VALEU, NOIA!

 

 

Para início de conversa, sou gremista. Sim, uma torcedora fanática do Tricolor que, pelo segundo ano consecutivo, viu seu time ficar fora da final do Campeonato Gaúcho. Ainda no final de 2016, o presidente do meu time deixou bem claro: “Ganhar o torneio estadual é uma obsessão!”. Entretanto, há duas semanas, vi a ambição gremista de retomar o domínio regional ser interrompida pelo Novo Hamburgo. E seria esse adversário, carinhosamente conhecido como “Noia”, que no domingo, dia 7 de maio de 2017, se consagraria Campeão Gaúcho pela primeira vez em sua história.

 

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Foto: Diogo Salaberry / Agência RBS

 

Quem diria que o clube representante da cidade de mesmo nome, localizada na região metropolitana de Porto Alegre, seria capaz de tamanhas façanhas no Gauchão deste ano? O aproveitamento do time no início da competição foi surpreendente para os adversários, instigante para a imprensa e um verdadeiro tufão de entusiasmo para sua torcida. Foram seis vitórias nas seis primeiras rodadas, um começo avassalador. Mesmo com alguns tropeços na sequência, o Noia não perdeu seu posto de líder na fase classificatória. A melhor campanha da primeira fase chegou ao mata-mata sendo motivo de precaução dos rivais que lhe enfrentariam dali em diante.

Nas quartas de final, o time comandado pelo inteligente técnico Beto Campos passou com certa tranquilidade pelo São José. Já nas semi, era do meu Grêmio a responsabilidade de tentar parar o Noia. Não deu certo para os Tricolores... Entre primeira fase e mata-mata, foram três partidas entre os azuis na competição. Todas terminaram em empates por 1 a 1. Entretanto, no terceiro e fatídico confronto que valia vaga na final, o triunfo do azul anil veio na decisão por pênaltis. Pelo simples fato de chegar à final, o Novo Hamburgo tinha alguns personagens que já poderiam ser considerados heróis da campanha, entre eles o capitão Preto, o atacante João Paulo e o goleiro Matheus (uma verdadeira muralha na meta do seu time).

Era chegada a hora de o clube encarar a sexta final de Campeonato Gaúcho em seus 106 anos de história. E o cenário parecia ainda mais complexo do que naturalmente se esperava. O outro finalista era o Internacional, até então Hexa Campeão Gaúcho e sedento pela conquista do Hepta regional no ano que pode ser considerado um dos mais difíceis já vividos pelos colorados, já que enfrentarão uma inédita série B do Brasileiro. A conquista do sétimo Gauchão era vista como uma forma de alentar os torcedores do clube do Beira-Rio.

Na hora da decisão, foram muitos os obstáculos enfrentados pelo Novo Hamburgo. Entre eles, a indefinição sobre o local da grande final. A tentativa de ampliar a capacidade de sua casa, com a construção de arquibancadas móveis no Estádio do Vale, foi vetada por motivos de segurança. Dessa forma, o Noia teria seu mando de campo em Caxias do Sul, no Estádio Centenário. Nas duas partidas, a grande maioria das arquibancadas foi composta por torcedores colorados, o que não impediu o Novo Hamburgo de impor seu jogo e mostrar ao adversário que estava muito a fim de fazer história. Estava a fim de escrever de forma gloriosa a sua própria história...

No Estádio Beira-Rio, o placar foi 2 a 2. Nada de vantagem para o jogo em Caxias. E foi na Serra Gaúcha que uma nova história estava prestes a ser escrita. No tempo normal, 1 a 1. Em um primeiro tempo, o dono da melhor campanha do campeonato justificou o porquê adquiriu esse status, pois não deixou o Inter se encontrar no jogo. Fato este que proporcionou a vantagem de 1 a 0 do mandante na ida para o intervalo. Ok, o gol foi contra, mas a atuação do Noia era merecedora da vantagem.

Mas, como muitos desconfiavam, tinha muita emoção para acontecer. O empate colorado logo no início da segunda etapa foi motivo de certa desconcentração dos jogadores de azul. Com muita raça e grandes defesas de Matheus, o Novo Hamburgo segurou o empate e se deparou com mais uma decisão de pênaltis.

Pode-se resumir as penalidades decisivas em muitos acertos no travessão (3 do Inter e 1 do Novo Hamburgo), mais um milagre operado por Matheus, e o gol decisivo de Pablo, que proporcionou à cidade de seu time um final de domingo tomado pela comemoração da conquista histórica do tão competente Noia. A conquista foi do Novo Hamburgo, mas a sensação é que o restante do Rio Grande do Sul também ganhou com esse Título.

Parabéns Noia! Tenho certeza de que torcedores de Grêmio, Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, Cruzeiro, São José, até mesmo do Inter, e de tantos outros clubes gaúchos respeitam e admiram essa tua conquista inédita. Esse teu grupo, considerado barato e limitado por muitos, mostrou na essência como é trabalhar com dedicação e lutar com garra para chegar ao topo e levantar essa tão merecida taça. Valeu pela conquista!

 

 

Cintia Menzomo