UMA QUARTA-FEIRA PARA A ARENA SE TORNAR OLÍMPICO

Quem passa atualmente pelas redondezas do Estádio Olímpico, no bairro Azenha em Porto Alegre, provavelmente não entenda o que realmente acontecia naquele local. Atualmente desocupado e, por vezes, alvo de atos de vandalismo, o Monumental nos dias de hoje nem de longe lembra o palco de vitórias emblemáticas do Tricolor Gaúcho. Mas o gremista que viveu ou assistiu momentos inesquecíveis que ali ocorreram, sempre vai ter a sensação de reviver as emoções que esse estádio lhe proporcionou.

 

(Imagem: Jeremias Wachholz)

Entre os diversos momentos importantes que o Grêmio teve no Olímpico, as partidas válidas pelas Libertadores que o Tricolor disputou nessa casa estão entre os mais marcantes. Como não lembrar daquele jogo, em 1995, no qual gremistas viram seu time aplicar um 5 a 0 no Palmeiras, que era considerado uma potência do futebol nacional da época? Naquele ano, o Grêmio consagrou-se bicampeão do continental ao vencer o Atlético Nacional da Colômbia por 3 a 1 em casa na primeira partida da final, e empatando por 1 a 1 como visitante. Do início ao fim daquela campanha, a torcida no Olímpico foi um fator extremamente importante para um time de verdadeiros guerreiros.

Anos depois, em 2007, este mesmo estádio pulsava em outra campanha surpreendente do Tricolor na Libertadores. Naquele ano, o Grêmio estava longe de ser considerado um time competitivo a ponto de almejar uma fase final. Mas com uma raça digna de admiração, a equipe considerada modesta venceu jogos complicados, como contra o São Paulo e o Santos. Mesmo na derrota na final por 2 a 0 para o Boca Juniors, ele estava lá: o Monumental! Com sua torcida apaixonada cantando e alentando seu time do coração em qualquer situação.

Nesta quarta-feira (02/03), às 21h45, o Grêmio receberá em sua atual casa a LDU, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores 2016. As equipes vem de estreias totalmente divergentes: o time do Equador venceu o San Lorenzo em casa por 2 a 0, já o Grêmio perdeu pelo mesmo placar para o Toluca, em jogo no México. Sob o ponto de vista dos mandantes dessa quarta, essa segunda rodada já tem ares de decisão para a continuidade do Tricolor na Libertadores.

Sendo assim, a escalação do Grêmio para essa partida é um mistério. A grande expectativa da torcida e da imprensa gira em torno da atuação de Miller Bolaños, que teve sua autorização para atuar pelo Tricolor divulgada nessa semana. Há quem aposte na entrada do jogador no lugar de Douglas no time, atuando como um armador de jogadas. Entretanto, há a possibilidade do equatoriano jogar na posição de Éverton, o que municiaria o Tricolor em termos de ataque mais qualificado ou surpreendente.

(Imagem: Lucas Uebel / Grêmio FBPA)

Mesmo com o treino fechado, a possível escalação do Grêmio para o jogo dessa quarta-feira contaria com: Marcelo Grohe, Wallace Oliveira, Pedro Geromel, Fred, Marcelo Oliveira, Edinho, Maicon, Douglas, Giuliano, Éverton (Bolaños) e Luan. Um grande público é esperado para essa partida, público este formado por torcedores que acreditam em um bom resultado gremista, mesmo depois de algumas atuações de baixo rendimento do time, inclusive no Campeonato Gaúcho.

A noite dessa quarta-feira será muito parecida com tantas outras vividas por gremistas nas décadas de 1990 e 2000. Só que desta vez, a pulsação do apoio dos torcedores não será no Olímpico, será na Arena! O resultado da partida é impossível de saber. Entretanto, o que se pode prever (ou pelo menos se desejar), é que a recente casa do Tricolor transborde daquele sentimento de veneração e fé que inundava o Olímpico. Claro que uma torcida também é composta pelos momentos de críticas e, muitas vezes, questionamentos. Mas especialmente nessa quarta, o Grêmio precisa ter na Arena tudo o que tinha de melhor nos bons e velhos tempos de Olímpico.

Cintia Menzomo