Vencemos, mas não há muito o que comemorar.

O Flamengo venceu o clássico contra o Botafogo no domingo (12) por 2 a 1, no estádio Nilton Santos. Os gols foram marcados por Everton e Guerrero. Róger descontou. Porém, não há clima para festa ou comemoração. Não tem como fazer a usual zoeira de dia seguinte. Não tem como sorrir com o resultado de dentro de campo após o que aconteceu fora.

 

Sim, amigos, eu poderia comentar aqui sobre como o Flamengo dominou o jogo no início podendo ter aberto o placar logo no início. Poderia falar do gol que Guerrero marcou de coxa aos 35 minutos do primeiro tempo após cruzamento de Diego. Poderia falar da façanha de Everton, que fez o 200° jogo pelo Flamengo e ainda marcou gol aos 20 minutos do segundo tempo quando Diego cobrou escanteio. A defesa desviou, Rafael Vaz, de bicicleta, mandou para a área e, na sobra, Everton empurrou para o gol para selar a vitória do Flamengo – que havia sofrido o empate dois minutos após o primeiro gol.

 

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(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

 

Tudo isso teria feito o domingo dos rubro-negros mais feliz, mas como comemorar uma vitória se fora do estádio o cenário que se via era de guerra?  Se “torcedores” se exibiam com barras de ferro e paus no trajeto até o Nilton Santos? Que tipo de esporte é esse que defendem aqueles que se escondem atrás de escudos e cores para matar, para ferir os outros?

 

Qual o sentido disso? Futebol deveria ser paz e o estádio um lugar de festa. Rivalidade deveria ser apenas dentro de campo. Muita gente refletiu sobre isso quando o acidente vitimou a delegação da Chapecoense no fim de novembro. Sobre a paz no futebol e pouco mais de dois meses depois, o que temos? Mais violência e mais intolerância.

 

Dois torcedores morreram, um deles, de forma covarde após um carro passar atirando na rua. Aliás, tiros foi o som que predominou antes do jogo assustando quem ia, ou estava dentro do estádio. Sons e episódios que afastam torcedores, famílias e crianças de um jogo de futebol e esvazia cada vez mais os nossos estádios.

 

Deste clássico, o Flamengo levou os três pontos, a garantia de 100% na temporada, a liderança do grupo B com 12 pontos, contra 10 do Madureira. Leva a quebra de um jejum que vinha desde 2014 sem vencer o Botafogo. Mas também levamos marcas que mancham o nosso futebol. Levaram vida, o prazer de um torcedor ir ao estádio, independente do clube pra quem ele torcia. Espero que tudo isso nos leve a questionar uma coisa: aonde vamos parar?

 

Por Camila Leonel.