YOU’LL NEVER WALK ALONE, LIVERPOOL

Triunfo sobre o Tottenham, por 2 x 0, gols de Salah e Origi, garantem o sexto título da competição para o Liverpool.

 

Foto: Getty Images - UEFA

 

Antes do início da grande final da Champions League, ninguém poderia imaginar que o jogo seria praticamente definido em menos de dois minutos. Tempo esse, que levou o árbitro a assinalar um pênalti contra o Tottenham, visto que a bola tocou na mão de Sissoko dentro da pequena área. O ídolo Salah tomou para si a responsabilidade. Pegou a redondinha e teve um breve momento de intimidade com ela que terminou com um beijo suave. Em seguida a ajeitou caprichosamente na marca e bateu forte sem muitas chances para o arqueiro Lloris.

Foi a penalidade máxima mais rápida registrada numa final europeia e o segundo gol mais veloz numa final da Liga dos Campeões. O primeiro foi feito por Maldini, aos 50 segundos, naquela virada histórica da Roma sobre o mesmo Liverpool, em 2005. Coisas que só acontecem no futebol.

O tento foi um banho de água fria em cima do elenco dos Spurs e isso pôde ser comprovado no andar da primeira etapa, onde tiveram muita dificuldade em burlar a forte marcação imposta por uma defesa compacta e bem posicionada do adversário. Além desse entrave, o time comandado por Pochettino se fechou para evitar tomar outro gol e isso contribuiu de forma negativa na criação de jogadas ofensivas.

Com a defesa segura, o ataque do Liverpool não parou e continuou a buscar aumentar o placar. Uma boa chance surgiu, aos 16, quando Alexander-Arnold ousou um chute forte que passou perto da trave direita de Lloris. Firmino, que saiu jogando para alegria da torcida, fez com exatidão o trabalho como pivô e subiu com facilidades pelos flancos laterais. Aos 37, Robertson subiu solto pela lateral e soltou uma bomba, defendida por Lloris. O jogador é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores laterais-esquerdo da temporada e fez uma partida sublime.

Enquanto isso, o Tottenham não se encontrou e viveu um verdadeiro drama nas saídas de bola, pouco produtivas. O ataque foi pouco criativo e Kane, seu maior destaque, estava sem ritmo e tocou apenas onze vezes na pelota durante a primeira etapa. Para fechar, Eriksen errou ao receber o passe e deu um chute totalmente fora da mira do gol de Alisson. A torcida não perdoou e mostrou seu descontentamento com assobios.

 

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Comemoração do gol pelos Reds

Foto: AFP

Nenhuma alteração foi feita nas duas equipes para o segundo tempo e nem mesmo Lucas Moura e Llorente, dois jogadores decisivos na virada contra o Ajax na semifinal, foram lançados por Pochettino. Mesmo assim, a equipe esboçou uma reação e voltou mais aguerrida para o duelo. O Liverpool manteve a mesma tranquilidade dos primeiros 45 minutos, sua defesa continuou firme e com o objetivo de travar qualquer tentativa do adversário.

Jurgen Kloop fez sua primeira substituição aos 12 minutos e colocou Origi no lugar de Roberto Firmino, que jogou sem estar 100% em suas condições e foi ovacionado por sua torcida ao deixar o gramado. O comandante apostou na velocidade do atacante que fez dois dos quatro gols sobre o Barcelona na semifinal. Na sequência, sacou Wijnaldum para a entrada de Milner, autor dos outros dois tentos na virada heroica contra o Barça.

Diante das trocas dos Reds, Pochettino decidiu correr todos os riscos e tirou o volante Winks para que Lucas Moura entrasse na partida e, quem sabe, pudesse mudar o rumo da história. Pouco tempo depois apostou em Dier na vaga de Sissoko. Os dois mostraram disposição e, a partir daí, deram trabalho ao arqueiro Alisson.

Com 34 minutos, veio um bom ataque dos Spurs e o goleiro brasileiro salvou sua equipe em dose dupla. A primeira delas foi numa defesa sensacional de um chute forte de Son. A segunda foi uma nova defesa na tentativa feita por Lucas Moura, que pegou o rebote da jogada e mandou para o gol.

Momento perigoso aos 37, quando Alexander-Arnold derrubou Rose na entrada da pequena área e o árbitro marcou falta perigosa a favor dos Spurs. Com dois homens na formação da barreira, Eriksen bateu e o goleiro Alisson salvou mais uma vez com um tapa na bola e a mandou para a linha de fundo. Um minuto depois, Llorente entrou na partida no lugar de Dele Alli, na última tentativa de Pochettino em buscar uma possível reação.

O jogo ganhou contornos dramáticos nos minutos finais até que, aos 41, após cobrança de escanteio de Milner e um erro no chute de Van Dijk e da zaga do Tottenham ao afastar a bola, Matip surgiu para servir Origi, com passe perfeito, que com chute preciso fez o segundo gol do Liverpool. O tento sepultou qualquer esperança do adversário e reafirmou que a festa do título tinha a cor vermelha.

 

O capitão Jordan Henderson ergue a taça

Foto: Getty Images - UEFA

Apito final. Liverpool conquistou o hexacampeonato na Champions League e tornou-se o terceiro clube com maior número de títulos na história da competição mais importante do futebol europeu.

Festa nas arquibancadas e no campo. Torcedores cantaram o hino do clube enquanto os jogadores se abraçaram com um sorriso estampado no rosto. Festa feita para homenagear Jurgem Kloop, o maestro deste time que fez partida perfeita e mostrou ao mundo o seu valor. O técnico recebeu o abraço carinhoso de Pochettino, outro líder sem igual que com um trabalho inovador levou seu Tottenham até a final. Palmas para os dois.

Kloop fez questão de abraçar a todos os seus comandados que se uniram para saudar a calorosa torcida presente no Estádio Metropolitano. Em retribuição, os torcedores apaixonados entoaram, numa só voz, a música tema do seu grande amor vermelho: “You’ll never walk alone, Liverpool”.

Pouco antes de receber a taça, Jurgen Klopp disse aos jornalistas: “Ganhar é melhor do que passar perto. Neste momento sinto apenas alívio. Estou muito, muito feliz por todos os nossos jogadores, todos os nossos adeptos. A principal coisa que sinto é alívio”.

Jordan Henderson, capitão do Liverpool fez questão de enaltecer o trabalho feito pelo carismático técnico alemão e afirmou que sem ele, a conquista seria impossível.

"Passamos por momentos difíceis numa temporada, mas o que ele fez desde que chegou é inacreditável. Existe uma união, ele criou um balneário especial e todo o elogio vai para o treinador. Estou muito orgulhoso por fazer parte deste clube e ser seu capitão é ainda mais especial para mim”, declarou emocionado.

Como cereja desta festa, os observadores técnicos da UEFA elegeram o defensor Virgil van Dijk, como o melhor em campo na final da UEFA Champions League. Uma escolha que traduziu sua liderança extraordinária e as intervenções decisivas feitas durante todo o jogo.

Cerimônia da entrega da taça e medalhas com a participação de todos os torcedores nas arquibancadas. Ninguém parou de cantar. Festa em Madrid e novamente a taça dos campeões, a mais cobiçada do planeta, regressará para Anfield.

 

Carla Andrade