VENCE O FLUMINENSE COM O SANGUE DO ENCARNADO, COM AMOR E COM VIGOR

C:\Users\Carla\Downloads\48418952486_116722ce45_o.jpg
 

(Foto de Lucas Merçon) 


Posso procurar por sinônimos de inúmeros verbetes, dentro da vastidão da nossa língua portuguesa, e ainda assim ficarei a dever palavras para tentar traduzir o espetáculo apresentado pelo nosso amado Fluminense e minha extraordinária Torcida na noite da última terça (30), no Maracanã. 

Um show dentro e fora das quatro linhas que ficará para sempre em nossa historia. Todos sabiam da importância do duelo e que só a vitória garantiria a classificação para as quartas de final da competição. Viemos de uma derrota para o São Paulo, no Campeonato Brasileiro, e a insatisfação de muitos com o esquema de Fernando Diniz ganhou voz nas redes sociais. Muitas críticas foram feitas ao técnico que "gostava de colocar o time para jogar bonito e não conseguia vencer". Muitos até ensaiaram um movimento #ForaDiniz.

Mesmo assim, 35 mil ingressos foram vendidos e Tricolor de toda terra lotou o Maracanã. Alguns ressabiados, outros com a certeza de que o elenco honraria a camisa mais bonita do mundo. As torcidas organizadas fizeram sua parte. Os componentes da Força Flu levaram seu verde para as arquibancadas nas camisas e bandeiras; assim como a Fiel Tricolor representou seu grená e levou sua tradicional bateria. Sem deixar de comentar sobre o branco da Young Flu e a galera do Sobranada. 

Balões verdes, brancos e grenás foram distribuídos pelas organizadas para todos os torcedores, com o intuito de usar as cores como um elemento narrativo e criou uma atmosfera fantástica nas arquibancadas. O Maracanã multicolorido e vibrante com as cores de nosso pavilhão.

Apito inicial. O Fluminense pegou a bola e ela sobrou para Igor Julião que, ao perceber a excelente posição de Marcos Paulo na área, a cruzou com maestria, para o atacante subir, cabecear e abrir o placar no primeiro minuto de jogo. A Torcida ficou enlouquecida. O Fluminense seguiu aguerrido e Ganso assumiu seu papel de "maestro" com plenitude. Deu gosto de vê-lo distribuir as bolas e as variações que criou. Ora pela esquerda, ora pela direita. Muito ousado em sua forma de fazer a transição das jogadas e colocar a bola no ataque. 

Yony González brincou em campo e soube se posicionar para receber as bolas e tentar suas subidas na velocidade. Assim veio o segundo tento do Fluminense, quando Pedro percebeu sua entrada na área do Peñarol e deu um passe de calcanhar, uma lindeza, para o colombiano bater cruzado. Claro que teve dancinha! Novamente, a torcida foi ao delírio.

https://s3.amazonaws.com/assets-fluminense/uploads%2F1564539517496-4.jpg

Yony González foi um dos destaques do jogo (Foto de Lucas Merçon)



Sem mudanças em sua formação, o Fluminense voltou para a segunda etapa com a mesma garra e, para a alegria desmedida do Tricolor, fez seu terceiro logo aos dois minutos. Surgiu através de belíssima jogada iniciada por Ganso que lançou passe açucarado para Caio Henrique bater. Ele chutou deslocado e no rebote, nosso moleque de Xerém não titubeou e estufou as redes. Foi o segundo gol de nossa cria no elenco principal. 

O atacante fez partida primorosa e, sem sombra de dúvida, tem muito potencial a ser explorado. Não foi à toa eleito craque do jogo por representantes da competição. Tem talento nato e sabe se posicionar em campo, além do bom entrosamento com os parceiros. 

O Peñarol até adiantou as suas linhas de marcação para tentar travar os avanços do Tricolor, mas de pouco adiantou. O time de Diniz seguiu determinado a fazer gols e tentou. O técnico Diego Lopez, que já havia elogiado o elenco e o estilo tático, rendeu-se mais uma vez e disse no final da partida: "Nos desgastou demais recuperar a bola, mesmo jogando um pouco melhor no segundo tempo."

2 banner

Comemoração do gol (Foto de Lucas Merçon)
 


Isso foi um fato. O elenco Tricolor entregou-se de tal forma que, depois dos vinte do segundo tempo, era nítido o cansaço em suas expressões. Foi quando veio o tento de honra dos uruguaios, aos 24, feito por Viatri.

Ao perceber tamanho desgaste, Diniz efetuou alterações e tirou Ganso para a entrada de Bruno Silva e colocou Pablo Dyego na vaga de Marcos Paulo. Ambos foram ovacionados por sua Torcida com muitos aplausos e seus nomes cantados em voz alta. 

Faltavam apenas dez minutos para o apito final e para o Torcedor ver o sonho da tão almejada vaga nas quartas de final realizado. Foi quando o Maracanã ganhou o brilho de milhares de lanternas de celulares, junto com o balançar dos balões. O estádio ganhou um "quê" de fantasia, como um filme em cores fortes, no melhor estilo de Pedro Almodóvar. Contando os segundos, Tricolor não parou de cantar até o árbitro apontar para o centro do campo e determinar o final do duelo.

Festa, deleite, satisfação, regozijo, devaneio, encantamento, sonho. Os jogadores se uniram em direção aos seus maravilhosos torcedores que, por sua vez colocaram seus braços a balançar e cantaram o Horto Mágico, como uma declaração de amor:

"Souuuuuu
Souuuu Tricolorrrrrr
Sou Tricolor de coração 
Vim ver o Flu, meu grande amor
Graças a Deus sou Tricolor....."

Fez-se ali um pacto.. Futebol se sente...

 

Por Carla Andrade