Vindo de uma derrota na Libertadores e da recente saída de seu técnico, o Palmeiras enfrenta mais um Choque-Rei, no conhecido gramado, onde lutas sempre o aguardaram.

Foto: Sociedade Esportiva Palmeiras 

O Pacaembu será mais uma vez, o palco do segundo maior clássico paulista. Palmeiras e São Paulo se enfrentam nesse domingo (13) às 11h da manhã, em partida válida pela nona rodada do Paulistão.

No retrospecto dos confrontos disputados no Paulo Machado de Carvalho, o time alviverde levou a melhor. São quatro vitórias a mais que o rival.

O clássico conhecido como Choque-Rei, tem muita história para contar, confrontos que se misturam com a história do próprio país. Mas com certeza, o mais contundente foi em 1942, quando o mundo ainda vivia os horrores da segunda grande guerra mundial.

Na época, o Palmeiras ainda era Palestra Itália e o time sofria todo tipo de hostilidade. Isso porque, a Itália, país de origem dos imigrantes que fundaram o clube, fazia parte do chamado Eixo, grupo de países considerados inimigos no contexto da guerra. O Brasil, por sua vez, estava do lado oposto, apoiando os Aliados.

A interpretação errônea que se fez na época, foi a de que os imigrantes italianos, que aqui moravam, estavam automaticamente contra o Brasil, apenas por terem nascido na Itália. Eles eram duramente retaliados.

Em meados de Setembro, as turbulências da guerra haviam aumentado muito e no dia 20 de Setembro de 1942, chegaram ao ápice. Era dia de clássico paulista. Palestra Itália e São Paulo se enfrentariam naquela tarde. O Parque Antártica foi cercado e ameaçado de ser invadido e o time foi obrigado a mudar de nome, antes de entrar em campo, sob pena de ser extinto.

Naquela tarde o alviverde vencia o São Paulo por 3x1, quando o adversário resolveu deixar o campo, antes da partida terminar, como sinal de repúdio ao "time inimigo". Saíram debaixo das vaias da própria torcida tricolor, por causa da atitude anti-solidária.

A clássica foto em que os jogadores entram no estádio do Pacaembu, com a bandeira do Brasil, é muito emocionante e está pendurada "nas paredes da memória" de todos os torcedores. O Palmeiras reafirmava a sua origem brasileira e o compromisso com aquela terra tão amada, que escolhera para nascer e viver. O dia ficou conhecido como "Arrancada Histórica".

Setenta e quatro anos depois, o Palmeiras pisa no conhecido gramado, novamente em clima de tensão. Dessa vez a guerra não está acontecendo nos frontes europeus, trata-se de uma guerra interna.

O time que vem de uma campanha bem razoável no campeonato paulista, amargou a primeira derrota na Libertadores, jogando em casa. E horas depois, perdeu o seu comandante. O técnico Marcelo Oliveira já não faz mais parte da equipe.

Todos sabem que conflitos internos, influenciam diretamente no desempenho de qualquer atividade humana e isso não é diferente no futebol. Para minimizar o impacto desse momento, a diretoria e a comissão técnica, reuniram o elenco para uma longa conversa a portas fechadas. Onde foi possível falar dos desafios imediatos a serem vencidos.

Alberto Valentim, que já assumiu a função de técnico interino, comanda o time, até a chegada do novo professor. Ele afirmou, com muita segurança, característica marcante de sua personalidade, que montará o time da forma que ele acha melhor para o momento, sem pensar no trabalho anterior e tão pouco, no que será executado no futuro. "A prioridade máxima é o São Paulo. O jogo da Libertadores é só na quinta-feira e não estamos pensando nele agora, portanto nenhum jogador será poupado, a menos que não esteja bem fisicamente. Eu estou focado unicamente no jogo de amanhã." disse Valentim, em coletiva com a imprensa.

Edu Dracena, Lucas Barrios e João Pedro, estão liberados pelo departamento médico e ficam à disposição para a composição do time.

Os vinte quatro que fecham a lista de convocados são os goleiros: Fernando Prass e Vagner, Laterais: Lucas, Egídio, Zé Roberto e João Pedro, Zagueiros: Vitor Hugo, Roger Carvalho, Edu Dracena e Thiago Martins, Volantes: Jean, Matheus Sales, Arouca e Thiago Santos, Meias: Régis, Robinho e Allione, Atacantes: Dudu, Cristaldo, Erik, Rafael Marques, Lucas Barrios, Gabriel Jesus e Alecsandro.

Parece que vencer guerras, sejam externas ou internas, está no nosso DNA. A superação de momentos em que não se vê muita esperança é histórica. O Palmeiras aprendeu muito cedo, que antes de enfrentar qualquer rival dentro dos campos, precisa superar as suas próprias fragilidades e incertezas.

Forza Palestra! Pra cima deles Palmeiras! Todos nós entraremos juntos com você, naquele gramado que já foi parceiro de tantas emoções. Nós iremos cantar orgulhosos e em uma só voz: "Por nosso Alviverde inteiro, que sabe ser brasileiro, ostentando a sua fibra!”

Alessandra Moitas