariais... Foi um começo de ano muito difícil. Mais uma vez, meu menino Robinho voltou para casa, sendo uma das peças responsáveis pela minha volta por cima, conquistei o Paulistão daquele ano e o vice-campeonato da Copa do Brasil.

 

No ano passado, cheguei pela oitava vez consecutiva na final do Campeonato Estadual e venci! Ergui a taça no meu Alçapão, diante do meu mar branco. Foi um ano de altos e baixos no Brasileirão, poderia até ter ficado com o título se eu não tivesse bobeado e perdido pontos tão bobos. Mas acordei tarde e fiquei apenas com o vice campeonato da competição. Além disso, minha casa completou 100 anos! Fiz uma festa tão linda que arranquei lágrimas de muitos que estiveram presente no amistoso comemorativo que fiz contra o Benfica e que também marcou a despedida do lateral Léo.

 

 

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Foto: Acervo Santos F.C

 

 

Esse ano, por enquanto ainda não ergui taças. Tropecei no estadual e infelizmente fui eliminado nas quartas de finais, doeu, mas minhas derrotas me fazem mais forte. Durante esses meus 105 anos de vida, conquistei inúmeros títulos que me fizeram ser o que sou hoje, fiz meu nome na história do futebol, muitos ousam dizer que eu sou o futebol.

 

Sou temido e respeitado por muitos. Odiado e também muito amado. Minha história é extensa, gloriosa e as páginas ruins eu faço questão de usá-las como lição. Enquanto algum torcedor meu estiver vivo, saberei que minha história será contada e tão marcante para quem irá escutar quanto para quem fez parte de cada um desses capítulos inesquecíveis, eu, você, meus jogadores e todos aqueles que me fazem e me tornaram gigante.

 

Essa é a minha história, muito prazer, sou o SANTOS FUTEBOL CLUBE.

 

 

Carolina Ribeiro