Zico: O rei de 40 milhões de súditos

Dizem que o natal do flamenguista não é no dia 25 de dezembro, mas no dia 3 de março. Isso porque neste dia nasceu o maior ídolo de toda a história do Flamengo: Arthur Antunes Coimbra ou simplesmente Zico. De Quintino Bocaiúva para 40 milhões de corações, nascido em 03 de março de 1953, caçulinha da casa, filho de um imigrante português e uma carioca da gema.

Zico é a personificação de todo sentimento rubro-nego e foi com ele que o Flamengo viveu a sua fase de glórias e trouxe para a Gávea os dois títulos mais importantes para o Mengão: a Libertadores da América e o Mundial de Clubes, em 1981. Zico é o recordista de gols pelo Fla: marcou 508 em 731 jogos.

No início, Zico jogava em um pequeno time de futsal formado por amigos e familiares, o Juventude de Quintino, depois o Galinho começou a jogar no River. Em 1967, o radialista Celso Garcia, amigo da família, assistiu uma partida de Zico em um torneio no Ríver  em que o garoto marcou dez gols em vitória de 15 x 3 de seu time. Garcia o levou para a escolinha de futebol do clube. Na Gávea, o menino de Quintino impressionou os treinadores, porém era franzino demais. Além do futebol, Zico trabalhava a parte física. Estudava, treinava... chegava em casa tarde da noite, mas o amor pelo futebol fez ele superar essa fase difícil.

Zico estreou na partida contra o Vasco da Gama em 1971. Foi dele o passe para Fio Maravilha que marcou o gol da vitória para Fla por 2 a 1. Porém, Zico só se firmou no time em 1974. Porém o primeiro título no time profissional veio dois anos antes: em 72, no Campeonato Carioca de 1971. E não demorou para que o futebol empolgante e preciso começasse a aparecer. Quem ia ao Maracanã ver o Flamengo jogar nessa época, acompanhava um verdadeiro espetáculo.

Em 1980 veio o primeiro título brasileiro sobre o Atlético Mineiro. Zico não jogou a primeira partida, mas no segundo jogo, foi dele o passe do primeiro gol e a autoria do segundo tento da vitória de 3 a 2 sobre o Galo Mineiro. Em 1981 vieram as conquistas mais importantes do Flamengo: a Libertadores, conquistada sobre o Cobreloa. Zico marcou os dois gols na vitória por 2 x 1 na partida de ida, no Maracanã. No jogo de volta, os chilenos venceram por 1 x 0 e, pelo regulamento da época, o troféu seria decidido em campo neutro, que foi em Montevidéu, no Estádio Centenário. Zico novamente marcou os dois gols da vitória, dessa vez de 2 x 0, o segundo deles, a dez minutos do fim, com um inesquecível gol de falta.

No Mundial de Clubes, o Flamengo foi à Tóquio enfrentar a favorita equipe do Liverpool, mas o Flamengo com sua raça e futebol venceu os ingleses por 3 a 0 e coloriu o mundo de vermelho e preto. Zico não marcou nenhum gol, mas participou das jogadas, sendo fundamental.

Em 1983, Zico foi transferido para a Udinese, jogou duas temporadas no time italiano, mas em 1985, ele voltou ao Flamengo, porém pouco depois ao seu retorno, o Galinho sofreu uma falta dura que lesionou os seus dois joelhos. Muitos acharam que a seua carreira acabaria ali. Não acabou, mas o lance de Márcio Nunes, do Bangu, abreviou a carreira do craque flamenguista. Sua última partida como profissional no Flamengo foi contra o Fluminense, em 1988. O Fla goleou o Flu e Zico se despediu mostrando que tinha um futebol primoroso e marcando um belo gol de falta.

Nem todos os flamenguistas tiveram a honra de ver o Galinho de Quintino em ação. Nem todos viram suas faltas, nem comemoraram os títulos da mágica Era Zico, mas o legado do Galinho persiste até hoje. Até hoje, ele é reconhecido por ser um dos maiores jogadores do Flamengo. Mas Zico não é ídolo apenas por seus gols, pelos títulos, o Galinho de Quintino é reverenciado, principalmente, por ser um dos 40 milhões de apaixonados pelo Flamengo que declaram o seu amor ao clube e que são rubro negros de coração, corpo e alma.