UMA HISTÓRIA RUBRO NEGRA

 

 

Em minha estreia, resolvi contar um pouco de como surgiu esta paixão pelo futebol...

Sou a Gabi Goiabinha, soteropolitana, 26 anos, sagitariana, torcedora do Vitória e feminista. Há exatos 18 anos, quando ganhei do meu pai de criação (tão fanático quanto eu pelo Leão) uma camisa, short, meias e toalha do ECV, passei a admirar o clube mesmo contra a vontade do meu pai biológico que torcia para o rival. Lembro que meu primeiro ídolo foi o famoso Petkovic e que ficava cantarolando os hinos todas as vezes que meu pai rubro negro acompanhava os jogos.

Mesmo com todo o sentimento, nunca tinha tido a oportunidade de ir ao nosso santuário - o Barradão - além disso, sempre que pedia para alguns amigos que me levassem aos jogos, ouvia que era perigoso, que eu poderia não me adaptar e que ficaria entediada, pois não era espaço para meninas. O meu sonho em relação ao ECV sempre foi ser sócia. Tinha feito esta promessa quando passei no vestibular, mas nunca cumpria e na verdade não entendia como funcionava.

Um certo dia, vagando pelas páginas esquerdistas no facebook, me deparo com a Brigada Marighella – torcida antifascista do Vitória. Ao fazer parte do grupo, surgiu uma oportunidade de ir a um jogo no Barradão com ingresso e carona garantidos e eu colei logo na corda. Era minha oportunidade de ouro!

No 18 de setembro de 2016, a partida entre Vitória e Botafogo, vi pela primeira vez o meu time perder em campo. Segue o baile, pois, graças a esta minha decisão de ir aquele jogo, conheci pessoas incríveis da Brigada e de outras torcidas. Hoje acumulo mais de 20 jogos, viajei para São Paulo no I Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada, conheci o Pacaembu, finalmente me tornei sócia do clube, aprendi a ir sozinha para o estádio (eu tinha medo mas criei essa independência), sou umas das coordenadoras ligada a organização da minha torcida e me apresento sempre como uma mulher de arquibancada que luta contra o machismo no futebol, por respeito, equidade, contra o futebol moderno e por uma popularização desta prática esportiva.

 

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Se eu tivesse recusado aquela ida em setembro de 2016, pelos discursos machistas que ouvi no passado sobre a participação feminina nas arquibancadas, ou tivesse ficado decepcionada pela derrota do meu time em campo no meu primeiro jogo, eu nunca estaria aqui com uma rotina ligada demais ao Vitória.

Atualmente minha agenda pessoal é formulada baseada em dias de jogos, ou seja, se o Vitória joga no sábado por exemplo às 18h, eu estarei ocupada. E é isso aí, o futebol me ensinou que muito mais que títulos e placar é preciso estar em campo, é empiria, é acreditar, amar e ser sempre a camisa 10.

 

Por Gabriela Gardenia